Entre Pedras da Lua e Pâmpanos

Blog Entrysweet dreams and memoriesNov 11, '07 8:31 PM
for everyone

    Existe um momento de prazer indizível quando você está dançando e percebe que sua mente já não tem o menor domínio sobre seu corpo. Que seu corpo dança porque foi feito para isso, e sua mente divaga em outras paragens, e nada no mundo existe além da pista, e em pouco tempo, nem a pista existe, é como se fosse a única pessoa no mundo. Como se só existisse eu e a música.

Essa madrugada que passou tive um bocado disso. Passei a maior parte desse meu retorno para a noite na pista, tirando o tempo que parei para dizer um oi para o Lord A e a Ágatha, ou conversando com uma ou outra pessoa, tomando uma soda ou fumando enquanto esperava o joelho parar de latejar.

Foi bom. Foi estranho em certos pontos. Estar sozinha na balada te dá uma percepção diferente dela. É como se eu meio que flutuasse pelos acontecimentos. Fazia tempo que não me sentia tão em casa, usando as roupas que eu realmente gosto, no meio de pessoas com quem, nem por segundos, eu me importo o que pensam de mim. E Gaia sabe como é difícil para mim não enxergar o tempo todo que estou fazendo algo errado e as pessoas estão me reprovando por isso. Doentio, eu sei. Mas quando vou para uma balada gótica, eu não me sinto assim. Porque lá eu só tenho um objetivo, dançar. Ouvir a música, conhecer sons diferentes, me deixar levar pelas escolhas do DJ. E olhar em volta e ver pessoas que de algum modo são familiares, ligadas a mim por algo tão intenso e tão minimal quanto roupas e música. Pessoas que só vou ver na pista, na balada, e ali, eu não sou só eu, eu sou algo mais. Ali as pessoas me acham bonita, ali eu tenho um olhar mais ferino, e tenho um movimento que não tenho em outro lugar. Em casa, três da manhã estou capotando. Lá, eu vou até as seis sem me preocupar.

Foi diferente do que eu esperava, mas foi muito bom. Depois de dois anos e sete meses, de volta. Honrando Dionísio do único jeito que sei. Deixando a dança do Louco  me ocupar. Deixando o mundo girar sem mim, que flutuo deliciada ainda que solitária, no escuro da pista e nos flashs estroboscópicos.

larrubia wrote on Nov 12, '07
nossa sarah, eu to lendo seu post e pensando: como é que ela sabe como eu me sinto na mesma situação?
filhotedelua wrote on Nov 12, '07
=)
dancarinalua wrote on Nov 12, '07
"Fazia tempo que não me sentia tão em casa, usando as roupas que eu realmente gosto, no meio de pessoas com quem, nem por segundos, eu me importo o que pensam de mim. " Foi exatamente isso q eu quis dizer no post do AnimES.São locais ou situações em q podemos soltar uma selvageria, ou sei lá o q . Mas o q percebi em mim foi o querer ser assim o TEMPO TODO. E venho me perguntado: pq não?

ADOREI! Se tiraram fotos eu quero ver heim?rs

Bjos...tenho pensando muito em vc!
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