
Ando de cabeça pesada. Efeitos do Papa. Estou sobrecarregada e um pouco de saco cheio do mundo. Sei lá. Além de uma sensação esquisita de solidão, que é, para dizer o mínimo, incomum.
Estou matando tempo. Me distraindo um pouco da monografia. Do curso (essa semana toda estou fazendo um curso muito bom de Prevenção do Uso Abusivo de Drogas. algumas pessoas considerariam irônico... eu acho natural...rs). Vou ter um troço se continuar nesse nível de academismo todo o tempo.
Então, nesse momento estou junto com o Helder (via MSN) tentando desvendar a senha no laptop do Sammy. Ok, ele só aceita que o irmão chame ele assim. Mas eu me permito essa liberdade. É um saco porque não devia ser tão difícil. São 6 letras.
Supernatural é a minha série preferida no momento. Eu a-d-o-r-o folclore urbano, contos de fantasmas, e essas coisas. Eu coleciono esse tipo de história. Eu acho que por ter passado uma boa parte da vida morando em lugares "assombrados", por ter crescido escutando minha bisavó e minhas avós contando histórias, e por ter estudado em uma escola com pelo menos 6 fantasmas diferentes (e depois trabalhado nela), um dos prédios que me fizeram acreditar realmente que edifícios tem espíritos (meu pai usa o termo deva... ele define que é uma consciência que um lugar ganha através das pessoas que vivem ou sentem com intensidade no lugar). Sei lá.
Não sou do tipo que acredita que a Xuxa e o Roberto Carlos fizeram pactos com o demo. Mas é divertido. Coletar histórias, traçar suas origens. Separar a viagem total do que faz sentido. E com isso, as pessoas acabam me contando histórias. Algumas me deixam arrepiada, mas sempre fico com um sorriso, um deleite em encontrar esses "causos", que são fantásticos.
Nessas, fica a história do parente distante que fez um pacto e era perseguido por gansos invisíveis, o fantasma da moça que veio pedir ajuda ao pai porque não encontrava o caminho pro outro mundo, o fantasma do senhor japonês que morreu no Japão e que fica sentado na poltrona da sala da casa que ele construiu mas não pode usufruir, aqui em São Paulo, e só divide o espaço pacificamente com os vivos... ou o cachorro invisível quebrando o mato por onde passava, os poltergeists numa chácara do interior.
O fato é que quando eu conheci o seriado, que é basicamente sobre isso, adcionando demônios (talvez porque não acredito neles, são meus monstros do mal preferidos), e dois atores muito charmosos, em um carro que é um desbunde, um Impala 1967.

Fazia tempo que ums eriado não me pegava assim. Diversão garantida, sem precisar nada. E em alguns episódios, me dando a chance de brincar com medos antigos. Espelhos, palhaços, maldições, vão se enfileirando e adcionando ao meu catálogo de contos fantásticos uns bons personagens e seres.
Como resultado, voltei a narrar RPG. Um grupo onde o cara mais novo tem 22 anos, o que permite uma aventura adulta e uma maneira de encarar nossa brincadeira que é divertida sem ser babaca. O Helder é um padre que trabalhou no Vaticano, professor de línguas antigas e agora quase forçado a se tornar caçador do sobrenatural. O Vlá, é um ex-padre, excomungado por uma armação de um bispo que ele descobriu ser um vampiro. O personagem dele está sendo muito gostoso de construir, porque sendo católico e italiano, e não tendo mais que obedecer a igreja, ele está descobrindo a magia popular italiana, então temos um personagem que usa amuletos de proteção e faz benzimentos. A Paty é uma sensitiva, que trabalha com leitura de cartas e se vê abandonada p elo guardião espiritual que a acompanhava e que agora ela procura. O James é um ex policial que abandou tudo quando a irmã foi assassinada por um ente sobrenatural e ele descobriu que podia falar com os mortos. O Dú é um cozinheiro que encontrou o baú de coisas do avô que era pesquisador do sobrenatural. O personagem começou ateu e cético, mas está começando a rever suas crenças depois de alguns poltergeists e um cadáver inexplicável de um gárgula. O Koshari, como coiote safado que é, é filho de um caçador de fantasmas e parapsicólogo, e o sobrenome dele é Venkman (não lembro se é assim que escreve).
Com referências a magia popular, cthulhu, arte barroca, neil gaiman, simbologia, folclore urbano e rural, e citações ao seriado, estou construindo um dos jogos que mais gostei de mestrar até hoje.
No momento, os personagens estão em uma igreja barroca recém descoberta por arqueologistas, ressacralizando o lugar porque encontraram um subterrâneo a partir da cripta onde demônios e fantasmas estão fazendo moradia...
Descobri que a senha está no DVD da série. Tudo bem. Eu já queria alugar para rever mesmo...