Sarah's posts with tag: bizarro
Posted by Sarah on Jul 4, '08 5:56 PM for everyone Para quem não se interessa pelos detalhes, sexta passada eu ganhei um par de convites para vero show de aniversário da Kiss. Nazi, TSOL, Gene loves Jezebel e Echo and the Bunnymen. Foi o máximo. Passei a quarta noite lembrando que yesss, nós somos rock and roll. Foi uma noite para fechar a lunação do Louco com chave de ouro. Para mim, o Louco tem muito de show de rock, da entrega, da catarse, da sensibilidade e da sensualidade que existe nos shows.
Foi um show maravilhoso e amo Gene loves amo amo amo. E amo amo amo Echo. Mas cara, eu fiquei a poucos passos dos caras das bandas e ontem só consegui levantar uma e meia da tarde, passei o dia na cama porque estirei o músculo da coxa, aliás, isso acontece quase toda vez que vou em um show bom. Definitivamente eu não vou envelhecer como o Keith Richards...
Eu sei que as pessoas sempre pensam em andar descalço, ir para a praia e andar no mato para recarregar as baterias e entrar em contato com o mundo, mas para mim, pular feito louca por quatro horas, cantando junto e sentindo o vibe da música é como mergulhar no mar... estou recarregada e feliz. Encarnei o Louco, me joguei. Pronta para começar meu semestre de Imperador, e prontíssima para começar essa lunação acompanhada por ninguém mais perfeito para falar disso que a Temperança...
Posted by Sarah on Jul 4, '08 5:40 PM for everyone Não tinha escrito sobre isso aindas porque não parecia real. Era como se na verdade eu fosse acordar e descobrir que foi um engano... E eu estaria postando isso horas atrás se a minha internet não tivesse passado o dia todo fora do ar... Sexta feira mandei um email para o titio Marco Antônio pedindo para ganhar um ingresso para o show de aniversário da Kiss FM. Não estava exatamente num bom dia. Afinal, o Marlon ia viajar para Garça, para o Festival da florada da cerejeira, e eu não pude ir. Pois ele estava tomando banho para sair quando o titio falou meu nome (errado, como a maioria dos mortais =P) no ar, junto com os outros nove felizes que ganharam convites. Eu sai saltitando pela casa, e agradeço a paciência da Cássia e das outras vítimas que encontrei no MSN naquele momento, porque eu estava purpurinicamente insuportável de felicidade. Mesmo quando o email chegou eu ainda mal conseguia acreditar. Era isso mesmo. Eu ia ver Echo and the Bunnymen, Gene loves Jezebel e ainda levar o TSOL e o Nazi de brinde. Rememorando, eu adoro Echo e Gene loves... eu sou uma das pessoas que beijou alguém desconhecido na pista do Madame Satã ouvindo Lips like sugar... creio ser desnecessário dizer algo além disso... e eu cresci amando Gene loves porque meu pai um dia chegou com uma pilha de vinis e me ensinou “isto aqui é rock and roll”, e além de ter me transformado numa grungezinha obcecada por Blind Melon e Nirvana, numa fã incondicional de Ozzy Ozbourne, ele me ensinou “e isso aqui vem da Inglaterra”, e a luz se fez, e eu descobri que eu podia sofrer os horrores maiores da existência humana e tudo estaria bem se eu tivesse um inglês de cabelo excêntrico me dizendo que tudo ia ficar bem, ou pior ainda... assim sendo, um dia ele me mostrou Gene loves Jezebel, porque achou que tinha a minha cara... e tinha mesmo. Assim sendo, ver essas duas bandas é meio que tudo que eu possos desejar num show em amplos aspectos emocionais... E meu primeiro show de rock, no dia em que acharam o corpo do Kurt Cobain, foi um show do IRA!, e ver o Nazi é sempre muito bom (sempre me lembro dele dizendo “um minuto de barulho por Kurt Cobain!”). Voltando da digressão, eu tinha um email dizendo que era verdade, mas mesmo na terça feira, subindo o elevador por 15 andares de pânico, enquanto o Agostinho (que eu achei na rua e me acompanhou) ria da minha cara, ainda tinha a sensação de que iam dizer que tudo era um engano. Preciso dizer que a entrada da Kiss é tudo de bom, muito simpático aquele hall. Incrível imaginar que a rádio que eu escuto todo dia quase tem um espaço físico real, fora do espaço virtual das ondas fm. Tá, eu sei, é idiota. Mas as coisas ganham outro contorno quando puxadas para o plano físico... E lá estava eu tocando a campainha da rádio, para pegar os convites que eu suspeitava não existiam... mas existiam. Eu tinha mesmo ganho, meu nome estava mesmo na lista. Eu sai de lá saltitando. Com direito a saltitos pela calçada da avenida Paulista... literalmente. Eu ia no show! Corta para quarta feira de manhã, últimos acertos sobre quem ficar com o André, eu avisando na escola que “olha, eu não sei se vou conseguir vir trabalhar amanhã porque vou num show de rock essa noite”, o que deixou a massa de professores efetivamente desconcertada... Me senti muito bem com aquilo... ainda tenho uma atitude rock and roll! hahahahaha Sai da escola, encontrei o Marlon no shopping para comer um lanche, jogar o número do ingresso na mega sena e pegar o caminho do Via Funchal. Pegar o caminho do Via Funchal é uma aventura a parte. Cortando caminho, o que nos poupa várias baldeações, é trem até Tamanduatei, ponte Orca até Alto do Ipiranga, metrô até Vila Madalena, ponte Orca até Cidade Universitária, e de lá o trem até a estação Vila Olímpia. Se existe algum outro caminho? Sim, mas vc tem que pegar trem e ônibus, o que demora mais que fazer essa aventura toda. Conheço quem considera que o Via Funchal fica numa filial da Casa do Caralho. Mais dois shows que eu vá lá de condução e eu vou concordar... (esse é meu segundo show lá). O fato é: acha que eu dou a mínima? Eu só conseguia mentalizar homens com cabeça de colehinho pulando em volta de mim enquanto me espremia no trem lotado até a Vila Olímpia. Chegando lá, uma fila de 20 pessoas nos matou de surpresa. De repente a gente se deu conta que era quarta feira e a maioria das pessoas não sai do trabalho as três da tarde como eu... no show do Motorhead, que foi em um sábado, a fila começava dois quarteirões antes... assim como em todos os shows em que eu tinha ido até ontem... Entramos, e colamos na grade. Para muita gente ali pareceria algo desnecessário. Porque o lugar estava vazio quando abriram os portões. As pessoas iam chegando devagar, mas constantemente. E foi colada ali na grade que vi o show ser aberto pelo pessoal da rádio. Nazi é o cara certo para abrir um show, principalmente um onde o público ainda não está confiante porque a casa ainda está meio vazia. Ele tem uma presença de palco cativante e energética, e sabe como fazer as pessoas entrarem no clima. De todos os shows nacionais que já vi, a única banda que tinha a mesma característica tinha outra vibe: o Ultraje a rigor. O Nazi consegue ter o público na palma da mão, e, principal para mim em um show, existe uma clara sensação de que a banda está se divertindo ainda mais que nós. Eles riam, eles brincavam entre si, o Nazi fazia aquele truque com o microfone de ficar girando ele no ar e pegar com a outra mão, que é besta mas visualmente muito estiloso. Uma seleção de músicas ótima. Valeu por ouvir músicas ancestrais do rock brasileiro em versões bacanas, e por ver que, não importa o que aconteça, o Nazi ainda é O cara em palco. Quando olhei para trás me surpreendi em como tinha chegado mais gente durante o show dele. No intervalo antes do show do TSOL, já fazia bastante sentido estar colada ali para ver o show. TSOL aliás, foi uma incrível surpresa. Porque eu não conseguia identificar a banda até eles começarem a tocar e eu me ligar que a idiota aqui conhece um mundo de músicas do TSOL; mas quem disse que eu me lembrava do nome da banda? Assumo nesse momento que não sou uma super heroína e não consigo lembrar metade dos nomes de bandas que eu gosto... o jeito é aproveitar que meu pai descobriu o you tube e fuçar nos vídeos favoritos do orkut dele... De todo modo, foi um show muito bom. Eles criam empatia com o público, e a galera que estava assistindo ficou bem motivada. Continuou o clima de empolgação crescente que o Nazi começou, e mesmo quem tinha ido lá para curtir outras bandas, como eu, pode ter diversão genuina com o show do TSOL. Vale deixar em primeiro plano que foi o máximo antes do show o vocal dos caras ajeitando o microfone na maior naturalidade ao invés de mandar um roadie fazer isso. É legal ver esses pontos de humanidade numa banda... Gene loves Jezebel foi algo além. Foi catártico. Foi mágico. É difícil falar porque foi muito bom. E deu para ver como os olhos do vocal são lindos... foi como se reencontrar com coisas minhas que estavam guardadas a muito tempo. O som é muito bom, a presença de palco de todos é intensa, e eles também parecer sentir prazer no que fazem. Aliás, “prazer” é um perfeito signo do que significa um show deles, porque a coisa é toda nesse sentido. É sensual e corporal. Preciso fazer uma anotação para a camiseta que ele estava usando, que era linda, e a bandeira do Brasil pendurada na cintura. Era muito contagiante e a vibe era muito intensa. A banda anima qualquer público (que a essa altura o Via Funchal já estava lotado), e o Aston faz sexo com o público. O show chegou ao fim e eu pensei que se fosse para morrer naquele instante eu morreria feliz e realizada... o show durou até praticamente mandarem eles parar, e mesmo assim eles esticaram o que puderam. O intervalo mais longo entre os shows foi entre o GLJ e o Echo. A cada intervalo dos shows, os locutores subiam no palco e distribuiam camisetas... E foi nesse intervalo que consegui uma...ou melhor, o Marlon pegou uma para mim. Preciso dizer que a camisa é linda, manga longa, super bem feita. Muita camiseta promocional parece que vai desmanchar na primeira vez que se usa, mas essa parece mais resistente... vamos ver como se sai daqui uns meses =). E começaram a ajeitar o palco do Echo. Poe ventilador, poe toalha, liga uma dúzia de pedais para cada guitarra. Eu acho muito válido isso. Pode parecer frescura para quem nunca cozinhou debaixo de um refletor de palco pedir por toalhas ou ventilador, mas eu apoio totalmente. O show começou lá pela meia noite. E foi um show lindo. Muito intenso, muito gostoso. A banda tem uma força sonora ótima, e personalidade. Foi divertido ver o Ian colocando o povo da imprensa para fora, porque no começo de cada show era um saco, ficavam dúzias de fotografos no pé do palco fotografando, o maior saco. Ele mandou os caras cairem fora, para alegria de quem estava na grade querendo ver o show em paz. O show foi bem longo e teve dois bis, então deu para curtir bem. Foi bacana ver como o público estava fascinado pelo som, e apesar do ar blasé dos caras, foi bacaníssimo. Eu não dou a mínima para estrelismos (o atraso do show foi causado pela ausência de um secador de cabelos...), e me diverti demais. Me deixa muito feliz ir a um show que ue curto do inícoo ao fim como foi esse. E o fim do show não foi o fim da aventura. Estavamos sentados na porta do Via Funchal, vendo as barraquinhas irem embora e a casa fechando, porque iamos esperar os trens voltarem a correr para ir embora. Estavam dez pessoas lá sentadinhas. Os taxistas estavam meio indignados com aquilo, eles parados do outro lado da rua e a gente esperando o trem. Um dos taxistas começou a perguntar de onde a gente era e descobrimes que, curiosamente, todos eram o ABC, três de são caetano, um de santo andré, e cinco de mauá! (e não conheciamos os outros três mauaenses). Então ele fez a proposta: dez reais por cabeça e todo mundo voltava para casa de Doblô. Topamos, claro, porque entre ficar até quatro e meia parados lá e três da matina estar em um carro quentinho rumando para casa não tem comparação. Então voltei para casa de táxi, ainda meio apaxionada por tudo que tinha visto, e curtindo muito a sensação de que valeu a pena. E assim terminou a lua do louco... voltando para casa olhando a noite rodando pela rua, enquanto minha mente viajava nas músicas e nas imagens daquelas bandas.
Posted by Sarah on Jan 27, '08 11:14 PM for everyone Eu estou passando por uma situação no mínimo surreal. Justo no ano do centenário da imigração japonesa, eu me vejo mudando de foco por completo, e enxergo nas velhas lições de oriente dos meus pais o eixo que me dá um rumo nessa mudança.
Eu usei uma terminologia roubada da Clarissa Pinkola Estés, sobre "mantos" que vestimos. Eu usei um manto por muito tempo, e agora é hora de desvestir esse manto que honrei e usei com dedicação e carinho, e envergar outro. Um manto tão honrado e que espero conseguir vestir com ainda mais dedicação e carinho. E pensando nisso, nesse manto que me acostumei a sentir o peso nos ombros, penso em como as pessoas deturpam seu sentido.
Eu vestia o manto da guerreira. Uma guerreira (ou guerreiro, o que dá na mesma, porque o primeiro ponto a se saber é que um soldado não é homem nem mulher, é soldado), tem que conhecer o sacrifício de sua individualidade. Um guerreiro não tem vontade sozinho: sua vontade é a vontade da corporação de armas a que ele serve, é a vontade de seu general, de seu rei, de seu cardeal, de seu ministro, a vontade do líder a que ele confiou a espada e a vida.
Claro que o guerreiro tem idéias próprias, vontades pessoais, desejos. Mas existe algo acima disso, e o guerreiro abandona tudo para se por em marcha e lutar.
Justo por isso, o guerreiro está sempre na defensiva. Ele sabe que os seus inimigos, e mais ainda, os inimigos da sua causa, estão em todos os lugares, e é preciso impedi-los. Talvez o inimigo se deite em sua cama ou beba do seu vinho, por isso o guerreiro se dá por completo a sua causa, a seu rei, a seu país, a sua pólis. Apenas essa figura complexa e sem rosto fixo pode realmente encontra-lo desarmado, porque meros mortais não são confiáveis. Mortais te apunhalam pelas costas. E você sente prazer em beber vinho e ter companhia na sua cama, mesmo sabendo que tem de ter olhos abertos, porque isso são coisas boas, afinal.
Os únicos homens que podem conhecer seu íntimo são os que lutam do seu lado. Porque você depende deles e eles dependem de você. É necessário uma completa confiança, como se fossem todos braços do mesmo corpo. Mas é sempre importante lembrar que esses companheiros, um por um você vai enterrar, até o momento em que um deles vai enterrar você. E que isso realmente não importa: não adianta ter medo disso.
Um guerreiro pode amar o luxo, mas abdica dele. Um guerreiro escolhe a cama mais dura, o cobertor mais fino e dorme menos do que desejaria. Come pela necessidade e caminha mesmo sem sentir as pernas. Não reclama. Para o guerreiro, não é preciso ser bonito (embora alguns guerreiros adquiram uma beleza que só honra e selvageria podem dar a um rosto). É preciso ser ágil, preciso, obediente, silencioso. Praticidade importa mais do que prazer pessoal.
Lembre se que o maior prazer está na guerra. Quando o inimigo estivar gorgolejando sangue na sua frente, você vai rir da idéia de dormir mais uma hora. Quando marchar ao som dos tambores, seu grito de vitória será o maior dos luxos.
Eu entendo o que significa isso. E eu poderia escrever muito mais. Resumindo: uma guerreira não vive por si, vive pelos outros e pelo bem dos outros, não o outro seu irmão, seu amigo, seu amante, mas o outro desconhecido. Sua honra é sua vida, e falar contra sua honra é morte. Do mesmo modo, falar dos outros abertamente, sem provas, é vergonhoso. Um guerreiro é tudo, menos alguém livre. Pelo contrário, a única liberdade do guerreiro é a de escolher seus grilhões. Um guerreiro é devotado a algo muito maior. Um guerreiro vive flertando com a morte.
Eu fui criada como guerreira, em uma casa que mesclava uma visão cristã primitiva e um comunismo idealista e posto em prática em tudo. Tudo era dividido, todas as decisões compartilhadas, e todas as responsabilidades também. Mas a disciplina era militar. Eu cresci ouvindo lendas mescladas com trechos de histórias da arte da guerra, tendo as virtudes do guerreiro como meta de vida, chorando de dentes cerrados quando tomava uma bronca, porque decepcionar meus pais me era muito mais mortal que tomar um tapa. Cresci lutando por ideais, e com 14 anos eu surpreendia as pessoas por já ter uma história de militância não só partidária, mas principalmente envolvida com ativismos que não eram moda como hoje em dia.
Fico aborrecida, no sentido tedioso da palavra com como as pessoas usam mal esse termo. Acham que se alguém é forte, é guerreiro. O catso. Ser forte porque consegue superar obstáculos, porque consegue vitórias pessoais, não é ser guerreiro. Ser forte pra si mesmo, superar as coisas difíceis da vida, para um guerreiro isso não significa nada mais que sua obrigação. Um guerreiro não conserva a própria vida, um guerreiro entrega a própria vida em nome de um bem maior. Ser sobrevivente não é ser guerreiro. O caminho do sobrevivente é um outro, e conheço gente que veste esse manto com o mesmo orgulho com que eu vestia minha armadura. Isso tudo ai é ser sobrevivente: é conseguir superar a adversidade, superar barreiras, e coisa e tal.
De modo simples: o sobrevivente depois de ter sido marcado a ferro, jogado em um campo de concentração e visto horrores e sofrido torturas, está vivo para quando o guerreiro, fuzil na mão, olhar agudo, depois de enfrentar as agruras do front com naturalidade, vier liberta-lo.
Claro que existem pessoas que tem essas duas coisas. Olga Benario, vestiu os dois mantos e ainda o de mártir, sem querer. Entendo que haja alguma confusão, mas não entendo a substituição de um pelo outro.
Eu espero que daqui a vinte anos eu consiga falar com tanta naturalidade sobre gentileza e douçura como falo de guerra e virtude. Porque isso é minha história, e aprendi muito com isso. As virtudes do guerreiro são um justo guia que sempre vai estar a tona.
Não acho que fui uma boa guerreira. Cai muitas vezes, como qualquer garoto jogado na guerra sem completar o treinamento direito. Muitas vezes eu errei: minha fúria quase sempre foi maior que meu discernimento, e isso não é desejável. Mas não sou uma sobrevivente, não preciso ser forte por mim. Eu lutei, eu cumpri meu papel, eu estive envolvida em todas as mudanças importantes da minha cidade desde meus doze anos. Eu mudei a cabeça de um bocado de gente. Eu cumpri meu papel, e quando meu amigo se reencontrar comigo no outro lado do rio, não vou ter nenhuma vergonha sobre isso.
Hoje, aprendo a suavidade. Não mais o embate direto, encontro outros caminhos para prover o bem comum.
Posted by Sarah on Jan 4, '08 10:22 PM for everyone
Posted by Sarah on Dec 14, '07 12:04 AM for everyone Essa torre, mais do que tudo, tem me botado pra pensar. Coisas que estão sobrando, que serviram um dia, no passado, e não servem mais. E isso se reflete em coisas simples como minha decisão de mandar embora um monte de roupas do guarda roupa (cansei de jeans velho, não sou mais assim. camisetas que não gosto, vão todas embora. roupas que não me caem bem, tchau), embora isso não seja tão fácil assim, porque eu realmente gosto de ter muita roupa e gosto das minhas roupas, então tenho um problema grave em me livrar delas, mas, principalmente, se reflete em coisas muito maiores e mais complexas, como minha personalidade.
Eu sou um bichinho muito explosivo. Explosivo do tipo "nervo exposto". Eu brigo, eu falo alto, eu reclamo, e muitas vezes, uma pequena agressão contra mim volta ao agressor feito um furacão. Tem um motivo para ser assim, claro que tem. Quando eu era uma menina, eu era muito muito sucetível. E tudo me machucava. E existem situações em que, quando as pessoas descobrem que você é sensível, elas fazem de tudo para agredir. Então, adicione a isso minha relação muito íntima com a perda, 8 anos infernais na escola e você tem o circo armado para criar alguém assim feito eu: que quando pressente a agressão, agride de volta, que tem um ligeiro descontrole da raiva, e que briga e surta muito mais do que seria saudável.
Não digo que eu esteja errada nos motivos das minhas brigas: não, na maioria das vezes, minha ira é plenamente justificada. E por isso, as pessoas acabam achando que eu sou assim mesmo e não adianta falar nada, e em muitas situações, aproveitam para ao invés de darem elas mesmas a cara pra bater, jogar a bomba na minha mão. Ou então, fingem que nada acontece, e deixam para lá.
E eu sei que essa explosão toda já foi útil, eu diria até, necessária. Porque um dia eu deixei de ser vítima e virei sobrevivente, e mais que isso, virei alguém que enfrentava, lutava, não deixava barato. E isso me fez chegar até aqui, ao invés de desistir no meio do caminho. Quando eu estava realmente afundando, era minha fúria que me levava de volta. Eu aprendi a ser ferina, irônica, cruel. E passional, absolutamente passional. Me entregar a raiva me fez aprender a me entregar a tudo: amor, paixão, prazer, aventura, dor, amizade, fé, tudo.
Resumindo, essa era uma capa que me serviu muito bem, uma máscara honorável que usei por muito tempo e se tornou, de certa forma, confortável.
Só que cansou. Eu não preciso mais disso, não preciso mais ser assim.
Eu não sou gabriela, eu não nasci assim. E mesmo que tivesse nascido, não acredito em vou ser sempre assim. Eu me moldo ao meu ambiente e meu ambiente me molda, e eu aprendo e me transformo. E eu jogo tudo pro alto e começo outra história se eu precisar.
E agora, sinto que preciso, porque esse manto de ouriço não dá mais, já cumpriu o seu papel, e agora eu quero tirar, mesmo que precise tecer do zero um manto novo, mesmo que não tenha idéia do que quero costurar nele, que máscara vou prender no manto, que penas, que guizos.
Quero voltar a ser sutil, ligeira e delicada, com minha alma inteira. Aprendi força enquanto fui assim, feito um carcajú, um arminho, agressividade pura. Agora quero saber que hora gritar e que hora me impor pelo silêncio. Que hora preciso lutar e quando me entregar sem discussão. Ontem, no conselho, depois de todas as brigas nos dias anteriores, mandei tudo andar e fiquei desenhando, discutindo caso só quando me perguntavam opinião. Curioso foi que todas as brigas que normalmente eu teria comprado e feito acontecer, outras pessoas colocaram na pauta, e eu não me estressei. Me deixeilevar pela maré, e quer saber? Foi ótimo.
A Torre tem sido bem pesada, preciso escrever ainda sobre isso, absorver melhor certas pancadas. Mas acho que o que está me deixando mais marcada é essa idéia tão surpreendente de deixar mair meu velho manto e costurar um novinho para quem eu sou agora.
Posted by Sarah on Dec 9, '07 11:39 PM for everyone Eu terminei de fechar e digitar minhas notas. Fui corrigir um erro da pessoa A, que cometeu o erro porque não presta atenção nas pessoas porque se sente superior a todos. Isso me deixou um tantinho impaciente, porque a pessoa A fez isso desde que chegou lá. E eu tenho um problema com pessoas que não funcionam no coletivo, porque não se faz uma escola no cada um por si. Eu não vou especificar o que ela fez, mas eu venho perdendo a paciência faz um ano, principalmente porque as atitudes da pessoa A afetaram, e muito, meu trabalho em algumas salas.
Então, depois de terminar o meu trabalho e corrigir o trabalho errado da pessoa (o que normalmente faço sem problemas, mas que dessa vez me chateou porque foi por puro relaxo dela), sentei em um micro da sala de informática para escrever sobre Leto, terminar o que comecei.
E ai, pessoa A começou a falar. E falar. E falar. E deu uma demonstração além da conta de seu imenso umbigocentrismo. Um umbigocentrismo que se ela realmente fizesse ia foder com todos os professores do período. E ai, eu vi tudo vermelho.
Não me pergunte as exatas palavras. Algo em mim bloqueou palavrões e baixo calão, mas liberou toda a fúria contida em um ano. E eu vi tudo vermelho. Salvei o rascunho do texto, juntei minhas coisas e sai de lá. Deixei cair o dicionário de inglês que eu estava usando na mesa, e fez um puta barulho. Me perguntaram se estava tudo bem. E eu respondi para quem quisesse ouvir "Não. Porque se eu ficar perto de pessoa A eu parto pra cima dela e mato"
Sai pro pátio fumar um cigarro. Estava com taquicardia (fiquei assim por quase uma hora), minhas mãos tremiam. O ar era muito menos do que deveria ser. Fui fumando pra me acalmar. Respira, inspira a fumaça, sente o gosto, expira, olha as espirais, sente o gosto de fundo que fica na boca, respira, inspira, e assim vai. Um outro professor veio falar comigo, no meio disse que eu tinha passado da conta. Eu olhei bem pra cara dele e respondi "e daí? Eu tou cansada. cansada de tudo isso, e não dou a mínima"
Mentira deslavada. Parei meu texto no meio, e eu tenho um problema pra retomar texto parado assim, abruptamente, estava passando mal, e só conseguia pensar no *insira uma sequência de palavrões* da justa medida e de como eu tinha agido exatamente do jeito oposto que devia.
Eu devia aprender a no hora dizer quando algo me desagrada. Assim, eu não deixava um ano de raiva irromper em um minuto, e não passava mal como eu faço...
e eu estava escrevendo sobre os pastores transformados em sapos, o que, olhando de fora, é quase engraçado, porque foi sincronico, rs. Escrevendo sobre chutar o balde, e eu mesma chuto o balde na sequência.
Não foi a primeira nem vai ser a última. Cansei de perder a paciência, berrar em reunião de professor porque tem gente que definitivamente não está na profissão certa. (porque vc não pode marcar a pele que magoa Deus - falado para uma aluna que tem Nossa Senhora tatuada, é sempre válido lembrar ...rsrs). Infelizmente sei que enquanto for professora em escola vou ser sempre um pouco fora do meu eixo.
Mas mesmo odiando aquilo boa parte do tempo, eu faço meu melhor. Eu me dôo, eu me entrego ao meu trabalho, eu me esforço. Eu honro meu papel. Ninguém me obrigou. Eu escolhi, mesmo que não tenha sido consciente. Eu poderia ter ido procurar outra coisa, mas não fui. Fui pro magistério, e enquanto estiver la, vou fazer o meu melhor. Me tira do sério ver que nem todos agem assim. E me leva pra um lado da hybris, de achar que sou melhor por isso, e principalmente, de achar que estou acima.
Um dia, vou viver de ilustrar e escrever, fazer capa, artesanato, vender quadro, sei lá.
Mas é engraçado como a gente pode estar lá, com a cabeça apoiada na grade, fumando e tentando controlar o coração, depois de uma causada geral, e ficar pensando em coisas lidas. não é a toa que eu disse que ia imprimir e colar na parede. Eu realmente preciso dessa lembrança.
Posted by Sarah on Dec 3, '07 11:30 PM for everyone Sexta feira, o Koshari encontrou um cara do meu antigo círculo de amizades, que além de fugir dele cada vez que eventualmente ficassem próximos, soltou (aparentemente para ele ouvir) uma frase que demonstrou sua imensa imaturidade. Algo sobre ser melhor ser um perdedor com uma turma quente do que um cara legal sozinho. Por uns instantes, me senti uma idiota por ter permitido que em algum momento pessoas tão medíocres fizessem diferença na minha vida. Depois pensei melhor. Quando eu os conheci, eramos adolescentes, tinhamos 13, 14 anos, e eles eram iguais a todo mundo. Eu era a estranha (a palavra weird se aplicaria, rs, tem a sonoridade certa). Pensava demais. Olhava as coisas com os olhos de ampulheta do Raistlin, que vê a ação do tempo nas coisas. O que acho bizarro é que eles esperavam que eu fosse ser lagarta a vida inteira. E quando o tempo foi passando, eu fui me encontrando, minha visão se ampliando, e eu me liguei que estar viva podia não ser o que eu queria, mas era o que eu estava, e portanto, eu devia aproveitar. E eles não gostaram da mudança. Não gostaram de ver que eu não precisava deles. Tentando ser legal. Não deve ter sido fácil. Você ver alguém que sempre considerou menos do que você demonstrar que pode ir muito além do esperado deve ser assustador. Alguém que você considerava seu refúgio, e um dia você descobre que é refúgio de outros também. Alguém que você achava que choraria a vida inteira por você contando animada sua mais recente conquista. Não deve ter sido fácil para eles verem que eu não precisava deles. O que provou o quanto eles são tontos foi que eu não escolho amigos porque preciso deles, e sim porque gosto deles. Eu não ia deixar de ser amiga deles só porque rompi com a dependência doentia que me ligava ao grupo adolescente. E podiamos ter sido amigos a vida inteira, se eles não decidissem que eu era um monstro. Pois é. Eu comecei meu caso 12 horas depois dele ter terminado com uma amiga minha. Ela não se importou. Porque outros se importariam? Pois é, eu acusei publicamente um cara por ter tentado atacar uma menina, quando ele começou a espalhar que ela estava dando em cima dele. Terrível ver a verdade, "bom dia, o cara que vc acha seu amigo é um sociopata". Pois é, eu fui morar junto. E foi muito bom. E então, monstruosidade final: eu fiquei grávida e não achei que minha vida tinha acabado por isso. E sim, eu ia curtir cada segu ndo disso. E sim, meu filho com 11 dias fez seu primeiro passeio. E não, ele não é um boneco de porcelana. E sim, eu sei cuidar dele. E hoje, três anos depois de tudo, nã me arrependo de uma vírgula, e sei que sou muito mais do que eles jamais esperavam de mim.
Se eu fosse dizer alguma coisa para eles, seria uma só.
Quando você me quiser rever Já vai me encontrar refeita, pode crer Olhos no olhos, quero ver o que você faz Ao sentir que sem você passo bem demais
E que venho até remoçando Me pego cantando Sem mais nem porquê E tantas águas rolaram Quantos homens me amaram Bem mais e melhor que você (esse verso é específico para o protótipo de traste, rs)
Quando talvez precisar de mim 'Ce sabe a casa é sempre sua, venha sim Olhos nos olhos, quero ver o que você diz Quero ver como suporta me ver tão feliz
Posted by Sarah on Nov 23, '07 10:21 AM for everyone
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