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Posted by Sarah on Jul 14, '08 8:00 PM for everyone
"Enche teu coração com a prata da lua"...




Posted by Sarah on Jun 27, '08 8:54 AM for everyone
I know, I know. Eu sou mala. Eu me permito ser mala, e é isso ai.

Quando se fala de uma divindade, é preciso entender que os atributos e as qualidades que ela rege são só uma parte ínfima de tudo que representa aquela divindade. É preciso analisar muito mais que isso quando se quer compreender de quem se trata uma personalidade divina. Uma lista de palavras é tão pouco, tão pequeno, perto de tudo que Eles são.
Acho que tem outros focos muito centrais, por exemplo:

-filiação/paternidade - quem são os pais e os filhos (se houver) dessa divindade? Através disso vemos a natureza dessa divindade se manifestar. Assim, por exemplo, Leto demonstra sua natureza imanente e celeste quando se pensa que ela é filha do brilho da lua e do arco do céu - portanto, uma substância um bocado sutil. E Apolo carrega os nomes da avó e da prima como epíteto, além de dividir epítetos com a irmã - o que traça uma clara elação entre ele e a família divina a que pertence. Os atributos de Zeus se manifestam em seus filhos, cada filho é desdobramento de uma faceta da personalidade do Pai. E assim vai.

-casamentos - do mesmo jeito, isso também explicita um bocado a natureza divina. Vênus e Marte para mim são o grande exemplo, mas Zeus e Métis é imbatível...

-epítetos Tem Deuses com 200, 300 epítetos, a maioria de significados diferentes. Mesmo Deuses menos conhecidos, tem uma diversidade de epítetos que deixa besta. Assim, a gente tem uma visão de como age aquela divindade, não simplesmente "mar" mas "a que veio pelo mar". Não simplesmente "caçadora", mas "a de flechas imbatíveis", "a Senhora do arco dourado". Não é só poetizar, é destrinchar o significado. O que nos leva a...

-papel dessa divindade nos mitos -muitos epítetos dizem respeito a mitos específicos. Mas além disso, a gente consegue, pelo modo como a divindade age no mito, perceber como ela é. Atena está sempre tramando alguma coisa, Ela pensa em curva, usa artimanhas. Leto é conhecida como a mais gentil, mas apesar disso, metade dos seus mitos é de vingança,  o que podemos tirar disso?  Zeus é sempre imponente, sem medo, habilidoso e sábio.  Cronos é matreiro e soturno. Os mitos explicitam muitas coisas da personalidade dos Deuses.

E tem muito mais. Muito.

Como é possível se contentar com pouco quando se fala daqueles que São? Amplitude é o que Eles nos trazem, e é com amplitude que devemos busca-los. Enormes, eles nos abarcam. Estão acima da mera racionalização. Mas a busca por informação é aquilo que nos tráz a paixão que deve ser sentida.

E lembrar que culto aos Deuses é diferente entre a e b, acima de tudo, porque a e b estão em situações de vida diferentes, em épocas diferentes, com problemas e anseios diferentes, com métrica poética diferente. E não necessariamente que os Deuses sejam totalmente outros, só porque vestem túnica, toga, ou calça jeans.





Posted by Sarah on Jun 24, '08 7:53 PM for everyone
Inverno. Devo ter algo de muito invernal no meu espírito. Apesar de tudo e qualquer coisa, o inverno me faz bem, muito bem. Esse frio todo me faz sentir viva. Propício que seja agora que tudo isso tem acontecido.

O primeiro semestre do ano foi bem ruim para mim. Os Enamorados estavam lá pairando para me lembrar que como estava não podia ficar. Eles exigiam uma escolha que eu não me sentia pronta para fazer.

Mas quando eu fui ver os xamãs, aconteceram duas coisas. Uma, eu me senti fortalecida. Toda a estagnação que estava presa na minha coluna foi embora. Não foi bonito não...rs Foi sujo. Mas quando eu estava lá, eu ouvi umas coisas que me colocaram a cabeça no lugar.

Eu me lembrei que um dia eu optei por estar presente. Optar por estar presente - o  caminho do guerreiro. Lembrei que fui criada para isso. Para ser guerreira.

E aquelas mulheres disseram coisas para mim muito importantes.
-Eu preciso me permitir o prazer.
-Eu não posso deixar ninguém me sugar.
O que leva a:
-Preciso pensar mais no que me torna eu mesma
-Preciso de mar, andar descalça, contato com a natureza
-Preciso voltar os olhos para trás e parar de deixar coisas interminadas por aí

Eu fiz as pazes com o espírito do chocalho, eu acho. Creio que o chocalho que vou fazer, que fui instruida a fazer, não vai partir como todos desde que o espírito do chocalho se zangou comigo.


Isso tudo mexeu comigo. Percebi que não podia mais permitir ser suscetível. Precisava me focar. E ai, fizemos o exercício com o Leo Artese. E minhas palavras na roda de transformação  me deram um ímpeto novo.

A segunda feira  chegou e partiu e eu não me permiti que fizessem mal. Passei pela escola como se não fosse comigo, porque, na real, não é. E assim estou. Estou lá, mas estou isenta. Deixo meu envolvimento para as coisas realmente necessárias, realmente válidas.

E assim tem sido.


Domingo, quem veio? O Imperador.

Um semestre de imperador é tudo que eu podia desejar. Claro que me lembro que o que abate minha Torre não é o tridente de Poseidon, mas o raio de Zeus. O raio que me abate e me cega me permite enxergar também... e é nisso que penso quando imagino um semestre inteiro de construção. Um semeste ao lado dEle, Pater, protetor.

Me vejo trançando o cabelo, prendendo um chifre vermelho entre as penas do cisne. Me vejo mais forte, mais eu. E lá vou eu, perguntar ao vento frio, como posso ser ainda mais, Eu.

Posted by Sarah on Jun 6, '08 4:50 PM for everyone
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Algumas imagens sobre minha Senhora, dama de escuro véu, a mais doce, para os Deuses e os mortais. A sempre gentil. Filha de Coios, o arco do céu, e Phoebe, o brilho da Lua cheia.
Mãe dos Letóides, Ártemis e Apolo, os mais amados entre os nascidos entre os Deuses.
Modesta e discreta, uma Deusa de imanência, de coisas sub entendidas, de eminência parda. O conselho sábio. No catálogo das epsosas de Zeus, uma das duas que se uniram a Ele, antes de mais nada, em amor...

Minha Senhora...

Organizei "cronologicamente" pelo mito, se é possível dizer isso... falta muita coisa, mas é difícil achar boas imagens dEla.

Posted by Sarah on Jun 5, '08 10:47 PM for everyone

Com os filtros certos, a gente encontra tudo no flickr...
no jardim de Versalhes


Posted by Sarah on May 27, '08 9:15 AM for everyone
Eu tenho uma ansiedade que me corrói pelas entranhas. Para tudo na vida, mas principalmente para o que é maior que eu. Lendo o texto que a Pietra publicou no Tribos, eu fiquei pensando um pouco nisso.

Lembro de ser adolescente e estar super mal com alguma coisa, alguém vir perguntar "o que vc tem?" e minha resposta ser sempre a mesma (que se repete até hoje): Eu tenho anseios.

Não sou do tipo que poe a carroça na frente dos bois, e comparado por ai, não fiz tanta merda no caminho quanto eu esperaria. Nunca me meti com algo que não pudesse lidar, mas nem sempre me sai do melhor jeito. Comecei com o tarot quando era novinha e maluca, sem um pingo de disciplina (que aprendo a duras penas a disciplina), o que mais atrapalhou do que ajudou, porque precisei agora, mais madura, correr atrás. Me envolvi com política muito cedo, e muito cedo abandonei porque aquilo me desgostou totalmente: não tinha maturidade para sobreviver a certas coisas. O que fiz, fiz bem, mas poderia ter feito mais.

Ter paciência nunca foi meu forte. Sempre tive a presença da morte, muito colada em mim. Sonhava com o anjo da morte me namorando. Precisava fazer tudo ao mesmo tempo agora, porque esperava a morte. Nem quando fiquei grávida ele me abandonou. André nasceu com o berço desmontado, e roupa para dez dias.  Quatro pacotes de fraldas, pequenos. Eu não arriscaria a dor de ter que desmontar tudo e me livrar de tudo se algo desse errado. (perdi meu sobrinho recém nascido três meses antes do André nascer). Ser paciente era um risco para mim.

Mas me bateu a consciência de que a gente só faz as coisas quando está pronto quando eu me dei conta de que por dois anos eu tive o dinheiro preciso para ir fazer o Caminho de Santiago, e não fui. O dinheiro virou meus móveis, e agora me organizo para voltar a juntar tudo de novo. Sem pressa alguma, e com outro destino primário. Quero ir para a Turquia conhecer o Lethoon, molhar os dedos no Xantos e só depois me aventurar pelo resto da Europa (a começar por Dodona). Aprendo, a duras penas, que não adianta colocar a carroça em frente aos bois, e espero estar pronta um dia. Desejei ir para lá quando vi pela primeira vez o lugar em fotos, mas cada vez que revejo as fotos, que encontro novas fotos, capturo símbolos que vou tentando descobrir o significado. Aprendo uma coisa ou duas; doze escapam.

Do mesmo jeito, mesmo tendo uma nota excepcionalmente alta no ENEM, fui fazer uma faculdade salesiana desconhecida da maioria das pessoas ao invés da USP, porque perdi a inscrição no FOVEST. E naquele lugar conheci as pessoas que precisava conhecer, e descobri que minha profissão, seja qual for, tem que estar na arte. E vivi as trips que precisava viver. E conheci a Senhora Hécate, e a partir dEla, me voltei para a obviedade maior que era louvar os Deuses greco romanos. Porque ninguém entra numa casa salesiana por acaso, já disse a Irmã Iracema, que me mostrou uma fé totalmente nova para mim e que serviu de exemplo. Eu não tinha maturidade para encarar a USP naquele tempo.

E do mesmo jeito, meu encontro com minha Senhora foi a tão poucos meses, e me sinto corroer de ansiedade as vezes porque olho para Ela e me sinto sem chão, por nunca ter certeza de estar fazendo as coisas certas, por me sentir insegura, por escavar cada fragmento, e ler mil coisas para tirar um parágrafo. Por me sentir, as vezes, absolutamente solitária, sem saber para onde correr, porque tenho pavor de ofender a Ela. E que cada vez que sinto que preciso fazer alguma coisa (como com Zeus ultimamente), fico com mais medo ainda de fazer besteira.

Mas ai eu paro e penso. Catso, vc só tem 25. Vc só tem alguns meses cultuando essa divindade que até então era só seu pano de fundo no culto aos filhos dEla. Vc não precisa morrer por dentro a cada dia, sua besta.

Acho que para mim, paciência consegue ser mais difícil ainda de digerir do que disciplina...
Mas se eu consigo aprender disciplina, hoje sem dar tanto com a cara na parede, acho que cedo ou tarde aprendo a paciÊncia





Posted by Sarah on May 25, '08 8:58 PM for everyone
Um mundo de gente acha o máximo nascer em datas especiais. É claro que tem seu lado maravilhoso, que nem precisa ser falado. Mas também tem um lado besta, que é o fato de que é muito imprático.

Em resumo fazem três anos que tento festejar minha boa santa, que me trouxe um beija flor de presente no dia dEla, no nosso dia, e não consigo...

Eu não gostava de ser Sarah. Eu sempre achei pesado. Ser Princesa, mas ser Amarga. Sarah foi uma mulher muitas vezes cruel, vivendo através do deserto sem ter amor por ele. Indo para a cama do faraó por utilidade. Mandando matar a escrava que ela mesma disse que o marido devia usar para ter filhos. E mandando matar junto o filho do marido, portanto, seu sobrinho, já que era casada com o irmão.

Eu não gostava nada de ser Sarah.

Mas minha santa me deu de presente a mim mesma. Ser Princesa mesmo sendo Escrava. Carregar como amargura a dor de meu povo. Ser Bela e Negra.  Ser irmã e mãe dos desvalidos e dos degredados. E carregar no peito um anseio enorme por horizontes que não conheci mas de que sinto saudades. Me confundo dentro dEla, como deve ser com os Santos, com os Heróis, com os mortos sagrados: nos identificar, beber no seu exemplo, tentar se aproximar, de uma energia que é sagrada mas que ainda é humana, não é a luz cegante intoxicante das Divindades, mas algo mais próximo e mais simples.

E passei a carregar com mais orgulho o meu Sarah. Meu Sarah não era mais uma judia arrogante (que tem seus méritos mil, entendam, mas simplesmente, não é o que quero para mim ou vejo em mim, não é meu), mas uma mulher inteligente e misteriosa atravessando o mar e encontrando a si mesma, com humildade e um véu nos cabelos.  (eu e os véus, sempre, né).

Ainda vou para Saint Marie de la Mer. Fora de maio, certamente.  Levando comigo a foto primeira que tiramos do Beija Flor para deixar para Ela, e um manto bem bonito. 

Minha santa sabe que nem sempre conseguimos o que queremos fazer, mas sabe também o quanto pensamentos viajam para onde está o coração.

Como sexta a noite, como ontem. Como meu pensamento vai para minha Santa, que olha da minha porta o mundo, seu manto colorido de amarelo e vermelho. Como a minha Santa que mora no aparador da escrivaninha, junto com minha Senhora, o Senhor Zeus, a Coruja, o Sapo,  o Dragão e a Chama, junto com o trigo e as flores, e que nessa confusão que diz tanto de mim, cercada pela Kitty e pelo Snoopy, minha Santa me olha trabalhar, escrever, chorar e cantar, tirar as cartas e estudar, como me olha o tempo todo, todos os dias da vida.

Velei-me Santa Sarah, eu que não conheço tua língua, eu também peregrina, eu também que cubro meus cabelos em sinal de devoção, eu também desvalida e caminhante, Valei-me Santa Sarah, sem oração, sem segredo, com velas colhidas ao acaso pelo vento, e muita Fé no coração...



Posted by Sarah on May 16, '08 9:08 PM for everyone
Desde quarta feira, me sinto imersa em Zeus. Olho a minha volta, e penso nas construções moleculares todas organizadinhas. Olho a janela e penso na madeira, o vidro, o concreto, e como a transparência e o escuro se complementam para permitir minha visão. Olho para a cidade e vejo os estratos organizados do horizonte, cada faixa sobreposta de construções, árvores, prédios, e as nuvens altas ordenando a sinfonia visual.

As palavras surgindo no papel me fazem pensar no movimento da esfera da ponta da caneta que deixa fluir a tinta. E a tinta desenha no papel. E as pessoas correm e se amontoam nos trens. E os carros passam e param em postos de gasolina. E nos prédios públicos os governantes bem ou mal impõem uma ordem ao mundo em torno deles. E nas casas as pessoas cumprem seus papéis e cozinham e dormem e pensam e as plantas brotam e os animais procriam e as pedras rolam montanha abaixo. E tudo forma um todo organizado, um mundo manifesto.

Me sinto assim, desde de quarta feira. Olho em volta e em tudo sinto a presença da manifestação dEle... salve o que É.

Posted by Sarah on Apr 8, '08 9:04 PM for everyone
Hoje me peguei pensando em como 2007 parece ter durado muito mais do que só um ano. Comparando tudo que aconteceu ano passado, parece uma eternidade. Eu mudei um bocado na minha prática e no meu jeito de encarar a realidade.

Hoje posso dizer que sou uma pessoa mais leve. E me sinto um pouco mais segura na minha prática.

Claro que ainda existem uns momentos quase engraçados de "ai, que eu faço agora?", principalmente com relação a coisas "tontas", ou melhor, coisas que a gente não pensa antes da hora H. Tipo, o que fazer com as oferendas quando vai tirar elas do altar.  Antes eu não pensava muito nisso, porque trabalhava uma relação muito terra, porque Artemis é uma deusa das florestas, e porque eu era mais tapada, então, era para debaixo das árvores que as oferendas iam, e eu normalmente usava frutas, coisas muito simples. Agora, eu fico olhando as oferendas e pensando o que fazer, porque eu tinha vontade de despencar elas de cima de um barranco, sei lá, mas não tenho barrancos disponíveis.

Mas acho que mesmo esses momentos mostram um amadurecimento na minha relação com os Deuses. Ontem me vi indo fazer compras para o meu ritual. .  Fiquei parada um tempão na preteleira dos vinhos pensando que tipo de vinho agradaria mais a Zeus... e me vi dando risada do tempo que eu oferecia e bebia vinho vagabundo, vagabundo mesmo (é necessário lembrar São Roque Monroe, "o vinho maravilha" - quem colocaria um slogan assim numa garrafa?). Mas eu era uma universitária sem dinheiro, acho (espero) que os Deuses relevem minha falta de paladar na época.   

Agora me via pensando que vinho parecia mais com a personalidade do Deus...

Para começar que seria impensável, no começo de 2007, eu fazer um ritual para agradecer a Zeus a presença que tem tido na minha vida. Eu tinha pavor de Zeus e não ousaria me dirigir a Ele. Mas depois de um ano reaprendendo a ser eu mesma,  isso me pareceu tão natural.

Me vejo fazendo outros planos, preparando idéias, me dispondo a coisas, que antes não pensaria. Acho que começo, aos trancos e barrancos, a provar que sou de confiança. Que nem sempre sei o que fazer, que tropeço nas palavras na hora de falar, que as vezes o fogo pula de dentro do caldeirão e eu interormpo o que dizia com um palavrão. Mas que eu entendo o sentido de sublime e me comovo com as pequenas coisas, com a sensação de ser ouvida, de ser acompanhada, não só no rito em si, mas em toda a preparação que fiz para ele.

Meus ritos são diferentes hoje do que eram um ano atrás, e eu sou muito diferente hoje do que era um ano atrás. Não sou melhor ou pior, sou diferente. Eu era quem eu precisava ser naquele momento, e hoje sou quem eu preciso ser hoje. Vivendo e aprendendo a jogar.

 



Posted by Sarah on Apr 8, '08 2:11 AM for everyone
Meu rito de lua nova foi, acima de tudo, um agradecimento a Zeus por sua presença na minha vida. Já percebi que aTorre para mim, de algum modo, sempre pressagia a presença dEle.  Então , aproveitei para agradecer tudo que o Tonante me ensina mesmo quando eu não quero escutar.

E então, enquanto eu falava dos Deuses, me veio a imagem de Hermes quando eu tirei a carta da lunação... e foi o próprio que veio me visitar.

Estou silenciosa ainda pelo rito. Na presença dos Deuses sempre se chora ou se ri, mas eu tendo mais para a primeira...







Posted by Sarah on Mar 21, '08 1:30 AM for everyone
Seria pouco dizer o quanto agradeço tudo que teu raio me clarifica.

Minhas preces se voltam a Ti, agora, em agradecimento a tudo quanto tive de profundamente bom e energizante neste ano. Tudo que aprendi, conheci, todos os amigos que encontrei, toda a fé que foi a cada dia mantida acesa, mais forte, mais intensa.

Agradeço a ti que no clarão do teu raio, ao me cegar, me mostrou minha Senhora.

Agradeço por seres misericordioso comigo, mesmo que teus sagrados planos não coincidam com meu desejo.

Agradeço por cada manhã que se ergueu e cada noite que caiu sobre mim, e a sabedoria que cada dia me trouxe.

Agradeço por tua infinita paciência com nossos erros e enganos, e a gentileza com que nos coloca no caminho certo.

Teu ano foi repleto de dádivas, e eu agradeço, mil vezes. Honro Teu sagrado nome, senhor do raio, Júpiter, Zeus, e me prosto diante de Ti, pedindo que suas bençãos me acompanhem para muito além do teu ano.

Ave Júpiter! eu e os meus te saudamos...



Posted by Sarah on Mar 9, '08 11:13 PM for everyone
(ou seria correto dizer, da natureza do meu medo hoje)

Quando vi a Torre eu assumo meu medo. Medo de se ver no chão, derrubada, o fogo. O fogo é a coisa mais forte para mim na carta da Torre. A mensagem direta vinda do alto: se vc não abrir a porta, Eles arrancam o teto.

Essa semana, cheguei em casa e tomei um susto. Olhando para a roseira, parecia que ela tinha sido vandalizada. Um dos maiores galhos estava virado pra calçada, como se tivesse sido puxado para baixo. O galho estava parcialmente torcido, numa posição que feria bem fundo. Eu fiquei apalermada. Quem poderia ter feito uma maldade dessas? Seria tentativa de roubar algum cacho de rosas? Não é incomum que as pessoas se pendurem no muro para roubar rosas, mas nunca ela foi vandalizada.

Meu coração estava apertado mesmo de ver a fratura no galho. Dolorosa, uma porta para infecção, em um lugar que eu sozinha não podia cuidar. Pedi socorro ao meu pai, quase tão apaixonado por ela quanto eu, e com paciência de se enroscar nos espinhos. Um na calçada, outro na escada, colocamos o galho de volta no lugar. Enrosquei ela como pude no arremedo de muro que temos no momento, amarrei como deu, e ou vi meu pai falando na calçada. "tem um buraco nela ou é impressão minha?"

Ai eu me afastei e olhei. Realmente tinha um buraco nela.

A roseira nasce de um "toco" que já tem quase um palmo de largura, mas que assim que sai da terra se divide em três galhos grossos. Dois pra direita, um pra esquerda. O que está machucado é o da direita. O "buraco" era porque um dos galhos da esquerda, antes enroscado no galho da direita, estava virado pro céu, solto.

E ai eu fui verificando e vendo que ninguém tinha vandalizado a roseira. Ela tinha passado por um processo de poda natural.

Estamos planejando que quando acertarmos o muro no meio do ano, vamos podar a roseira de regra e com o merecido cuidado. Mas ela decidiu que não bastava. Que precisava se livrar agora do que a incomodava.

No caso, um galho mediano que era o que mantinha os galhos grandes enroscados um ao outro.

Seco seco seco, o tal galho já estava morto fazia meses, assim como outros galhos menores no mesmo lugar. Mas não eram visíveis, e era difícil mexer neles como estavam. A gente não sabe o que desencadeou, mas o fato é que a tensão rompeu os galhos secos que prendiam um terço da roseira ao outro. E então, "zupt", um galho pro alto, outro pro chão.

Tirei o que consegui dos galhos secos. Vai tudo virar lenha pro fogo do altar. Ainda tem pedaços secos lá, que eu preciso pegar a escada, dominar meu medo de altura para subir nela e realmente limpar. Com luva de couro e tesoura de poda. Mas já não prendem nada, não pesam, não oprimem.

Ficou uma bela cicatriz, no galho da direita. Quase que toda a parte com folhas dele está depois da parte ferida, mas depois de quatro dias, nenhuma folha murchou além do normal.

Acho que a Torre tem essa coisa de poda. E o medo é isso, esses galhos secos tensionados, que não deixam respirar direito. Que foram úteis um dia (eu mesma enrosquei os dois galhos uns cinco anos atrás, para modelar a forma dela de modo que não atrapalhasse a passagem sem precisar cortar nenhum galho), e que agora já cumpriram seu papel. A roseira cresceu, as estações passaram, a roseira pegou fogo, foi cortada,  floresceu, e hoje é muito mais do que eu sonhava imaginar cinco anos atrás. Florindo o ano inteiro, cachos com trinta, trinta e cinco rosas, os menores com vinte rosas.

E o galho seco lá no meio, tenso e morto. Até partir. E doer. E deixar as folhas livres para saudar o céu de março.

 

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