Entre Pedras da Lua e Pâmpanos

Não tinha escrito sobre isso aindas porque não parecia real. Era como se na verdade eu fosse acordar e descobrir que foi um engano...

E eu estaria postando isso horas atrás se a minha internet não tivesse passado o dia todo fora do ar...


Sexta feira mandei um email para o titio Marco Antônio pedindo para ganhar um ingresso para o show de aniversário da Kiss FM. Não estava exatamente num bom dia. Afinal, o Marlon ia viajar para Garça, para o Festival da florada da cerejeira, e eu não pude ir. Pois ele estava tomando banho para sair quando o titio falou meu nome (errado, como a maioria dos mortais =P) no ar, junto com os outros nove felizes que ganharam convites. Eu sai saltitando pela casa, e agradeço a paciência da Cássia e das outras vítimas que encontrei no MSN naquele momento, porque eu estava purpurinicamente insuportável de felicidade.


Mesmo quando o email chegou eu ainda mal conseguia acreditar. Era isso mesmo. Eu ia ver Echo and the Bunnymen, Gene loves Jezebel e ainda levar o TSOL e o Nazi de brinde.


Rememorando, eu adoro Echo e Gene loves... eu sou uma das pessoas que beijou alguém desconhecido na pista do Madame Satã ouvindo Lips like sugar... creio ser desnecessário dizer algo além disso... e eu cresci amando Gene loves porque meu pai um dia chegou com uma pilha de vinis e me ensinou “isto aqui é rock and roll”, e além de ter me transformado numa grungezinha obcecada por Blind Melon e Nirvana, numa fã incondicional de Ozzy Ozbourne, ele me ensinou “e isso aqui vem da Inglaterra”, e a luz se fez, e eu descobri que eu podia sofrer os horrores maiores da existência humana e tudo estaria bem se eu tivesse um inglês de cabelo excêntrico me dizendo que tudo ia ficar bem, ou pior ainda... assim sendo, um dia ele me mostrou Gene loves Jezebel, porque achou que tinha a minha cara... e tinha mesmo. Assim sendo, ver essas duas bandas é meio que tudo que eu possos desejar num show em amplos aspectos emocionais...

E meu primeiro show de rock, no dia em que acharam o corpo do Kurt Cobain, foi um show do IRA!, e ver o Nazi é sempre muito bom (sempre me lembro dele dizendo “um minuto de barulho por Kurt Cobain!”).


Voltando da digressão, eu tinha um email dizendo que era verdade, mas mesmo na terça feira, subindo o elevador por 15 andares de pânico, enquanto o Agostinho (que eu achei na rua e me acompanhou) ria da minha cara, ainda tinha a sensação de que iam dizer que tudo era um engano. Preciso dizer que a entrada da Kiss é tudo de bom, muito simpático aquele hall. Incrível imaginar que a rádio que eu escuto todo dia quase tem um espaço físico real, fora do espaço virtual das ondas fm. Tá, eu sei, é idiota. Mas as coisas ganham outro contorno quando puxadas para o plano físico...

E lá estava eu tocando a campainha da rádio, para pegar os convites que eu suspeitava não existiam... mas existiam. Eu tinha mesmo ganho, meu nome estava mesmo na lista. Eu sai de lá saltitando. Com direito a saltitos pela calçada da avenida Paulista... literalmente. Eu ia no show!


Corta para quarta feira de manhã, últimos acertos sobre quem ficar com o André, eu avisando na escola que “olha, eu não sei se vou conseguir vir trabalhar amanhã porque vou num show de rock essa noite”, o que deixou a massa de professores efetivamente desconcertada... Me senti muito bem com aquilo... ainda tenho uma atitude rock and roll! hahahahaha


Sai da escola, encontrei o Marlon no shopping para comer um lanche, jogar o número do ingresso na mega sena e pegar o caminho do Via Funchal.


Pegar o caminho do Via Funchal é uma aventura a parte. Cortando caminho, o que nos poupa várias baldeações, é trem até Tamanduatei, ponte Orca até Alto do Ipiranga, metrô até Vila Madalena, ponte Orca até Cidade Universitária, e de lá o trem até a estação Vila Olímpia. Se existe algum outro caminho? Sim, mas vc tem que pegar trem e ônibus, o que demora mais que fazer essa aventura toda. Conheço quem considera que o Via Funchal fica numa filial da Casa do Caralho. Mais dois shows que eu vá lá de condução e eu vou concordar... (esse é meu segundo show lá).


O fato é: acha que eu dou a mínima? Eu só conseguia mentalizar homens com cabeça de colehinho pulando em volta de mim enquanto me espremia no trem lotado até a Vila Olímpia.


Chegando lá, uma fila de 20 pessoas nos matou de surpresa. De repente a gente se deu conta que era quarta feira e a maioria das pessoas não sai do trabalho as três da tarde como eu... no show do Motorhead, que foi em um sábado, a fila começava dois quarteirões antes... assim como em todos os shows em que eu tinha ido até ontem...


Entramos, e colamos na grade. Para muita gente ali pareceria algo desnecessário. Porque o lugar estava vazio quando abriram os portões. As pessoas iam chegando devagar, mas constantemente.

E foi colada ali na grade que vi o show ser aberto pelo pessoal da rádio.


Nazi é o cara certo para abrir um show, principalmente um onde o público ainda não está confiante porque a casa ainda está meio vazia. Ele tem uma presença de palco cativante e energética, e sabe como fazer as pessoas entrarem no clima. De todos os shows nacionais que já vi, a única banda que tinha a mesma característica tinha outra vibe: o Ultraje a rigor. O Nazi consegue ter o público na palma da mão, e, principal para mim em um show, existe uma clara sensação de que a banda está se divertindo ainda mais que nós. Eles riam, eles brincavam entre si, o Nazi fazia aquele truque com o microfone de ficar girando ele no ar e pegar com a outra mão, que é besta mas visualmente muito estiloso. Uma seleção de músicas ótima. Valeu por ouvir músicas ancestrais do rock brasileiro em versões bacanas, e por ver que, não importa o que aconteça, o Nazi ainda é O cara em palco.


Quando olhei para trás me surpreendi em como tinha chegado mais gente durante o show dele. No intervalo antes do show do TSOL, já fazia bastante sentido estar colada ali para ver o show.


TSOL aliás, foi uma incrível surpresa. Porque eu não conseguia identificar a banda até eles começarem a tocar e eu me ligar que a idiota aqui conhece um mundo de músicas do TSOL; mas quem disse que eu me lembrava do nome da banda? Assumo nesse momento que não sou uma super heroína e não consigo lembrar metade dos nomes de bandas que eu gosto... o jeito é aproveitar que meu pai descobriu o you tube e fuçar nos vídeos favoritos do orkut dele... De todo modo, foi um show muito bom. Eles criam empatia com o público, e a galera que estava assistindo ficou bem motivada. Continuou o clima de empolgação crescente que o Nazi começou, e mesmo quem tinha ido lá para curtir outras bandas, como eu, pode ter diversão genuina com o show do TSOL.


Vale deixar em primeiro plano que foi o máximo antes do show o vocal dos caras ajeitando o microfone na maior naturalidade ao invés de mandar um roadie fazer isso. É legal ver esses pontos de humanidade numa banda...


Gene loves Jezebel foi algo além. Foi catártico. Foi mágico. É difícil falar porque foi muito bom. E deu para ver como os olhos do vocal são lindos... foi como se reencontrar com coisas minhas que estavam guardadas a muito tempo. O som é muito bom, a presença de palco de todos é intensa, e eles também parecer sentir prazer no que fazem. Aliás, “prazer” é um perfeito signo do que significa um show deles, porque a coisa é toda nesse sentido. É sensual e corporal. Preciso fazer uma anotação para a camiseta que ele estava usando, que era linda, e a bandeira do Brasil pendurada na cintura. Era muito contagiante e a vibe era muito intensa. A banda anima qualquer público (que a essa altura o Via Funchal já estava lotado), e o Aston faz sexo com o público. O show chegou ao fim e eu pensei que se fosse para morrer naquele instante eu morreria feliz e realizada... o show durou até praticamente mandarem eles parar, e mesmo assim eles esticaram o que puderam.


O intervalo mais longo entre os shows foi entre o GLJ e o Echo. A cada intervalo dos shows, os locutores subiam no palco e distribuiam camisetas... E foi nesse intervalo que consegui uma...ou melhor, o Marlon pegou uma para mim. Preciso dizer que a camisa é linda, manga longa, super bem feita. Muita camiseta promocional parece que vai desmanchar na primeira vez que se usa, mas essa parece mais resistente... vamos ver como se sai daqui uns meses =).


E começaram a ajeitar o palco do Echo. Poe ventilador, poe toalha, liga uma dúzia de pedais para cada guitarra. Eu acho muito válido isso. Pode parecer frescura para quem nunca cozinhou debaixo de um refletor de palco pedir por toalhas ou ventilador, mas eu apoio totalmente.


O show começou lá pela meia noite. E foi um show lindo. Muito intenso, muito gostoso. A banda tem uma força sonora ótima, e personalidade. Foi divertido ver o Ian colocando o povo da imprensa para fora, porque no começo de cada show era um saco, ficavam dúzias de fotografos no pé do palco fotografando, o maior saco. Ele mandou os caras cairem fora, para alegria de quem estava na grade querendo ver o show em paz. O show foi bem longo e teve dois bis, então deu para curtir bem. Foi bacana ver como o público estava fascinado pelo som, e apesar do ar blasé dos caras, foi bacaníssimo. Eu não dou a mínima para estrelismos (o atraso do show foi causado pela ausência de um secador de cabelos...), e me diverti demais. Me deixa muito feliz ir a um show que ue curto do inícoo ao fim como foi esse.


E o fim do show não foi o fim da aventura. Estavamos sentados na porta do Via Funchal, vendo as barraquinhas irem embora e a casa fechando, porque iamos esperar os trens voltarem a correr para ir embora. Estavam dez pessoas lá sentadinhas. Os taxistas estavam meio indignados com aquilo, eles parados do outro lado da rua e a gente esperando o trem. Um dos taxistas começou a perguntar de onde a gente era e descobrimes que, curiosamente, todos eram o ABC, três de são caetano, um de santo andré, e cinco de mauá! (e não conheciamos os outros três mauaenses). Então ele fez a proposta: dez reais por cabeça e todo mundo voltava para casa de Doblô. Topamos, claro, porque entre ficar até quatro e meia parados lá e três da matina estar em um carro quentinho rumando para casa não tem comparação. Então voltei para casa de táxi, ainda meio apaxionada por tudo que tinha visto, e curtindo muito a sensação de que valeu a pena.


E assim terminou a lua do louco... voltando para casa olhando a noite rodando pela rua, enquanto minha mente viajava nas músicas e nas imagens daquelas bandas.


luanabailarina wrote on Jul 6
Aiiiiiiiiiii qui lindo moça!!!

PArabéns pelo presente que ganhou!!!

Adorei mesmo estando de fora... rsrsrs
itbarreto wrote on Jul 7
Eu quero um louco assiiiiiiiiim!!!!!
nerval wrote on Jul 7
"jogar os números do ingresso na mega sena" é boa...! :D

ir a um show ver ao vivo as bandas que a gente gosta tocando aqueles sons que fazem a trilha sonora da nossa vida, não tem preço...! estar ali no meio cantando a plenos pulmões um refrão junto com 3, 4 ou 30 mil pessoas é simplemsente indescritível!
filhotedelua wrote on Jul 7
Foi O Louco, inês...
Loulou, Gene loves Jezebel é sua cara...

E Nerval, quando a gente ganha um lance assim, tem que se arriscar né...rs
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