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Posted by Sarah on May 13, '08 8:12 PM for everyone
Minha semana começou no maior nível de bosta possível, com professoras que não respeitam meu trabalho e falam pelas minhas costas coisas sem sentido falando mal de mim. Ontem fiquei arrasada com vontade de abandonar o ensino e nunca mais voltar. Hoje, movida pela prestação do aparelho de som =P , fui trabalhar. Mas sinceramente, a pouca vontade que me dava trabalhar, depois de tudo que aconteceu, se tornou vontade nenhuma, e eu aceito empregos de qualquer coisa ligada a arte e fora da educação formal.

E essa terça tinha tudo para ser meramente a continuação de uma semana de bosta, como prometem ser todos os dias de trabalho que eu tiver no magistério, essa coisa falida que está em crise porque é podre feita por gente podre que tem como única preocupação sufocar tudo que for diferente, superior ou pensante.

Mas ai, recebo uma ligação avisando de uma reunião com o Márcio Harun, da trupe do Rumos do Itaú Cultural, que ia estar se reunindo com os artistas visuais da cidade. Fui lá. Não tinha muita gente, pelo contrário, mas quer saber? Foi bom. Me fez lembrar de quem eu sou. E eu não sou professora, eu sou a maluca que produz coisas.

É essa que sou eu. Mas precisa coragem para chutar a outra pra longe e voltar a ser quem eu sou...

      

Posted by Sarah on May 6, '08 8:34 PM for everyone
E a tirada para minha lunação foi exatamente a que eu esperava que fosse...

(o que significa que pela primeira vez eu tinha uma espectativa, rs, e pela primeira vez eu "saquei" o movimento a minha volta...)



Eu não estou chorando =) , o que é uma raridade nos últimos dias, porque o que eu mais fiz desde a semana passada foi chorar... rs

vamos ver o que vai rolar...






E acompanhado por...


                         e

























não sei se sou só eu, mas esse 7 de copas é lindo demais!


Posted by Sarah on May 4, '08 7:44 PM for everyone
Hoje tive certeza de que ele está rindo de mim.

Essa lua com o Mago tem se mostrado muito a lua do trickster. Em mil momentos diferentes dessa semana, eu estive a beira de um ataque de nervos, com tudo desmoronando a minha volta. Então, quando eu chegava no auge do pânico... simplesmente as nuvens de chuva sumiam no ar e tudo se resolvia como por mágica.

Eu quase podia ouvir a risada...

Hoje não foi diferente. Mas eu já sabia que ia ter pegadinha. Eu já sabia que não adiantava me desesperar, porque ele ia dar um jeito de rir de mim. Então, relaxei. E sim, a piada veio, mas não me pegou tão em pânico. É claro que não estava preparada, ninguém, nem um trickster, está preparado para o tipo de piada que o trickster faz. Quanto mais eu.

É engraçado porque foi um lado inesperado do mago. Eu acho que a gente meio que torce que a gente não seja o alvo de Hermes, que a gente possa aprender de outro modo. Mas eu sou reconhecidamente um bicho teimoso e bagunceiro, que frequentemente só aprende batendo a cabeça.

Nem posso dizer que entendo tudo que ele me fez. Nem sei se coloco ele com minúscula, o espírito geral dos trickster, ou Ele, num sentido de Hermes mesmo. Não é o desespero da Torre, não me tirou os pés do chão, só me chacoalhou de regra. Só gritou no meu ouvido que não adianta eu achar que posso fazer tudo certinho, porque se eu achar que estou segura demais, ele simplesmente me dá uma resteira e me pega no ar.

E a risada ecoa pelo ar.

A Lórien me perguntou se eu ia deixar para tirar a carta no encontro do grupo ou se ia tirar antes, e fiquei em dúvida. Por um lado, quero tirar no grupo. Por outro, ai que paura de ficar mais uma semana na mira do Mago...




Posted by Sarah on Apr 28, '08 1:15 AM for everyone
meus sonhos tem sido meio rave ultimamente. Sonhos bons, é certo, como a muito eu não tinha. Como se fosse acontecer outro eclipse de saturno (isso foi um dos sonhos mais legais da minha vida...rs). Tantas pessoas que eu só conheço de avatar se perfilaram na minha mente, e quantos amigos que passaram para fazer uma visita.  E lugares deslumbrantes.

Estou imaginando quando vou visitar o velho Fiddler's Green.  Não literalmente, porque apesar do meu desejo de morte recorrente, eu ainda não quero beber desse rum, mas em sonhos.

Fico aqui imaginando como será o sonho dessa noite. Hoje senti vontade de escrever, pela primeira vez em meses. E ontem finalmente, voltei a desenhar. Não é como aquele impulso criativo brutal da Estrela, é mais contido, mais disciplinado, mais contínuo.

Me sinto bem. Melancólica, talvez, cansada, muito. Mas me sinto melhor agora, já que não adianta me exasperar, e as cartas foram tão claras em me lembrar que tudo acontece da melhor forma.







 











quer me fazer feliz? »»»»»»»»»»»»»



Posted by Sarah on Apr 8, '08 2:11 AM for everyone
Meu rito de lua nova foi, acima de tudo, um agradecimento a Zeus por sua presença na minha vida. Já percebi que aTorre para mim, de algum modo, sempre pressagia a presença dEle.  Então , aproveitei para agradecer tudo que o Tonante me ensina mesmo quando eu não quero escutar.

E então, enquanto eu falava dos Deuses, me veio a imagem de Hermes quando eu tirei a carta da lunação... e foi o próprio que veio me visitar.

Estou silenciosa ainda pelo rito. Na presença dos Deuses sempre se chora ou se ri, mas eu tendo mais para a primeira...







Posted by Sarah on Mar 24, '08 12:55 AM for everyone
e não adianta achar que não sobrou nem cinzas, sempre tem algo mais para queimar...

Posted by Sarah on Mar 9, '08 11:13 PM for everyone
(ou seria correto dizer, da natureza do meu medo hoje)

Quando vi a Torre eu assumo meu medo. Medo de se ver no chão, derrubada, o fogo. O fogo é a coisa mais forte para mim na carta da Torre. A mensagem direta vinda do alto: se vc não abrir a porta, Eles arrancam o teto.

Essa semana, cheguei em casa e tomei um susto. Olhando para a roseira, parecia que ela tinha sido vandalizada. Um dos maiores galhos estava virado pra calçada, como se tivesse sido puxado para baixo. O galho estava parcialmente torcido, numa posição que feria bem fundo. Eu fiquei apalermada. Quem poderia ter feito uma maldade dessas? Seria tentativa de roubar algum cacho de rosas? Não é incomum que as pessoas se pendurem no muro para roubar rosas, mas nunca ela foi vandalizada.

Meu coração estava apertado mesmo de ver a fratura no galho. Dolorosa, uma porta para infecção, em um lugar que eu sozinha não podia cuidar. Pedi socorro ao meu pai, quase tão apaixonado por ela quanto eu, e com paciência de se enroscar nos espinhos. Um na calçada, outro na escada, colocamos o galho de volta no lugar. Enrosquei ela como pude no arremedo de muro que temos no momento, amarrei como deu, e ou vi meu pai falando na calçada. "tem um buraco nela ou é impressão minha?"

Ai eu me afastei e olhei. Realmente tinha um buraco nela.

A roseira nasce de um "toco" que já tem quase um palmo de largura, mas que assim que sai da terra se divide em três galhos grossos. Dois pra direita, um pra esquerda. O que está machucado é o da direita. O "buraco" era porque um dos galhos da esquerda, antes enroscado no galho da direita, estava virado pro céu, solto.

E ai eu fui verificando e vendo que ninguém tinha vandalizado a roseira. Ela tinha passado por um processo de poda natural.

Estamos planejando que quando acertarmos o muro no meio do ano, vamos podar a roseira de regra e com o merecido cuidado. Mas ela decidiu que não bastava. Que precisava se livrar agora do que a incomodava.

No caso, um galho mediano que era o que mantinha os galhos grandes enroscados um ao outro.

Seco seco seco, o tal galho já estava morto fazia meses, assim como outros galhos menores no mesmo lugar. Mas não eram visíveis, e era difícil mexer neles como estavam. A gente não sabe o que desencadeou, mas o fato é que a tensão rompeu os galhos secos que prendiam um terço da roseira ao outro. E então, "zupt", um galho pro alto, outro pro chão.

Tirei o que consegui dos galhos secos. Vai tudo virar lenha pro fogo do altar. Ainda tem pedaços secos lá, que eu preciso pegar a escada, dominar meu medo de altura para subir nela e realmente limpar. Com luva de couro e tesoura de poda. Mas já não prendem nada, não pesam, não oprimem.

Ficou uma bela cicatriz, no galho da direita. Quase que toda a parte com folhas dele está depois da parte ferida, mas depois de quatro dias, nenhuma folha murchou além do normal.

Acho que a Torre tem essa coisa de poda. E o medo é isso, esses galhos secos tensionados, que não deixam respirar direito. Que foram úteis um dia (eu mesma enrosquei os dois galhos uns cinco anos atrás, para modelar a forma dela de modo que não atrapalhasse a passagem sem precisar cortar nenhum galho), e que agora já cumpriram seu papel. A roseira cresceu, as estações passaram, a roseira pegou fogo, foi cortada,  floresceu, e hoje é muito mais do que eu sonhava imaginar cinco anos atrás. Florindo o ano inteiro, cachos com trinta, trinta e cinco rosas, os menores com vinte rosas.

E o galho seco lá no meio, tenso e morto. Até partir. E doer. E deixar as folhas livres para saudar o céu de março.

 

Posted by Sarah on Dec 26, '07 11:40 PM for everyone

A Estrela


O que você reparou primeiro no arcano?

Na mulher despejando água da jarra na água do lago

Tema da carta:

cura, iluminação, guia, impulso criativo, esperança

O que está acontecendo na carta?

Uma mulher loira, ajoelhada na beira de um lago, depseja a água de um jarro. No fundo, um pássaro pousa (ou levanta vôo) de um arbusto. Vemos uma árvore. No cé, estrelas cercam uma imensa estrela de muitas pontas.

Como se sente frente ao arcano?

Insegura, mas pacificada. A Estrela me trás uma insegurança que eu não sei definir. A vez anterior que tirei a carta me vi apavorada por ela... eu sei, é surreal. Ao mesmo tempo, sinto uma relação de cura muito intensa com essa carta. É como se a luz da estrela fechasse minhas feridas, como se aquela água subconsciente me lavasse as cicatrizes, como se aquela mulher me colocasse na cama, trocasse minhas ataduras e cantasse para eu dormir. Ao mesmo tempo, ligo muito a produção artística / artesanal. Foi na Estrela que tive o fôlego de começar com as deusinhas, afinal.

Associações:

Lúthien e a Silmaril foi a primeira relação que tracei. Além disso, Stardust, por motivos óbvios, rs. A estrela também me faz pensar em divas do cinema, Alfonse Mucha, pintura naiff, a estrela D'Alva, Vênus (a Deusa), e eu ainda estou traçando relações, então pode aparecer algo mais.

Perspectivas para a lunação:

Espero tomar fôlego e conseguir ordenar coisas que antes eu me sentia incapaz de fazer. Minha Torre foi aquela coisa dos Deuses arrancando meu teto: agora sem ele, a luz das estrelas chegou em mim. Espero conseguir levar as Deusinhas para um novo patamar de trabalho, e espero juntar forças para aguentar um ano que se inicia sem certezas de nada.
Espero ler muito, me divertir e levar coisas adiante que estavam estacionadas (como minha casa). ps- consegui passar adiante da história dos Sapatinhos Vermelhos no Mulheres que Correm com os Lobos. Acho que não estou mais dançando com o diabo... estou dançando por gostar... =)

Posted by Sarah on Dec 26, '07 1:25 PM for everyone
Para quem tiver preguiça de ler o post enorme...rs


Minha carta da lunação é...
e eu me sinto bem... ^_^


Posted by Sarah on Dec 26, '07 1:17 PM for everyone
Meu ritual de lua cheia começou dia 23 e só terminou quando fui dormir essa noite. Natal é a festa da minha família, a festa dos meus antepassados. Falamos dos presépios que vieram da Itália e de Portugal, montados por minhas bisavós (e dos quais sobreviveram um camelo e um pastor em terracota), e do presépio que minh avó montava, substituido em 2004 por este atual, que eu comprei e pintei e que a cada ano adicionamos algo novo. 

Decorei a minha varanda, passei a noite do dia 23 montando decoração, embrulhando presentes, pendurando luzinhas. As luzinhas, memória recente, do meu falecido avô, que adorava luzinhas de Natal, e sempre comprava piscas que espalhava pelos lugares mais inusitados da casa... Os presentes, que não são presentes de obrigação, mas de amor, que eu embrulhava pensando e desejando o melhor para cada um que ia receber. E colocando cartões de feliz natal em caixinhas de incenso, para que ninguém venha a minha casa e saia sem uma lembrança...

O dia 24 amanheceu, mas eu tive o prazer de ver a D'Alva brilhando para mim no céu. Todos adormecidos, e eu tendo o prazer da visão de Vênus, surgindo como que por magia no céu azul e lilás que precede o sol. Arrumei a varanda, dispondo mesinhas e cadeiras e cinzeiros de modo que todos ficassem confortáveis, conversas sussurradas passassem desapercebidas, as mesas ficassem de fácil acesso sem gente amontoar nelas. Uma toalha de mesa especial aqui, uma canga cobrindo o sofá ali, e recebi elogios, porque eu tenho visão para essas coisas...rs

Dormi o bastante para descansar, terminar coisas de última hora, e tomar um banho que foi por si só um ritual. E então, preparar o meu clássico tricolore com molho de champignons, arrumar a mesa farta, juntar as pessoas e me divertir. A meia noite, primeira fase da troca de presentes. Cidra de morango, porque eu gosto muito. E então, quando a lua cheia era um disco imenso iluminando tudo, discretamente sair de perto de todos, ir para meu altar, onde, entre o golfinho de Apolo e o busto de Ártemis, está minha mais bonita echarpe preta (afinal Ela é a "do escuro véu"). Acender minhas velas, e começar a agradecer. Agradecer fato a fato, pessoa a pessoa. E então, acendidos os incensos, feitas as ofertas, tirei a carta, no meu velho velho baralho, já que não consegui encontrar nem o art noveau nem o Waite (que deveriam estar no meu armário mas sei lá onde se esconderam).

E lá estava a Estrela brilhando para mim.

Fui dormir altas da madrugada, com o Beija Flor animado me explicando que tinha ganhado pinguins e ursos polares e caminhão e carro e ele falava do "papai Oel", e que ele "que mais pesente". Eu deitei ele e expliquei que se ele fosse um menino bonzinho a Befana ia trazer mais presente dia 6 da janeiro.  Falei o versinho sobre ela, e ele ria,  mas quando eu falei que então ele precisava obedecer a gente, e não fazer birra, ele puxou o cobertor, virou pro lado e não quis mais papo...rs Cantei pra ele, e fui dormir.

Dia 25 foi dia de comer o dia inteiro, porque cada um que chegava trazia comida suficiente para mais um almoço. E ficamos conversando e rindo e falando besteira e fumando e bebendo, até quando as quase três da manhã o AND e o Agostinho foram para casa, depois de eu finalmente vencer uma partida de Once Upon a Time e de planos para o ANo Novo serem feitos. Beija Flor estava empolgado com tudo, dormiu na nossa cama sem a menor cerimônia.

E assim eu fiz meu natal ser meu rito, sendo ele todo um ritual, sendo ele todo um esforço de amor, de auxílio mútuo, de dar presentes e receber presentes, que não são objetos meramente, mas são símbolos, de que somos uma família, eu, meus amigos, e até alguns membros da família de sangue. E que todo esse carinho é premiado com mais carinho, e com uma carta luminosa para um ano novo que comece com o auspício da D'Alva, que me deu um epsetáculo particular na madrugada do dia 23 e da Lua Cheia que participou da festa, o tempo todo visível e risonha olhando enquanto riamos na varanda.

Posted by Sarah on Dec 14, '07 12:04 AM for everyone
Essa torre, mais do que tudo, tem me botado pra pensar. Coisas que estão sobrando, que serviram um dia, no passado, e não servem mais. E isso se reflete em coisas simples como minha decisão de mandar embora um monte de roupas do guarda roupa (cansei de jeans velho, não sou mais assim. camisetas que não gosto, vão todas embora. roupas que não me caem bem, tchau), embora isso não seja tão fácil assim, porque eu realmente gosto de  ter muita roupa e gosto das minhas roupas, então tenho um problema grave em me livrar delas, mas, principalmente, se reflete em coisas muito maiores e mais complexas, como minha personalidade.

Eu sou um bichinho muito explosivo. Explosivo do tipo "nervo exposto". Eu brigo, eu falo alto, eu reclamo, e muitas vezes, uma pequena agressão contra mim volta ao agressor feito um furacão. Tem um motivo para ser assim, claro que tem. Quando eu era uma menina, eu era muito muito sucetível. E tudo me machucava. E existem situações em que, quando as pessoas descobrem que você é sensível, elas fazem de tudo para agredir. Então, adicione a isso minha relação muito íntima com a perda, 8 anos infernais na escola e você tem o circo armado para criar alguém assim feito eu: que quando pressente a agressão, agride de volta, que tem um ligeiro descontrole da raiva, e que briga e surta muito mais do que seria saudável.

 Não digo que eu esteja errada nos motivos das minhas brigas: não, na maioria das vezes, minha ira é plenamente justificada. E por isso, as pessoas acabam achando que eu sou assim mesmo e não adianta falar nada, e em muitas situações, aproveitam para ao invés de darem elas mesmas a cara pra bater, jogar a bomba na minha mão. Ou então, fingem que nada acontece, e deixam para lá.

E eu sei que essa explosão toda já foi útil, eu diria até, necessária. Porque um dia eu deixei de ser vítima e virei sobrevivente, e mais que isso, virei alguém que enfrentava, lutava, não deixava barato. E isso me fez chegar até aqui, ao invés de desistir no meio do caminho. Quando eu estava realmente afundando, era minha fúria que me levava de volta. Eu aprendi a ser ferina, irônica, cruel. E passional, absolutamente passional. Me entregar a raiva me fez aprender a me entregar a tudo: amor, paixão, prazer, aventura, dor, amizade, fé,  tudo.

Resumindo, essa era uma capa que me serviu muito bem, uma máscara honorável que usei por muito tempo e se tornou, de certa forma, confortável.

Só que cansou. Eu não preciso mais disso, não preciso mais ser assim.

Eu não sou gabriela, eu não nasci assim. E mesmo que tivesse nascido, não acredito em vou ser sempre assim. Eu me moldo ao meu ambiente e meu ambiente me molda, e eu aprendo e me transformo. E eu jogo tudo pro alto e começo outra história se eu precisar.

E agora, sinto que preciso, porque esse manto de ouriço não dá mais, já cumpriu o seu papel, e agora eu quero tirar, mesmo que precise tecer do zero um manto novo, mesmo que não tenha idéia do que quero costurar nele, que máscara vou prender no manto, que penas, que guizos.

Quero voltar a ser sutil, ligeira e delicada, com minha alma inteira. Aprendi força enquanto fui assim, feito um carcajú, um arminho, agressividade pura. Agora quero saber que hora gritar e que hora me impor pelo silêncio. Que hora preciso lutar e quando me entregar sem discussão. Ontem, no conselho, depois de todas as brigas nos dias anteriores, mandei tudo andar e fiquei desenhando, discutindo caso só quando me perguntavam opinião. Curioso foi que todas as brigas que normalmente eu teria comprado e feito acontecer, outras pessoas colocaram na pauta, e eu não me estressei. Me deixeilevar pela maré, e quer saber? Foi ótimo.

A Torre tem sido bem pesada, preciso escrever ainda sobre isso, absorver melhor certas pancadas. Mas acho que o que está me deixando mais marcada é essa idéia tão surpreendente de deixar mair meu velho manto e costurar um novinho para quem eu sou agora.





Posted by Sarah on Nov 26, '07 3:50 PM for everyone

O que você reparou primeiro no arcano?

O relâmpago. Quando tirei a carta, ele focou toda minha atenção

Tema da carta:

destruição do que ficou atrás, abandono do velho, queda pelo orgulho, rompimento da zona de conforto.

O que está acontecendo na carta?

Um relâmpago arranca o topo de uma torre. Duas pessoas são arremessadas em uma floresta densa (que "amacia" a queda). É noite. Na moldura da carta, pássaros, possívelmente águias. (no Art Noveau)

Como se sente frente ao arcano?

Apavorada (rsrsrsrsrsrs) É familiar, mas me deixa insegura, imaginando de onde vou cair.

Associações:

Vontade divina, Shiva, catedrais, castelo de cartas, incidente das torres gêmeas, no tarot mitológico, Posseidon.

Perspectivas para a lunação:

Mudanças de percepção, fogo, inesperado, libertação. Acho que está relacionado a meu trabalho, que está passando por um momento de torre.

 

 

 

 


Posted by Sarah on Nov 25, '07 12:03 AM for everyone

no livro da Sallie Nichols:

"nesses casos, os deuses devem achar um modo dentrar - a força, se necessário"



Posted by Sarah on Nov 12, '07 11:10 PM for everyone


eu estou com um sério problema nos últimos tempos. estou extremamente polarizada: ou estou empolgadíssima, luminosa, ou estou caindo pelos cantos incapaz de um pensamento positivo, querendo desaparecer da existência. ou produzo loucamente, ou fico parada diante do papel, da tela, da tesoura e do tecido, sem reação. Me sinto poderosa ou fracassada, sem meio termo, sem normalidade, e fico zanzando dentro da minha própria mente tentando me enxergar, e parece tudo escuro.

O que mais me incomoda nisso é a tendência a me diminuir para mim mesma que minha mente tem. Minha mente me força para baixo: como se uma parte doentia e amargurada em mim quisesse me afogar, me fazer pensar que não sou nada, não sirvo para nada, não presto, sou inútil, etc, etc, e etc., todas aquelas coisas que quando a mente quer nos pregar um peça ela fala.

Só que eu não sou mais uma garotinha, e já não tenho saco para crise existencial. Mas me vejo impaciente e insegura, olhando a noite como se implorasse uma resposta que, eu sei, não vai vir de lugar algum como se  brotasse do ar. Esse vazio que me devora por dentro não vai sumir. Está lá, e faz parte de mim. Não digo eterno, mas presente, neste momento e por muito tempo. Ela disse que não ia fechar, que eu devia aceitar e aprender, e não precisava avisar o quanto seria ruim, porque isso é óbvio e implícito de ter um buraco em você e saber que vai continuar lá.

Mas quando a gente joga os dados, sabe que pode dar dez ou pode dar um. E eu arremessei os dados faz tempo, e fico olhando para cima imaginando onde os dados vão cair. E não importa se vai dar o mínimo, o máximo ou o que, porque eu joguei os dados, e no final é só isso que faz diferença.
 



Posted by Sarah on Nov 6, '07 12:07 AM for everyone
o núpcias de cadmo e harmonia tem sido minha companhia constante nos últimos dias. E tem me feito fumar mais cigarros que de costume, eu assumo. Eu conhecia o Roberto Calasso pelo também maravilhoso Ká: que para mim, foi um devaneio. Sendo bem mais grosso que o Núpcias, eu devorei em um dia e meio.

Claro que ainda volto e releio, sempre. Quando me sinto confusa, por exemplo, vou até ele, releio quase sempre as mesmas partes, que já abrem sozinhas. Vejo Rudra se tornando Shiva, vejo Shiva se enamorando de Shakti.  Sempre Shiva, tenho um ponto focal na minha leitura.

Mas o Núpcias tem sido diferente. Tem me trazido mais perguntas do que respostas, e me deixado pensativa. Ainda não consegui chegar ao final. Volto para trás volta e meia. Releio, tenho novos pontos de vista sobre nuances do texto. Me faz pensar no Elias Canetti, maravilhoso, que me fez repensar minha escrita e minha relação com o mundo, mas me enlouquecia enquanto eu lia.

Eu tenho uma relação visceral com os livros. Eles me consomem. Eu literalmente passo mal, perco o fôlego, surto, rio alto,  falo sozinha,  grito. Tive momentos memoráveis, deixando escapar um grito de batalha enquanto lia , no Senhor dos Anéis,  a cavalgada dos Eorlingas na Batalha do Abismo de Helm. Ou chorando em meio a sorrisos enquanto acabava o Crônicas de Nárnia. Deitada catatônica no jardim da escola depois de acabar O Apanhador no Campo de Centeio, com catorze anos de idade. Largando a leitura da Balada de Beren e Luthien, no Silmarillion, para beijar e agarrar apaixonadamente o Koshari. Eu tenho uma enorme tendência a chorar no fim dos livros porque a história está terminando, porque vou acabar a leitura, e queria continuar sempre. Meus livros de poesia ficam em estado lastimável, carregados para cima e para baixo. Eu reli As aventuras de Huckleberry Finn tantas vezes que meu avô encadernou e gravou meu nome na capa do livro, porque era quase parte de mim, era meu melhor amigo de infância.

O Núpcias tem sido desses livros que me fazem arrepiar, ficar pasmando olhando a chuva, enquanto ligo uma imagem a outra e a outra e a outra. Enquanto me perco labirintica em meu próprio olhar, parando por um tempo em uma única palavra, retomando um verso, pesquisando alguma coisa na internet. Estou com dois artigos sobre Supernatural entalados, o primeiro deles quase pronto, mas quem disse que consigo falar de bode expiatório e Azazel quando tenho na mente os Deuses, os heróis, as mulheres gregas?


E eu vou lendo, mais lenta do que queria, mais rápido do que deveria. Não consigo anotar nada, e sei que vou recomeçar da primeira página tão logo vire a última. Desta segunda vez, familiarizada com o texto, vou anotar, marcar páginas, xerocar coisas para poder anotar e recortar. Comparar com os Rennés, meus livros de cabeceira sobre os tipos dentro da mitologia. E com o Junito.



ps. fiz uma tela hoje. Meu arcano. Não vou dizer que gostei dela, mas dá para ver que estou mais fluida, estou deixando a pintura ficar mais solta e menos tecnicista. Eu me prendia demais, ficava uma coisa forçada. Ainda não está como quero, mas já é alguma coisa.

 


Posted by Sarah on Oct 23, '07 12:10 PM for everyone
Estou com essa coisa do "serivr" na cabeça faz mais de um mês. Desde o meu Papa, e também desde que rolou todo aquele frisson de gente querendo saber se é filho de quem com que, sendo até invasivo na vida alheia (e alheios com que me importo...e com quem tendo a ser defensiva).

E eu, que não tenho idéia (e no momento nem necessidade) de saber de quem sou filha, porque me coloquei a serviço de Alguém, e portanto tenho que honrar esse laço, ntes de qualquer outro que eu venha a desenvolver, sai do Papa e fui para no Imperador. Fui da cozinha para o templo, e do templo para a barraca de campanha (que para mim é onde se manifesta o Imperador). E como Imperador me vi nessa coisa de me permitir "to boldly go where no man has gone before". O que é bom, porque eu tenho uma tendência forte a me anular nas coisas, e é bom tomar o controle um pouquinho. Mas ai, nos últimos dias, comecei a vivenciar um outro lado. Um lado solitário do Imperador. O lado do peso de se governar.

E ai, ontem a noite minha mãe diz " A monja Coen vai estar lá embaixo amanhã, as onze e meia. Quer que te ligue quando estiver indo?"

Lá embaixo, para saber, é o Teatro Municipal de Mauá, que fica no baixio da minha rua.

Ela nem perguntou se eu queria ir, porque sabia que a resposta era sim.

Chegando lá, a primeira coisa que ela fez, foi fazer todo mundo respirar, se concentrar, porque como ela disse, quando a gente chega a um lugar, cada um está com um ritmo diferente, carregando um saco cheio de coisas diferentes, que é preciso deixar de lado para escutar.

E então ela foi falando, sobre a vida dela, sobre a educação, sobre como tudo está conectado. Como quando vemos um lenço de algodão, vemos a floresta que havia lá, os pássaros que voavam, o lenhador que cortou a árvore, a mãe do lenhador que preparou seu almoço, os lavradores que prepararam a terra, a lua, as estrelas, o sol que brilhou sobre aquele campo de algodão, e num lenço de algodão, está contido o universo.

Ela relembrou o cumprimento "namastê", que diz que "o sagrado em mim reconhece o sagrado em você", e que quando se trabalha com o criminoso, o desorientado, o "ruim", não é com o lado distorcido que a gente trabalha, mas com a divindade que habita ali, e que também faz parte de nós, e nos une como um, a todos e tudo.

E ela falou um mundo de coisas que me deixaram os olhos marejados a maior parte do tempo da palestra, porque é muito, muito bom se reconhecer em algo, e eu me reconheço muito nas palavras dela. Sua voz sempre calma, sempre firme, sempre acessível, sua risada tão natural, seu movimento quase de dança. E eu, que esqueci meu caderno, não anotei, mas guardo no fundo de mim. Daqui dez minutos ela vai repetir a palestra, mas estou cuidando do André e ele não está em uma idade que aguente uma palestra de uma hora e meia...

Mas então ela falou de coisas que realmente me arrepiaram. Já que o assunto era esse, "liderar é servir", eu posso dizer que ela era a própria manifestação do meu arcano. E ela falou da raiva. E foi liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiindo. Porque ela não disse que raiva é errado ou ruim, muito pelo contrário.

E ai eu lembrei de todas as conversas sobre Ares.

Nas palavras dela, a raiva é humana e necessária. É a raiva que faz com que a gente sinta indignação quando o outro sofre, e a raiva é a força que permite a transformação. A raiva é importante, e quando a gente tem vergonha da raiva, sublima ela, ela explode de modo errado. Ela falou de como as pessoas tem vergonha de dizerem que sentem raiva: a gente sempre fala que o outro provocou a raiva, mas o sentimento é nosso, pertence a nós, se manifesta em nós, e não temos que negar isso. Mais: não adianta dar outro nome para a raiva, porque ela vai continuar morando lá, dentro de nós. A raiva é necessária e movimenta a trnasformação, só a raiva nos permite mudar o mundo, porque a raiva é o veículo da compaixão.

Quando sentimos raiva de algo, então, sentimos compaixão e empatia por alguma coisa oposta a nossa raiva. O conflito é parte da nossa natureza, e precisa ser aceito como tal. Mas é preciso ver que o conflito é natural, mas existem muitos modos de resolver o conflito: pode ser de modo não violento, responde a monja. A agressividade é natural: a violência é opção.

E lembrei então de como Ares pode ser um Deus ligado a amizade, a conjunção das pessoas, e de repente, até de compaixão: cmpaixão, que não tem nenhuma relação com pena, mas que é a força que faz eu sentir com o outro e me move a lutar para mudar a realidade.

Ela também falou uma coisa muito forte sobre a maneira de ver o mundo. O chacal é violento, porque é pequeno, e sua visão não atinge longe. Então, ele se defende do mundo, que, sendo desconhecido, o agride. Mas não precisamos ver como o chacal: podemo ver como a girafa, que olha a distância e por ver longe não sente medo, por isso não precisa ser violenta. (eu acrescento que é importante lembrar que o coice da girafa é uma das coisas com o carimbo "abolutamente mortal" da natureza). É preciso reagir, mas é preciso ver.

E tem a questão do servir com a amorosidade, porque liderar é servir com amorosidade. É preciso se ver como alguém que amorosamente serve aos outros.

E lá está o Imperador, de novo, sendo o construtor dedicado, que ergueu o império por amor a algo. E que governa não como um fardo, não com solidão, mas que governa em amor e  harmonia, como um caminho em que ele serve aos outros quando os governa, para gerar paz, sustentabilidade, harmonia, que é ele mesmo uma pequena parte do todo, e que governa com tanta dedicação quanto o sapateiro faz sapatos ou o forjador faz arados, e com a mesma simplicidade com que se varrem as ruas. Isso, se, um belo dia, ele não estiver vestido de mendigo, sentado na praça ouvindo o povo.


update- eu estava esquecendo de dizer, que a própria postura dela mostrava essa coisa de que agressividade e conflito não necessariamente levam para a violência, porque a postura dela era muito incisiva, agressiva até em certos aspectos, embora sempre não violenta. Até os monjes tem um lado voltado para a guerra... mesmo usando outras armas.

Posted by Sarah on Oct 19, '07 1:07 PM for everyone

Esse mês tem me trazido um lado do IMperador que não tinha aparecido antes: a minha relação com as pessoas. Peraí, sarah helena, que raio de relação você enxergou entre o Imperador e seus relacionamentos?

Eu enxergo o Imperador como uma carta de sociedade. O Imperador comanda alguma coisa - um reino. E um reino é composto de pessoas. Durante a minha vida eu muitas vezes assumi um papel de Imperador nas minhas relações.

Poderia dar um monte de exemplos, mas deixa pra lá. Acho que em certos momentos, por mais que eu me veja como uma completa avoada. perdida e maluca, eu servi de exemplo, mesmo que de mau exemplo...rs .  Eu nunca fui  só mais alguém na multidão,  o que pode soar absurdamente arrogante, mas é só parte do "libra way of life".  Librianos não passam desapercebidos, nem quando querem. Obvio que não é assim o tempo todo, mas librianos tendem a ter um adesivo colado neles escrito "glow in the dark".

Quando penso nas minhas relações, como minha casa tende a ser um ninho para as pessoas, como as pessoas me procuram, como os alunos me enxergam, como eu fiquei adulta muito nova, e admiração que eu arranquei das pessoas em um monte de coisinhas, eu me enxergo como Imperador.

Continuo achando que sou uma coisinha, fraca e insignificante, na maior parte do meu tempo. Mas sabe, dessa vez, estou no clima do que o Aeclectic tarot diz (e eu estou morrendo na preguiça de traduzir): "It is a card that gives the Querent permission to be aggressive, brave, bold and in command."

Pois é. Afinal, no art noveau, o Imperador é Zeus. E esta na hora de eu lembrar dessa força em mim...

Observo como algumas pessoas tem me olhado, e sorrio com uma pontinha de "eu não sou melhor, mas nisto eu estou além". Tenho assumido um papel de Imperador nos últimos dias. E quer saber? Estou me divertindo com isso...



Posted by Sarah on Oct 14, '07 11:59 PM for everyone
Resolvi começar um projeto novo. Simples, mas tratando de um assunto que gosto muito ligado a outro assunto do qual gosto demais. A cada semana, vou escrever um artigo tratando do tema do episódio de Supernatural da semana (começou a terceira temporada... maravilhoso). Estou agora terminando de escrever o 3.01, e o 3.02 já está pronto, só não publiquei ainda porque quero deixar na ordem.

Eu adoro folclore, causos de fantasmas, coisas ditas "sobrenaturais", das bem pop. Adoro e coleciono informações sobre isso. E poxa, esse conhecimento fica parado a maior parte do tempo. Então, vou juntar isso a diversão que é conversar com outros fãns da série, e por o conhecimento em movimento.

Paralelamente, me proponho que a cada artigo que eu escrever para o seriado, vou escrever um outro (com uma visão bem diferente do folclore =P ), tratando de  sabedoria popular ou outros assuntos pro Stregheria Prática.

Me sinto (finalmente) entrando nesse lado de fazer as coisas que o Imperador nos propoe. Tendo gana não simplesmente de começar projetos, mas de dar fôlego a eles, de levar adiante e colocar nos trilhos, senão pra sempre, pelo menos por um bom tempo.

Posted by Sarah on Oct 7, '07 1:20 AM for everyone

(não resisti a essa foto)


O que importa é o seguinte: preparem a pira, vou queimar essa coisa! Agora está morto e eu estou livre... e em uns 50 dias eu tenho meu diploma (bom, tenho a firmeza de pensamento de que está tudo certo).

Eram quatro horas da manhã quando eu terminei de imprimir.

Refiz algumas páginas que tinham, Gaia sabe como, perdido a formatação e ficado com o texto desalinhado. Olhei as 71 páginas e só conseguia pensar em todas as coisas que não tive tempo de incluir na pesquisa. No arquivo de anexos para o texto que eu tinha separado e desapareceu. Das referências que tenho certeza ficaram faltando.

Mas eu simplesmente coloquei a espiral, enfiei num saco plástico e foi dormir as duas horas que pude antes de ir entregar meu encosto. Temos horas em que temos que parar e deixar ir. Tudo bem, agora eu tenho duas linhas diferentes de mestrado que quero fazer, aprofundando minha pesquisa, mas ok.

Quando cheguei em São Bernardo, eu estava zumbizando. Fiz as duas avaliações que faltavam, nem sei como. Fui respondendo, e terminei bem rápido. Ótimo. Fui sentar na sala onde iamos esperar para apresentar a pesquisa. A gente ficava sentado em fileiras, na ordem em que iamos apresentar. A orientadora ia chamando, e você ficava imaginando o que ela perguntava, o que falar, e eu olhava a capa com o título que eu tinha mudado uma hora antes de imprimir,  e tive que alterar coisas  na introdução para justificar o título, sem muita certeza se estava melhor daquele modo (eu mudei o ângulo da pesquisa no meio do trabalho, quando comecei a analisar as grades curriculares dos cursos superiores em arte educação).

Olhei o abstract (eu pedindo socorro ao Helder no MSN as duas da manhã porque não conseguia pensar na tradução, minha cabeça latejava em pensar em inglês), folheei  meu encosto todo enquanto esperava as três pessoas que estavam na  minha frente. Eu fiquei ouvindo outras pessoas da minha turma falando sobre seus trabalhos, e de repente eu percebi que o que para mim foi uma pesquisa superficial e ineficiente, ainda era mais profundo que a média ali. Odeio quando as pessoas não se levam a sério. Uma menina lia a monografia com cara de pânico, e tenho quase certeza de que não foi ela quem escreveu nada daquilo, ela claramente não estava familiarizada com nada. Pensei nesta semana, terça, quinta e sexta não trabalhei e fiquei das dez da manhã as quatro da manhã só trabalhando na pesquisa.

Me senti muito bem. Saber que, errado ou certo, bom ou ruim, é meu. Eu escrevi, eu referenciei, eu analisei os dados e eu fiquei maluca ao ponto de ter acessos de raiva sem sentido. 

Quando sentei na frente da examinadora, e comecei a falar da pesquisa, do motivo, das razões, sobre as surpresas que apareceram, a legislação, quando me vi citando pareceres e ela praticamente não perguntava porque eu ia falando. Ela no fim me parabenizou, eu disse que pretendia continuar a pesquisa com dados mais amplos, ela achou o máximo.

E então, eu estava livre.

Fui para o Anime ABC (estamos com o tabuleiro do RPG Quest Live lá, e estou me divertidno com as bizarrices que aparecem). E agora, estou numa boa. Estou livre. Posso voltar ao msn, aos meus outros projetos. Estou feliiiiiiiz e leve, leve como pluma.

É isso ai. O Imperador está começando a dar o ar da graça.



Posted by Sarah on Sep 28, '07 12:16 AM for everyone


Aconteceu uma coisa muito interessante no meu ritual ontem a noite. Eu assumo que tenho uma certa dificuldade com o lado masculino da divindade. Meu rompimento com o cristianismo foi brutal, eu e o Deus cristão (que já tinhamos nossas diferenças quando eu servia a ele) realmente não olhamos um na cara do outro. Amo o catolicismo: Nossa Senhora, os Santos, o Espírito Santo, o Deus Pai é totalmente ignorável...rs  E eu no tempo que passei com o povo da wicca nunca me ajeitei com o Chifrudo deles.

Meu Deus era Dionísio. E Hórus. Que eram poderosos, sexys, sábios, e no caso de Dionísio, sabia, muito bem, dançar. Mas com quem eu conseguia uma relação, um olho no olho.

Quando conheci Shiva, eu literalmente me apaixonei. Durante meses homem nenhum no mundo despertava meu interesse. Só Meu Senhor de Brancos Pés de Lótus, só o sagrado dançarino nas piras funerárias, tocador de tambor, fumador de haxixe, sábio além dos sábios.  Shiva era a voz que adoçava meu sono, e a palavra mais suave que permanecia nos meus lábios. Só que o hinduismo é uma religiosidade complexa e eu nunca tive coragem de realmente prestar culto a Ele. Porque não ousaria arriscar ofende-lo fazendo algo errado.

Acabei indo parar em Dionísio, de volta. Existe uma ligação entre os dois, toda a relação com o êxtase, com o andar entre os homens, e coisa e tal que não vem ao caso agora. Só que minha relação com Dionísio é baseada em ações cotidianas, não em práticas rituais. Eu simplesmente não consigo. Não sei acender uma vela e rezar para ele. Eu preciso ir para a pista e dançar até perder o chão, e ai meu pensamento começa a entoar "Evoé, evoé Baco", e eu danço até o joelho falhar, o ar acabar, e ai eu saio andando pela noite, eventualmente beijava alguém, sem ver realmente aquele alguém, vendo o Outro, muito maior... só que embora Dionísio more no meu coração, eu simplesmente não consigo honrar a ele como deveria. Não nos últimos três anos. E vela no altar continua não rolando. Não consigo.

udo isso era só para dizer que eu nunca me sinto a vontade com uma divindade masculina no meu altar. Nunca consigo me entregar como quero. Na verdade, Apolo foi parar no meu altar por ser irmão de Ártemis, e eu achei adequado ter o irmão ao lado da Senhora.

Nessa Lua, aconteceu diferente. Acendi as velas, comecei tudo, e fui tomada por uma serenidade estranha e longinqua. Olhava ali e pensava em Apolo, na luz do sol, na primavera, nos dias longos que se aproximam, e eu e Ele estavamos próximos como nunca antes. Eu olhei o Deus  com vontade de beijar na boca, de derramar perfumes sobre ele,  de dançar para ele, pentear seu cabelo,  ajeitar suas roupas,  e sentar no chão quietinha só para poder olhar para Ele tanto tempo quanto eu pudesse.

Foi uma sensação tão boa, e tão simples. De repente, havia outro Apolo na minha frente, um nunca visto, nunca imaginado. Relembrei suas histórias, seus rostos, que eu sempre conheci, respeitei, honrei, mas que, até então, não tinham me despertado esse amor todo. Eu sempre o honrei e respeitei, porque era irmão da minha Senhora, e eu pertencendo a Ela não podia descuidar dEle. Mas era diferente. Me vi vendo de verdade. Ele se descortinou para mim. E não como Shiva, como Dionísio, não no extase, na fúria, na paixão. Não na Sarah noite. Não foi a dançarina, a louca, a arqueira, a mãe, a ferina, que estas todas pertencem a sua irmã.

Ele simplesmente olhou para mim, e sorriu.

Calmo e plácido, forte sem ser agressivo, perfeito na forma do corpo e na presteza da mente. Irmão de minha amada, e meu amado, ao menos desta vez. Ele mexeu com a Helena, a diurna, a tecelã, a professora, a que pacientemente desemaranha os fios, faz funcionar o tear, conversa com as borboletas e as chama "minha irmã", aquela que faz licores, não a que cozinha compotas.


Parnassius apollo , a borboleta de Apolo . curiosamente, a primeira borboleta em minha coleção




Hoje, durante a tarde, sem motivo nem razão passei mal do fígado. Como se colocasse para fora um mundo de coisinhas que andavam me fazendo mal...

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