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Posted by Sarah on Jul 4, '08 5:56 PM for everyone
Para quem não se interessa pelos detalhes, sexta passada eu ganhei um par de convites para vero show de aniversário da Kiss. Nazi, TSOL, Gene loves Jezebel e Echo and the Bunnymen.
Foi o máximo. Passei a quarta  noite lembrando que yesss, nós somos rock and roll. Foi uma noite para fechar a lunação do Louco com chave de ouro. Para mim, o Louco tem muito de show de rock, da entrega, da catarse, da sensibilidade e da sensualidade que existe nos shows.

Foi um show maravilhoso e amo Gene loves amo amo amo. E amo amo amo Echo. Mas cara, eu fiquei a poucos passos dos caras das bandas e ontem só consegui levantar uma e meia da tarde, passei o dia na cama porque estirei o músculo da coxa, aliás, isso acontece quase toda vez que vou em um show bom.  Definitivamente  eu não vou envelhecer como  o Keith Richards...

Eu sei que as pessoas sempre pensam em andar descalço, ir para a praia e andar no mato para recarregar as baterias e entrar em contato com o mundo, mas para mim, pular feito louca por quatro horas,   cantando junto e sentindo o vibe da música é como mergulhar no mar... estou recarregada e feliz. Encarnei o Louco, me joguei.
Pronta para começar  meu semestre de Imperador, e prontíssima para começar essa lunação acompanhada por ninguém mais perfeito para falar disso que a Temperança...




Posted by Sarah on Jul 4, '08 5:40 PM for everyone

Não tinha escrito sobre isso aindas porque não parecia real. Era como se na verdade eu fosse acordar e descobrir que foi um engano...

E eu estaria postando isso horas atrás se a minha internet não tivesse passado o dia todo fora do ar...


Sexta feira mandei um email para o titio Marco Antônio pedindo para ganhar um ingresso para o show de aniversário da Kiss FM. Não estava exatamente num bom dia. Afinal, o Marlon ia viajar para Garça, para o Festival da florada da cerejeira, e eu não pude ir. Pois ele estava tomando banho para sair quando o titio falou meu nome (errado, como a maioria dos mortais =P) no ar, junto com os outros nove felizes que ganharam convites. Eu sai saltitando pela casa, e agradeço a paciência da Cássia e das outras vítimas que encontrei no MSN naquele momento, porque eu estava purpurinicamente insuportável de felicidade.


Mesmo quando o email chegou eu ainda mal conseguia acreditar. Era isso mesmo. Eu ia ver Echo and the Bunnymen, Gene loves Jezebel e ainda levar o TSOL e o Nazi de brinde.


Rememorando, eu adoro Echo e Gene loves... eu sou uma das pessoas que beijou alguém desconhecido na pista do Madame Satã ouvindo Lips like sugar... creio ser desnecessário dizer algo além disso... e eu cresci amando Gene loves porque meu pai um dia chegou com uma pilha de vinis e me ensinou “isto aqui é rock and roll”, e além de ter me transformado numa grungezinha obcecada por Blind Melon e Nirvana, numa fã incondicional de Ozzy Ozbourne, ele me ensinou “e isso aqui vem da Inglaterra”, e a luz se fez, e eu descobri que eu podia sofrer os horrores maiores da existência humana e tudo estaria bem se eu tivesse um inglês de cabelo excêntrico me dizendo que tudo ia ficar bem, ou pior ainda... assim sendo, um dia ele me mostrou Gene loves Jezebel, porque achou que tinha a minha cara... e tinha mesmo. Assim sendo, ver essas duas bandas é meio que tudo que eu possos desejar num show em amplos aspectos emocionais...

E meu primeiro show de rock, no dia em que acharam o corpo do Kurt Cobain, foi um show do IRA!, e ver o Nazi é sempre muito bom (sempre me lembro dele dizendo “um minuto de barulho por Kurt Cobain!”).


Voltando da digressão, eu tinha um email dizendo que era verdade, mas mesmo na terça feira, subindo o elevador por 15 andares de pânico, enquanto o Agostinho (que eu achei na rua e me acompanhou) ria da minha cara, ainda tinha a sensação de que iam dizer que tudo era um engano. Preciso dizer que a entrada da Kiss é tudo de bom, muito simpático aquele hall. Incrível imaginar que a rádio que eu escuto todo dia quase tem um espaço físico real, fora do espaço virtual das ondas fm. Tá, eu sei, é idiota. Mas as coisas ganham outro contorno quando puxadas para o plano físico...

E lá estava eu tocando a campainha da rádio, para pegar os convites que eu suspeitava não existiam... mas existiam. Eu tinha mesmo ganho, meu nome estava mesmo na lista. Eu sai de lá saltitando. Com direito a saltitos pela calçada da avenida Paulista... literalmente. Eu ia no show!


Corta para quarta feira de manhã, últimos acertos sobre quem ficar com o André, eu avisando na escola que “olha, eu não sei se vou conseguir vir trabalhar amanhã porque vou num show de rock essa noite”, o que deixou a massa de professores efetivamente desconcertada... Me senti muito bem com aquilo... ainda tenho uma atitude rock and roll! hahahahaha


Sai da escola, encontrei o Marlon no shopping para comer um lanche, jogar o número do ingresso na mega sena e pegar o caminho do Via Funchal.


Pegar o caminho do Via Funchal é uma aventura a parte. Cortando caminho, o que nos poupa várias baldeações, é trem até Tamanduatei, ponte Orca até Alto do Ipiranga, metrô até Vila Madalena, ponte Orca até Cidade Universitária, e de lá o trem até a estação Vila Olímpia. Se existe algum outro caminho? Sim, mas vc tem que pegar trem e ônibus, o que demora mais que fazer essa aventura toda. Conheço quem considera que o Via Funchal fica numa filial da Casa do Caralho. Mais dois shows que eu vá lá de condução e eu vou concordar... (esse é meu segundo show lá).


O fato é: acha que eu dou a mínima? Eu só conseguia mentalizar homens com cabeça de colehinho pulando em volta de mim enquanto me espremia no trem lotado até a Vila Olímpia.


Chegando lá, uma fila de 20 pessoas nos matou de surpresa. De repente a gente se deu conta que era quarta feira e a maioria das pessoas não sai do trabalho as três da tarde como eu... no show do Motorhead, que foi em um sábado, a fila começava dois quarteirões antes... assim como em todos os shows em que eu tinha ido até ontem...


Entramos, e colamos na grade. Para muita gente ali pareceria algo desnecessário. Porque o lugar estava vazio quando abriram os portões. As pessoas iam chegando devagar, mas constantemente.

E foi colada ali na grade que vi o show ser aberto pelo pessoal da rádio.


Nazi é o cara certo para abrir um show, principalmente um onde o público ainda não está confiante porque a casa ainda está meio vazia. Ele tem uma presença de palco cativante e energética, e sabe como fazer as pessoas entrarem no clima. De todos os shows nacionais que já vi, a única banda que tinha a mesma característica tinha outra vibe: o Ultraje a rigor. O Nazi consegue ter o público na palma da mão, e, principal para mim em um show, existe uma clara sensação de que a banda está se divertindo ainda mais que nós. Eles riam, eles brincavam entre si, o Nazi fazia aquele truque com o microfone de ficar girando ele no ar e pegar com a outra mão, que é besta mas visualmente muito estiloso. Uma seleção de músicas ótima. Valeu por ouvir músicas ancestrais do rock brasileiro em versões bacanas, e por ver que, não importa o que aconteça, o Nazi ainda é O cara em palco.


Quando olhei para trás me surpreendi em como tinha chegado mais gente durante o show dele. No intervalo antes do show do TSOL, já fazia bastante sentido estar colada ali para ver o show.


TSOL aliás, foi uma incrível surpresa. Porque eu não conseguia identificar a banda até eles começarem a tocar e eu me ligar que a idiota aqui conhece um mundo de músicas do TSOL; mas quem disse que eu me lembrava do nome da banda? Assumo nesse momento que não sou uma super heroína e não consigo lembrar metade dos nomes de bandas que eu gosto... o jeito é aproveitar que meu pai descobriu o you tube e fuçar nos vídeos favoritos do orkut dele... De todo modo, foi um show muito bom. Eles criam empatia com o público, e a galera que estava assistindo ficou bem motivada. Continuou o clima de empolgação crescente que o Nazi começou, e mesmo quem tinha ido lá para curtir outras bandas, como eu, pode ter diversão genuina com o show do TSOL.


Vale deixar em primeiro plano que foi o máximo antes do show o vocal dos caras ajeitando o microfone na maior naturalidade ao invés de mandar um roadie fazer isso. É legal ver esses pontos de humanidade numa banda...


Gene loves Jezebel foi algo além. Foi catártico. Foi mágico. É difícil falar porque foi muito bom. E deu para ver como os olhos do vocal são lindos... foi como se reencontrar com coisas minhas que estavam guardadas a muito tempo. O som é muito bom, a presença de palco de todos é intensa, e eles também parecer sentir prazer no que fazem. Aliás, “prazer” é um perfeito signo do que significa um show deles, porque a coisa é toda nesse sentido. É sensual e corporal. Preciso fazer uma anotação para a camiseta que ele estava usando, que era linda, e a bandeira do Brasil pendurada na cintura. Era muito contagiante e a vibe era muito intensa. A banda anima qualquer público (que a essa altura o Via Funchal já estava lotado), e o Aston faz sexo com o público. O show chegou ao fim e eu pensei que se fosse para morrer naquele instante eu morreria feliz e realizada... o show durou até praticamente mandarem eles parar, e mesmo assim eles esticaram o que puderam.


O intervalo mais longo entre os shows foi entre o GLJ e o Echo. A cada intervalo dos shows, os locutores subiam no palco e distribuiam camisetas... E foi nesse intervalo que consegui uma...ou melhor, o Marlon pegou uma para mim. Preciso dizer que a camisa é linda, manga longa, super bem feita. Muita camiseta promocional parece que vai desmanchar na primeira vez que se usa, mas essa parece mais resistente... vamos ver como se sai daqui uns meses =).


E começaram a ajeitar o palco do Echo. Poe ventilador, poe toalha, liga uma dúzia de pedais para cada guitarra. Eu acho muito válido isso. Pode parecer frescura para quem nunca cozinhou debaixo de um refletor de palco pedir por toalhas ou ventilador, mas eu apoio totalmente.


O show começou lá pela meia noite. E foi um show lindo. Muito intenso, muito gostoso. A banda tem uma força sonora ótima, e personalidade. Foi divertido ver o Ian colocando o povo da imprensa para fora, porque no começo de cada show era um saco, ficavam dúzias de fotografos no pé do palco fotografando, o maior saco. Ele mandou os caras cairem fora, para alegria de quem estava na grade querendo ver o show em paz. O show foi bem longo e teve dois bis, então deu para curtir bem. Foi bacana ver como o público estava fascinado pelo som, e apesar do ar blasé dos caras, foi bacaníssimo. Eu não dou a mínima para estrelismos (o atraso do show foi causado pela ausência de um secador de cabelos...), e me diverti demais. Me deixa muito feliz ir a um show que ue curto do inícoo ao fim como foi esse.


E o fim do show não foi o fim da aventura. Estavamos sentados na porta do Via Funchal, vendo as barraquinhas irem embora e a casa fechando, porque iamos esperar os trens voltarem a correr para ir embora. Estavam dez pessoas lá sentadinhas. Os taxistas estavam meio indignados com aquilo, eles parados do outro lado da rua e a gente esperando o trem. Um dos taxistas começou a perguntar de onde a gente era e descobrimes que, curiosamente, todos eram o ABC, três de são caetano, um de santo andré, e cinco de mauá! (e não conheciamos os outros três mauaenses). Então ele fez a proposta: dez reais por cabeça e todo mundo voltava para casa de Doblô. Topamos, claro, porque entre ficar até quatro e meia parados lá e três da matina estar em um carro quentinho rumando para casa não tem comparação. Então voltei para casa de táxi, ainda meio apaxionada por tudo que tinha visto, e curtindo muito a sensação de que valeu a pena.


E assim terminou a lua do louco... voltando para casa olhando a noite rodando pela rua, enquanto minha mente viajava nas músicas e nas imagens daquelas bandas.


Posted by Sarah on Jun 10, '08 7:03 PM for everyone
POis é. Semana dos namorados. Achei chocha. Ano passado tinha mais corações pelas ruas, cupidos nas vitrines. Esse ano tá tudo meio discreto. Achei esquisito. E passei o ponto, porque comemorei o dia dos namorados já. Em fevereiro.

Eu tenho um motivo simples em comemorar o dia de São Valentim e não de Santo Antônio. Eu nunca fui do tipo casamenteira. Mas durante anos em 12 de junho eu comprei dúzias de presentes e cartões e distribui com votos de amor aos meus amigos.

Não, não, isso não é o motivo, lembrei disso agora. É que minha memória é MUITO ruim. E em fevereiro, todas as coisas que leio na net, de scrapbook e blogs de designers e artistas e tarólogas, então falando disso. Assumo que me movimento muito pouco na blogosfera de língua portuguesa. Então, em fevereiro eu sou lembrada constantemente. Eu sei que o dia está chegando, e sei que preciso fazer algo a respeito...hahahahah

Se eu sou estranha? Eu presenteio meu pai na quarta feira aleatória mais próxima ao dia dos pais. Só para lembrar a ele que me lembro dele todo dia, até nas quartas feiras. Então, ok, eu sou estranha. Efemérides são estranhas.

 
Esse ano, imprime uns seis cartões, e espalhei pela casa. No monitor, na porta, no guarda roupa,  dentro da geladeira. Por tudo que eu sabia que ele ia passar os olhos durante o dia. Afinal, eu ia pro trabalho, ele ia ficar sozinho. E a noite abri um vinho. E ele sorriu e agradeceu e foi mó legal.


Assumo. Eu queria o cachorro de pelúcia rosa choque. Mas tbm queria a cobra de pelúcia rosa choque dois meses atrás. E bom, pelúcia, sendo ou não rosa choque, é tudo de bom. 365 dias por ano, 366 a cada 4 anos.

Mas não é meu foco. Tipo, não espero ganhar nenhum presente. Talvez daqui um mês ele me dê um cartão. Porque é quarta feira.

Mas o catso do dia dos namorados, mesmo esse ano sendo bem micho, está aí. E eu sempre amei a data. Mesmo sem namorado. Adorava. Saia para beber. Fazia noite do chocolate quente. Me dedicava a fazer meus amigos se sentirem bem. E sempre isso me deixou feliz.

E não é presente o assunto. É essa sensação de curtir alguém sem se preocupar com o amanhã, o horóscopo e encontrando sincronicidades bestas que justifiquem ficar juntos por mais um trago do cigarro, mais um copo de licor. É esse saber que a noite pode terminar numa cama quente ou abraçados e silenciosos no gelado do vento das ruas, e que só o que vale é estar junto, foda-se o que se está fazendo. É saber que aquela noite vai ser a melhor da sua vida - até a próxima melhor noite, que virá, e sempre mais breve do que se imagina.

É isso aí, folks. Alll we need is love. E isso não tem nada a ver com namorados. É uma questão de sensação...


Posted by Sarah on May 29, '08 9:02 AM for everyone
Quando o sol se afasta eu me sinto bem. Sou um bicho do vento frio e o inverno me faz sentir viva. Para mim, janeiro é o pior dos meses. O calor sufocante me deprime absolutamente.

O céu no outono tem a cor mais bonita da minha caixa de aquarelas. Ainda assim, este outono me pegou um tantinho melancólica.  No comecinho do mês tive um sonho maluco onde eu era exilada política em Londres. No sonho minha vida estava virada em 180º .  Eu não trabalhava, a pessoa que morava comigo  e eu estavamos começando a ensaiar  um relacionamento.  O Ragabash tinha me abandonado e morava com o Beija Flor em Portugal casado com uma amiga minha. É engraçado porque o sonho começava um pesadelo extremamene claustrofóbico - já que eu cinematográficamente chegava na europa escondida no compartimento de bagagens do avião. E daí seguia uma sequência meio an passant de eu e meu advogado (exilado comigo) fugindo de um país para outro até chegar em Londres e eu ir morar em Nothing Hill. E foi um sonho simpático, porque a persona do sonho (nunca penso no meu eu do sonhos como eu mesma)  era uma pessoa que tinha uma serenidade em enfrentar as  coisas da vida admirável.

No sonho, era final do outono, e as folhas do olmo na porta da casinha faziam crec crec quando passava por cima delas.  E num momento ela fazia um balanço enquanto tomavam chá, sobre como no final das contas, tudo tinha acabado fazendo com que os sonhos deles se realizassem - e mesmo ela tendo mil problemas para viver, ela levava tudo com muita graciosidade.

Acordei do sonho para outra claustrofobia, a minha cotidiana,  sem saco para interpretações metafísicas, focada no que o sonho tinha de calmante. As vezes eu tenho sonhos que são doces de açucar que meu sérebro dá para si mesmo. Acho que alguns mereciam virar filme... filmes bem pipoca mesmo, blockbuster. Sem preocupação nenhuma além do divertido.

O céu azul clarinho me obriga a sair para trabalhar.  O ar é seco e eu me sinto fisicamente bem. Espero que antes do inverno chegar, eu consiga  fazer minha mente entrar em sintonia com meu corpo...



Posted by Sarah on May 6, '08 8:11 AM for everyone
As vezes amanhece o dia e meus sonhos e devaneios me fazem desejar ter dois corações, duas vidas, dois corpos. Porque sou pequena demais para que me habite todo amor, toda gratidão, todo desejo de cura e complementação que habita em mim. Então, eu quase explodo, porque sou tão pequena e tão só.

As vezes sonho com você, as vezes sonho com outro alguém. E meu coração descansa no ninho que escolheu para habitar, mas quase morre de pena por não poder ser dois e voar para essas janelas tão amadas, de não poder ser três para guardar cada um e ainda assim poder dormir em paz.

Meu amor é feito de abismos e montanhas, e me dói não poder ser inteira o penhasco para tantas amadas andorinhas.

Eu queria que meu coração fosse uma revoada de pardais, que passassem desabercebidos guardando quem vale a pena, e bicassem o destino toda vez que se aproximasse de cara feia.

Eu queria ser só colo e seios e regaço, nessas horas, para embalar em mim cada um até que todos estivessem bem.

E queria ter mais pernas que uma divindade hindu, para saber que todos teriam onde descansar quando o dia viesse.



Posted by Sarah on Apr 21, '08 1:05 AM for everyone
bebel gilberto

Bem tanta coisa é tão escondida
Que você não quer nem mais lembrar
Quem sabe talvez só você queira
Tanto tanto esconder

Tudo vai terminar
Tudo era um tormento
Deixa isso tudo passar
Vem viver este momento
dos momentos

Agora não tem mais
não tem mais nada que eu possa alcançar
Só dentro do meu peito
Eu quase paro
Eu não paro de me atormentar

Mas deixe isso tudo pra lá
Tudo era um momento
Deixe isso tudo lavar
Vem viver este momento
dos momentos
ah sim guarda
para sempre sempre sim
guarda
dos momentos

Tudo vai terminar
Tudo era um momento
Deixe isso tudo pra lá
Vem viver este momentos
dos momentos

Tem que reciclar
Deixe isso tudo pra lá 

Posted by Sarah on Apr 20, '08 8:14 PM for everyone

Egito é a pátria da minha infância, onde mora a menina louca de cabelos curtinhos, enfiada em livros que mal conseguia manusear, de tão pequena, e fazendo arqueologia de quintal na chácara do avô, encantada com colheres do exército e esferas que são restos da fabricação de cerâmica, cacos de louça manuseados cuidadosamente e limpos por pincel, catalogados em caderninhos encadernados pelo outro avô, com o nome escrito em letras douradas na capa, assistindo Indiana Jones obsessivamente e lendo, letra por letra, a coleção Sherlock Holmes.

Eu aprendi a ler em livros de Egiptologia. Eu amava todas as culturas antigas, mas o Egito, ah, o Egito eu amava mais. O Egito tinha escaravelhos, tinha pirâmides e tinha lendas mais bonitas. Eu desejava ardentemente que se eu morresse, me fosse permitido acompanhar a barca de Rá nos céus... Eu aprendia lendas e características culturais, eu sonhava com desertos e hieróglifos, e falava da Pedra de Roseta como quem fala na Bíblia. Eu sonhava um dia ser como Champollion e Howard Carter, meus dois maiores inspiradores, os dois homens que cresci querendo ser como eles.

Howard Carter, doente demais, nunca terminou a escola. Mas quando conheceu o Egito, ainda adolescente, sua vida se transformou. Fez o curso de desenho para ir trabalhar nas escavações, e teve uma vida que pode ter sido difícil, mas que sempre foi fixada, antes de tudo, no que considerava correto. Howard Carter criou muitas coisas que hoje fazem parte da estrutura básica numa escavação. Nunca recebeu o título de Sir, por puro preconceito da nobreza inglesa.

Champollion foi desenganado pelos médicos quando criança. E disse aos pais que sobreviveria para decifrar os hieroglifos. Dedicou a vida a isso. E como o governo inglês não o deixava chegar perto da Pedra, trabalhou com uma cópia, uma transcrição dos símbolos. Desvendou a língua egípcia sem nunca ter ido ao Egito. Quando pela primeira vez foi para lá, com uma bolsa do governo francês, ele chorava, enquanto andava pelas ruínas, lendo cada palavra escrita nas paredes, pela primeira vez imerso naquele que era seu verdadeiro mundo.

Eu tinha o que, cinco anos, quando isso começou? Acho que até menos. Lembro que não sabia manusear os livros como devia e vivia me cortando na borda das páginas (tenho pavor de corte com papel). E que as letras foram fazendo sentido na minha frente, conforme me esforçava para saber o que dizia as legendas das figuras. Lembro que os livros eram enormes, pesados, e hoje me surpreendo pegando a coleção quase inteira de uma vez.

Quando eu entrei na escola, me chocava ver que minha vivência não era a mesma das outras crianças. Como alguém podia viver sem Egito? Sem pirâmides, múmias, faraós? Eu assinava cadernos de lembrança das meninas com um trecho bonito do Livro dos Mortos. E pacientemente, explicava para quem queria saber mais sobre o Egito porque eu me fascinava.
O deserto sempre foi hipnótico para mim. Falar que não existe vida no deserto era me chamar pra briga e ser acossado por uma dúzia de nomes de animais desérticos, plantas, regime de chuvas do Saara, e coisas do gênero. Eu era insuportável, eu acho.

Melancólica, sim, mas feliz. Nessa época eu tinha como objetivo de vida crescer e me tornar alquimista, e a sabedoria que eu via nas estelas de pedra me comovia. Eu fui feliz até os 8 anos de idade, muito feliz. E eu tinha o Egito em mim. Quem precisava de mais do que isso?

Foi aos 8 que ganhei de presente uma imagem de Hermes e descobri a Grécia. E desde o começo, a Grécia foi outra trip. Não era cultura, ciência, história, era arte e mitologia. Mas a Grécia veio com o fim da inocência, o fim do tempo em que eu acreditava num futuro glorioso. A Grécia foi pé no chão.

O Egito foi cabeça nas nuvens. Quando eu fui pela primeira vez fazer uma mentalização, uma visualização, um sei lá o que, que me voltei para minha mente, foi absolutamente natural que eu visse meu templo interior como um imenso deserto cor de rosa, de sol eternamente poente. O Egito foi sonho, divagação, o Egito me ensinou a olhar o mundo e ver de verdade.

Quando as exposições do Egito vieram para o Brasil, eu tremia de emoção. Já tinha visto objetos egípcios em uma exposição aqui, outra ali, mas nunca uma mostra assim. E eu tremia enquanto apontava as peças, ora reconhecendo um hieroglifo, ora comentando um uso de objeto. Fiquei frente a frente com um estojo de escriba, e chorei. Olhava a minha volta e via os séculos que me espreitavam, que me diziam "Admira e observa", e eu via ali mais do que pedra e madeira e papiro e metal, eu via as mãos que fizeram aquelas peças, a devoção que erigiu a estela, a oração feita diante da imagem.

Quando entramos na FAAP minha mãe agarrou meu braço, ela também trêmula, e disse "Milênios nos observam aqui dentro" e eu fiz que sim com a cabeça, porque não falava. Tanto no MASP como na FAAP, passei o dia inteiro. Vi e revi a mostra, andei entre as peças, reli os textos, votei para as coisas que me chamavam atenção.

Até hoje me comovo em lembrar da sensação de estar ali, imersa na minha primeira paixão, mergulhada até os ossos na memória de um deserto que eu nunca conheci e amo como se fosse meu.

Talvez um dia eu visite o Museu do Cairo. Enfie os pés na areia do deserto, veja o sol queimar  a pele. Talvez não. E talvez um dia eu tenha o prazer de a convite de alguém, sair do meu cantinho fresco no outro mundo e passar um dia balançando os pés na proa do barco de Rá. 

Posted by Sarah on Apr 14, '08 6:34 PM for everyone
Fica o convite para quem quiser entrar e ainda não fez isso... 

Eu criei no multiply um Grupo de Criatividade. Um epsaço para mutuamente nos desafiarmos a ser mais criativos, libertar nosso lado "artístico", colocar a mente para funcionar.

Existem várias propostas que vão servir como base para o GC, então, aqui vai:

ATC

Um ATC (Artist Trading Card) é uma obra de arte em miniatura, uma amostra de arte que cabe no seu bolso. Seu nome vem do fato de que artistas costumam trocar os cartões entre si. Pode ser feito com qualquer técnica, qualquer tema, só tem uma regra, o tamanho.
A medida padrão é de 2.5"x3.5", ou 64 x 89 mm. Isso é o tamanho de um card colecionável, ou de uma carta de baralho padrão.

Os desafios de ATC funcionam assim: é dado um tema e uma data limite para "entrega" dos ATCs. No momento, temos um desafio de ATC com o tema Deuses Gregos, onde sortearemos um Deus por mês para produzir imagens.


Art Journal

Art Journal, Diário de Arte, ou Livro de Artista, é um caderno/livro/bloco que serve como suporte para sua manifestação artística. Ele pode ter um tema ou não, e pode usar qualquer técnica que o papel suporte.

No momento, começamos um desafio de Book of Me. Um art journal onde o tema é bem simples: Você. 


Discussão de produção

Escreveu um poema? Fez um desenho? Colocou um vídeo no You Tube? Seja lá o ue ofr que vc produziu, ponha na roda e vamos discutir o que achamos daquilo. Crítica construtiva e análise profunda do trabalho, para melhorar a cada dia.


Discussão de textos

Achou um texto bacana sobre criação? Um trecho do Carats ao jovem poeta? Um vídeo ensinando uma técnica para ser usada em art journal? Um desafio bacana de ATC em um site? Uma charge divertida? Poste no GC e vamos dialogar em cima.



E sempre que for possível, irmos juntos a exposições e eventos culturais



Interessado?

http://grupodecriatividade.multiply.com/

Posted by Sarah on Mar 22, '08 3:09 AM for everyone
são quatro da manhã. Cheguei em casa antes do meu desejo, largando o cigarro na casa da Inês. Ato falho, pensei comigo, eu realmente não queria ir embora. Desvantagens de viver em clã - temos responsabilidades que as vezes incluem ficar na festa só até duas da manhã.

cheguei a tempo de dar um banho no Beija Flor, e por ele na cama, porque com a avó a a tia cuidando dele era impossível achar que iam por o menino na cama. Pelo contrário, cheguei e encontrei as duas dando chantilly para ele comer. -suspiro, rs-

é difícil ficar dentro de casa, porque ainda estou eufórica e o ar da noite me convida para dançar com ele. ao mesmo tempo, estou exausta, uma exaustão muito física, que me impele para a cama.

Eu estou infinitamente feliz, infinitamente me sentindo em casa. não aqui, neste espaço físico que só é minha casa porque meus queridos estão aqui, mas em casa naquele estado de espírito, naquele momento, em estar com pessoas que nesse ano de Júpiter fizeram morada no meu coração. E agora, com a energia de Marte, isso só tende a fortalecer.

me sinto pacificada. minha palavra para esse ano foi luta. não acho ruim, só peço discernimento de saber quando ou não lutar.

Ave Mars! Bem vindo seja teu ano, bendito seja teu ano.

amanhã escrevo direito. finalmente o sono está me vencendo... bons sonhos

Posted by Sarah on Feb 20, '08 8:34 PM for everyone
Sempre gostei da Turquia. Meu pai falava um bocado da Turquia, fui aprendendo a gostar (como do Líbano), e se o Líbano é a terra do poeta, a Turquia é pátria de beleza. Bela é Hagia Sophia, belos os ícones bizantinos, belas as mesquitas com seus minaretes ligando terra e céu. Na Turquia fica a Capadócia, e Jorge é da Capadócia. Tróia é na Turquia, e eu me chamo Helena e acho que deviam ter deixado a moça lá com o Paris.

Turquia é a terra de Kemal, que conseguiu fazer um Estado laico, mesmo o povo sendo islâmico, e que conseguiu enfiar na cabeça do povo a necessidade da democracia.

A Turquia fica entre a Europa e a Ásia. Todo o velho mundo passa pela Turquia para chegar ao outro lado... mescla de tradições e culturas, um pouco de melhor decada povo foi criando um lugar único.

Eu gostava um bocado da Turquia, e então em encontrei um novo amor. Um sítio arqueológico apaixonante, se eu não me sentisse ligada a Ela, e sendo assim, mais apaixonante ainda. Eu conheci o Lethoon, na margem do Xanthos, e tudo que consigo desejar agora em termos de viajar para conhecer sítios arqueológicos, é ir para o Lethoon. Ele é lindo...

E vai daqui e dali que me caiu aficha. Se eu quero cozinhar para a mãe Lícia, eu posso procurar na culinária turca...

Acabo de descobrir que eu adoro culinária turca e não tinha idéia disso.

Claro que tem algumas coisas que não gosto. Básico. Mas forma geral...

Para começar, eu descobri que a geléia rosa mágica que eu sempre adorei é o tal do manjar turco.

Na sequência descobri que eles usam  pistache em tudo que é possível. Eu a-m-o pistache. Pistache é amigo. Pistache é divertido. Pistache é o melhor sorvete do mundo.  E o tom de verde mais bonito.

Ale´m disso temos o seguinte: muitas sopas, espeto de churrasco, pão turco, iogurte, arroz doce, pudim, folheado de nozes e pistache, água de rosas como ingrediente em variados pratos (eu faço minha própria água de rosas, com orgulho), muito mel, gergelim, e pães de variados tipos, chá, de todo tipo, mas muito chá de maça, frutas cítricas e flores. No verão come-se cerejas, pessegos, uvas, melancia e melão... e no inverno laranja, maçãs e peras.

Ah sim, eles bebem raki. Raki é demoníaco,  mas eu adoro...  é uma bebida a base de aniz, forte que só ela. É transparente, mas quando vc coloca água gelada, fica leitosa. O maluco do meu avô me ensinou a tomar raki quando eu devia ter uns 14, 15 anos... ele não tinha noção.

Não podemso esquecer o café, claro. Necessário.

Resumindo, de tudo que eles usam de base na culinária, eu só não gosto de berinjela, peixe, azeitona e pimentão. Tenho um pé atrás com queijo de cabra, mas eu como.

Ah sim, eles comem muito mais vegetais do que costumo comer. Mas não é que eu não goste de vegetais, é falta de hábito mesmo.

A culinária turca é a mescla da cozinha grega e da cozinha árabe.

E lá vou eu recolher receitas turcas... fiquei com água na boca.



Posted by Sarah on Jan 30, '08 11:12 PM for everyone


nada não... só que essa imagem é tão linda que me deu vontade de postar...

Posted by Sarah on Jan 17, '08 1:12 PM for everyone
Finalmente coloquei minhas mãos na minha caneca. Gosto de pensar como as coisas acontecem, como as coisas viajam para chegar até o olugar onde devem estar, os caminhos que percorrem. E assim é minha linda caneca. Teve gente que não entendeu porque eu escolhi justo essa imagem. Mas para mim tem muito sentido.

Desde a Torre eu percebi isso: preciso desvestir um manto e vestir outro. Preciso vestir o manto do mangusto, da doçura, compaixão, gentileza, modéstia, etc. e tal. É hora de abandonar a guerreira e virar outra coisa, porque não vale a pena passar a vida lutanto de lutando sem cessar, sempre espada em punho, sempre na defensiva. Eu quero mais é jogar tudo pro alto e dançar no mato, quero rir e beijar  e viver mais leve.

Quando olho as lágrimas do bodhsattva, penso na imensa compaixão que move o Senhor Avalokita. Essa compaixão e doçura que eu quero em mim. E essas lágrimas dão forma a Tara: A Tara Verde e a Tara Branca são as formas compassivas dEla. Olhar essa caneca, beber nessa caneca, é por si só um exercício de doçura.

Espero sinceramente que depois dessa estrela eu consiga me desprender do manto do ouriço de uma vez por todas.



Posted by Sarah on Jan 16, '08 6:23 PM for everyone
Abri meu imenso vidro de Pralinutta. Eu particularmente gosto mais de pralinutta do que de nutela, acho mais leve. Mas a safada é belga e eu só encontro no Carrefour. Ok, reza a lenda que junto com o rodo anel vai abrir um Carrefour perto de casa. Por consequência, não vou precisar pedir carona pro meu pai para ir ao Carrefour, por consequência, mais pralinutta presente na minha vida.


estou falando da mocinha da esquerda, pura avelã com chocolate


Bobagem eu sei. Mas quando vc pega uma larga fatia de pão doce caseiro, abre a tampa de rosca lendo com o canto do olho a palavra "hazelnut", e passa no pão uma camada daquele creme que tem a exata cor castanha da perfeição, e uma consistência indescritível, você tem uma nova perspectiva do universo.

Tenho pensado muito nisso. Acho que é efeito do Guia do Mochileiro das Galáxias, mas realmente tudo conspira para eu crer que somos realmente as lontras do universo. Criaturas de prazer e diversão.


Só para tornar mais perfeito, a empresa que faz a pralinutta também faz o Pez. Acho que poucas coisas no mundo me fazem tão infantilmente feliz quanto Pez...



Posted by Sarah on Dec 26, '07 1:17 PM for everyone
Meu ritual de lua cheia começou dia 23 e só terminou quando fui dormir essa noite. Natal é a festa da minha família, a festa dos meus antepassados. Falamos dos presépios que vieram da Itália e de Portugal, montados por minhas bisavós (e dos quais sobreviveram um camelo e um pastor em terracota), e do presépio que minh avó montava, substituido em 2004 por este atual, que eu comprei e pintei e que a cada ano adicionamos algo novo. 

Decorei a minha varanda, passei a noite do dia 23 montando decoração, embrulhando presentes, pendurando luzinhas. As luzinhas, memória recente, do meu falecido avô, que adorava luzinhas de Natal, e sempre comprava piscas que espalhava pelos lugares mais inusitados da casa... Os presentes, que não são presentes de obrigação, mas de amor, que eu embrulhava pensando e desejando o melhor para cada um que ia receber. E colocando cartões de feliz natal em caixinhas de incenso, para que ninguém venha a minha casa e saia sem uma lembrança...

O dia 24 amanheceu, mas eu tive o prazer de ver a D'Alva brilhando para mim no céu. Todos adormecidos, e eu tendo o prazer da visão de Vênus, surgindo como que por magia no céu azul e lilás que precede o sol. Arrumei a varanda, dispondo mesinhas e cadeiras e cinzeiros de modo que todos ficassem confortáveis, conversas sussurradas passassem desapercebidas, as mesas ficassem de fácil acesso sem gente amontoar nelas. Uma toalha de mesa especial aqui, uma canga cobrindo o sofá ali, e recebi elogios, porque eu tenho visão para essas coisas...rs

Dormi o bastante para descansar, terminar coisas de última hora, e tomar um banho que foi por si só um ritual. E então, preparar o meu clássico tricolore com molho de champignons, arrumar a mesa farta, juntar as pessoas e me divertir. A meia noite, primeira fase da troca de presentes. Cidra de morango, porque eu gosto muito. E então, quando a lua cheia era um disco imenso iluminando tudo, discretamente sair de perto de todos, ir para meu altar, onde, entre o golfinho de Apolo e o busto de Ártemis, está minha mais bonita echarpe preta (afinal Ela é a "do escuro véu"). Acender minhas velas, e começar a agradecer. Agradecer fato a fato, pessoa a pessoa. E então, acendidos os incensos, feitas as ofertas, tirei a carta, no meu velho velho baralho, já que não consegui encontrar nem o art noveau nem o Waite (que deveriam estar no meu armário mas sei lá onde se esconderam).

E lá estava a Estrela brilhando para mim.

Fui dormir altas da madrugada, com o Beija Flor animado me explicando que tinha ganhado pinguins e ursos polares e caminhão e carro e ele falava do "papai Oel", e que ele "que mais pesente". Eu deitei ele e expliquei que se ele fosse um menino bonzinho a Befana ia trazer mais presente dia 6 da janeiro.  Falei o versinho sobre ela, e ele ria,  mas quando eu falei que então ele precisava obedecer a gente, e não fazer birra, ele puxou o cobertor, virou pro lado e não quis mais papo...rs Cantei pra ele, e fui dormir.

Dia 25 foi dia de comer o dia inteiro, porque cada um que chegava trazia comida suficiente para mais um almoço. E ficamos conversando e rindo e falando besteira e fumando e bebendo, até quando as quase três da manhã o AND e o Agostinho foram para casa, depois de eu finalmente vencer uma partida de Once Upon a Time e de planos para o ANo Novo serem feitos. Beija Flor estava empolgado com tudo, dormiu na nossa cama sem a menor cerimônia.

E assim eu fiz meu natal ser meu rito, sendo ele todo um ritual, sendo ele todo um esforço de amor, de auxílio mútuo, de dar presentes e receber presentes, que não são objetos meramente, mas são símbolos, de que somos uma família, eu, meus amigos, e até alguns membros da família de sangue. E que todo esse carinho é premiado com mais carinho, e com uma carta luminosa para um ano novo que comece com o auspício da D'Alva, que me deu um epsetáculo particular na madrugada do dia 23 e da Lua Cheia que participou da festa, o tempo todo visível e risonha olhando enquanto riamos na varanda.

Posted by Sarah on Dec 3, '07 9:32 AM for everyone


Se um dia eu fosse fazer uma imagem de Eros, fazia ele dormindo no peito de Ares. Acordei de manhã, com o Beija Flor dormindo entre eu e o Koshari, deitado no peito do pai. Olhei na penunbra e pensei "eu quero por asinhas nele e tirar fotos".

A vantagem é que dormindo eles são modelos comportados...

Fiquei imaginando a imagem, Ares dormindo, Eros chegando depois, deitando em cima dele,  a cabeça no peito, o corpo escorregando de lado, a perninha meio dobrada na cama, de barriga para cima. a aljava e o arco largados junto com a lança e o escudo.





Posted by Sarah on Dec 1, '07 12:31 PM for everyone



Estão chegando meus primeiros presentes de fim de ano. Uma lembrancinha ou outra de um aluno, e tal. Mas o Koshari me deu meu presente de natal e eu estou feliiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiz da vida...

Once Upon a Time é um jogo de cartas onde se vai construindo, coletivamente uma história. Cada jogador tem cartas de objetos, personagens, lugares e  eventos que vai jogando conforme conta a história... e quando um jogador tem uma carta de algo que foi citado pelo outro, interrompe a história e dá continuidade a ela... e a história vai ficando cada vez mais surreal. Ganha quem conseguir levar a história até seu happy ever after... que nem sempre é tão happy assim...

(isso me fez lembrar das malhas de ametista do são cipriano e da joelma do calipso)


O jogo é lindo, as cartas tem uma arte maravilhosa (dá para imaginar pela caixa).

Eu queria esse jogo fazem anos. O preço era exorbitante, eu ainda não tinha aprendido a fazer compras internacionais, enfim, foi um desejo que foi ficando de lado, embora eu sempre citasse o jogo. E agora, maravilha! Está aqui o lindo! Estou olhando para ele, doida para conseguir gente pra jogar comigo...rs


Consegui uma imagem das cartas:




E o Jorge foi pro Machu Pichu e me trouxe uma Pacha Mama de presente... linda!!!


é isso ai... esse fim de semana o sol está particularmente brilhante.

Posted by Sarah on Nov 21, '07 10:54 PM for everyone
As vezes, alguns dos amigos que sempre estão on line não estão. Estão jogando alguma coisa, desconectados, dormindo, sairam para beber. E eu fico enrolando a toa, vendo se eles aparecem.

Sou viciada em gente. Com certeza, esse sempre foi, em todos os momentos da vida, meu maior vício. Por isso adoro o multiply. Porque eu tenho acesso a gente: eu leio, eu escrevo, comento as vezes em blogs de pessoas que nem me conhecem. Mas que são contatos do contato, ai eu leio, e acabo comentando. Algumas pessoas vão ganhando minha admiração, algumas eu me identifico, outras, simples assim, gosto de ler e ponto. Porque é gente, gente de verdade.

E eu fico aqui, com a janela do msn aberta.

Filhote de Lua   diz:
vc tá ai?


conhecendo meu amigo, amanhã de manhã vai ter uma resposta. Ele é uma das cinco pessoas do mundo em que eu me enxergo. And, Lê, Hell, são os três homens que são iguais a mim. Por um me apaixonei, um escolhi para irmão, um escolhi para amigo. E existem as mulheres. Lou Lou é uma delas. E ela me ama a ponto de aceitar esse apelido ridículo...rs Minha irmãzinha, minha amada, somos tão diferentes e tão iguais que quase queima.

Eu sei que tem uma outra mulher. Mas não consigo saber quem. Bloqueei. Vai entender minha mente. Quem? Sei que é alguém que não é próxima, que não conheço tão bem, mas mesmo assim me enxergo.  Pode ser qualquer coisa entre um contato da net e Florbela Espanca.

(como eu me enxergo em Florbela...)


Mas sou viciada em gente. Preciso de contato, preciso ler e escrever e falar, e ver, e beber junto, compartir cigarros, sussurrar, gritar. Amo solidão, mas tem hora e lugar certo para isso.


Tipo agora. Vou lá fora, fumar um cigarro. Escrever no caderno de tarot. Olhar o céu.

Posted by Sarah on Nov 18, '07 11:46 PM for everyone
Comentei com minha mãe que faltava um unicórnio de resina entre os meus. Devia estar nas caixas que ainda não consegui abrir (mesmo tendo me mudado fazem dois anos). Hoje ela me apareceu com o unicórnio, o prato dos lobos que eu nem lembrava mais, os dragõezinhos do Koshari. E disse ter achado umas caixas de livros. Fui ver o que era. Não eram todos os meus livros, mas uma parte deles. E me vi olhando velhos livros de pedagogia libertária, minhas duas edições do Livro da Jangal (a-d-o-r-o esse livro), livros de mitos, o Deuses Americanos,  um bocado de outros livros. Uma lata onde habita um bilhete que o Anderson escreveu para mim um ano antes de morrer, quando me tirou no amigo secreto da escola. E velhos cadernos. Umas coisas bem escritas, outras mal, inclusive uma muito mal escrita que merece ser reescrita porque o plot é bom. E o caderno azul marinho que era meu livro das sombras.

Acendi um mentolado enquanto folheava o caderno. Que abre com uma oração indígena Ute linda, uma árvore desenhada em lápis de cor, e uma anotação em que escrevi assim: "Este é o livro do meu caminho. Que eu ganhei da minha mãe católica, e ainda assim minha iniciadora. Este livro vai conter tanto acertos quanto erros, e esse é seu maior mérito: ele é a imagem do meu aprendizado no caminho dos Deuses. Que Eles guiem meus passos, sempre" e datado de outubro de 2000. Faziam três anos que eu flertava com o paganismo. De maneira tortuosa ia seguindo meu caminho, e esse era meu segundo caderno. No começo, ele é bem xarope, bem iniciante desesperada em fazer tudo certo. Definições sobre o Deus Chifrudo e a Grande Deusa, duas versões de rituais para a Roda do Ano, com a explicação tirada de algum site sobre porque era importante seguir aquilo. Uma outra oração, bem singela, escrita por mim. Exceto isso, nada com minha opinião pessoal. Ai, vem um título riscado. Eu ia escrever sobre o círculo mágico. Risquei o título e coloquei uma anotação grande, falando sobre usar cocaína, sobre como aquilo mexia comigo e como me deixava isolada, como me puxava para longe dos Deuses. Eu falava sobre me sentir perdida e suja. Escrevi que sentia necessidade de um ritual de purificação e não conhecia nenhum bom o suficiente.  Data de julho de 2002, meu pior mês, quando estava realmente mal. Embaixo, só uma frase: "Nada purifica mais que o amor", sem data nenhuma, mas acho que foram poucos meses depois, porque usei a mesma caneta. Puxo na memória, e não, não falo de nenhum homem nem mulher. 

Na página seguinte, uma outra notação grande, falando de duas mulheres que me marcaram por sua fé: Govinda, a menina que conheci no templo Hare Krishna, e Irmã Iracema, minha professora da faculdade.

Depois, vem um texto sobre runas. Dessa vez, reconheço minha própria voz. Não era copiado de lugar nenhum, tem opiniões pessoais. Falo dos feitiços rúnicos que fiz, "mesmo não sendo expetacularmente boa nas runas".  Cito o livro em que me baseei para escrever.

Corro as páginas em branco. Pouco depois do meio do caderno, um cartão postal com Nossa Senhora segurando o menino Jesus. Sem nenhum halo, manto azul, nada. Um bebê de cara travessa e uma mulher de cabelo escuro e roupa simples. Coisas de teologia da libertação, coisas de minha mãe. Depois do cartão, alguns encantamentos, a maioria tirado de sites, de livros tosquinhos, mas logo surge o encantamento com nós que o Nigel Pennick cita no Jogos dos Deuses, um texto sobre arte pré histórica e suas possíveis raízes mágicas, que fiz baseado no meu livro de história da arte da faculdade, tabelas de horas planetárias, dias, propriedades, feitiços que eu fiz, contra febre, para proteger alguém, e depois uma longa notação sobre o deserto cor de rosa. O Deserto cor de rosa, meu templo espiritual. O lugar onde eu me refugiava em sonhos e visualizações, e que não visito fazem anos.  Citações do Mulheres que correm com os lobos.

Peguei uma bic preta, e fiz uma notação, depois de onde escrevi sobre as runas. Falei brevemente das mudanças, de não seguir mais os preceitos wicanos, falei sobre ter um filho, sobre ser adulta, sobre servir Ártemis. Fui breve, ficou uma notação grande, mas pequena pela quantidade de mudanças qu tive desde a última vez que escrevi no caderno, cinco anos atrás.

Olhei o caderno e vi uma outra pessoa. Outra visão de mundo, do caminho, da vida. Um jeito diferente do que tenho hoje, um pensamento totalmente outro. Como mudei de 2000 até hoje. Como cresci, amadureci. Oito anos, muitas diferenças. Assumo que quase chorei, lendo certas coisas, que são difíceis para mim até hoje, como a minha relação com o pó, meus fetiços para proteger alguém que mais tarde eu amaldiçoaria, esse amor duro que existe entre eu e Senhora Hécate, tantas coisas que ali eram mais pressentidas do que vistas.

Imaginei como vai ser daqui outros oito anos. Onde eu estarei? Quem eu vou ser? Resolvi escrever no caderno de novo. Fiz uma árvore genealógica tosca, depois vou refazer. Escolhi umas coisas para copiar, um artigo para colar, um comentário sobre o Núpcias que preciso pensar como fazer.

Outros feitiços para marcar, versos de tradição oral, rezas de família. Fotos de antepassados.

Estou olhando o caderno aqui do lado. Encadernado pela minha mãe. Umas duzentas folhas.  Pauta lilás.  Grande, pesado,  bonito na sua simplicidade. 

Minha história sendo escrita, na minha própria letra

Posted by Sarah on Nov 17, '07 2:35 PM for everyone


que não adianta forçar a passada para além do que se pode andar. 
se eu não confio e uso as palavras, não posso pedir que ele seja diferente, e aprendi que não falar não significa não compreender. 
chocolate é a cura de todas as dores e tristezas do mundo
basta uma superfície translúcida para ter um milagre.
música é bom, sempre, em toda situação.
e me lembro que também posso cantar.
aprendo que ter um coração de beija flor deixa a gente confuso e o mundo parece enorme cinza e cruel, mas que estar cercado de gente que te ama quando são cinco da manhã torna tudo mais fácil
que se preciso de atenção eu peço
e se quero carinho, pego pela mão e arrasto comigo




Posted by Sarah on Nov 11, '07 8:31 PM for everyone

    Existe um momento de prazer indizível quando você está dançando e percebe que sua mente já não tem o menor domínio sobre seu corpo. Que seu corpo dança porque foi feito para isso, e sua mente divaga em outras paragens, e nada no mundo existe além da pista, e em pouco tempo, nem a pista existe, é como se fosse a única pessoa no mundo. Como se só existisse eu e a música.

Essa madrugada que passou tive um bocado disso. Passei a maior parte desse meu retorno para a noite na pista, tirando o tempo que parei para dizer um oi para o Lord A e a Ágatha, ou conversando com uma ou outra pessoa, tomando uma soda ou fumando enquanto esperava o joelho parar de latejar.

Foi bom. Foi estranho em certos pontos. Estar sozinha na balada te dá uma percepção diferente dela. É como se eu meio que flutuasse pelos acontecimentos. Fazia tempo que não me sentia tão em casa, usando as roupas que eu realmente gosto, no meio de pessoas com quem, nem por segundos, eu me importo o que pensam de mim. E Gaia sabe como é difícil para mim não enxergar o tempo todo que estou fazendo algo errado e as pessoas estão me reprovando por isso. Doentio, eu sei. Mas quando vou para uma balada gótica, eu não me sinto assim. Porque lá eu só tenho um objetivo, dançar. Ouvir a música, conhecer sons diferentes, me deixar levar pelas escolhas do DJ. E olhar em volta e ver pessoas que de algum modo são familiares, ligadas a mim por algo tão intenso e tão minimal quanto roupas e música. Pessoas que só vou ver na pista, na balada, e ali, eu não sou só eu, eu sou algo mais. Ali as pessoas me acham bonita, ali eu tenho um olhar mais ferino, e tenho um movimento que não tenho em outro lugar. Em casa, três da manhã estou capotando. Lá, eu vou até as seis sem me preocupar.

Foi diferente do que eu esperava, mas foi muito bom. Depois de dois anos e sete meses, de volta. Honrando Dionísio do único jeito que sei. Deixando a dança do Louco  me ocupar. Deixando o mundo girar sem mim, que flutuo deliciada ainda que solitária, no escuro da pista e nos flashs estroboscópicos.

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