Estamos em casa eu, André (usando um moleton inteiro vermelho, calça e blusa, que o deixou absolutamente lindo), Koshari, nosso amigos Dú e Vlá.
Olahndo nós ali na varanda, eu tenho uma idéia aproximada de perfeição (aproximada porque o Helder não está aqui). Pessoas tão desiguais e que se amam tanto. E que sorriem e riem e se divertem com as coisas simples.
Os três são altos, mas totalmente diferentes. Um coiote, o Koshari. koshari é um jeito de falar "palhaço mágico", heyouka, trickster. O apelido dele é Ragabash, que no jogo Lobisomem o Apocalipse, é o augúrio da lua nova, os que ensinam através do riso. Ele é alto e forte e sábio, mas é, acima de tudo, um brincalhão que desmancha a realidade como areia. Quando você menos espera, ele te arremessa para fora do seu conforto.
O Vlá é um urso. Quando jogavamos Lobisomem, ele era, aliás, um Gurahl, um were-urso. Ele é doce e sensível, mas agressivo quando provocado. e quando é para destruir algo, ou alguém, eu voto no Vlá, que consegue acabar com tudo e dpeois se sentar calmamente para tomar um suco comigo (porque ele não bebe alcool).
O Dú não sei que bicho ele é. Acho que um cão selvagem. O pessoal sempre chama de viking, mas eu sempre penso no Obelix. Seus imensos olhos azuis guardam uma necessidade de cuidar de todos, e agora que ele precisa cuidar de si mesmo, ele tem tido um certo desespero, porque ele é aquele que ajuda aos outros, mesmo quando não merecem. Ele é entrega e devoção, mesmo sendo, ele também, passível de esmurrar e destruir. Ele durante muito tempo se apresentava as pessoas como meu braço, ou meu punho.
Amo nos três esse descanso da força. A força está ali, e não reprimida. Os três são altos, fortes, e quando foi preciso, já se ergueram para bater, discutir, lutar. Mas são os três delicados e inteligentes, cada um a seu modo. Koshari, meu Marlon, meu falcão peregrino (esmerilon = marlon), com seu olhar longe, sua capacidade de planejamento, sua precisão, sabendo de tudo um pouco e conseguindo enxergar antes de todo mundo, Vlá, com sua vontade, sua paixão pelas guerras históricas, sua sabedoria mansa, seu cuidado, divagando e encontrando as saídas mais corretas sem perceber. Dú, amando literatura mesmo sem saber por onde começar, falando de poesia com os mesmos termos que usa para falar de kick boxe, seu imediatismo preciso.
E o André aprendendo a ser mais... e eu amando minha vida...