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Posted by Sarah on Jun 27, '08 8:54 AM for everyone
I know, I know. Eu sou mala. Eu me permito ser mala, e é isso ai.

Quando se fala de uma divindade, é preciso entender que os atributos e as qualidades que ela rege são só uma parte ínfima de tudo que representa aquela divindade. É preciso analisar muito mais que isso quando se quer compreender de quem se trata uma personalidade divina. Uma lista de palavras é tão pouco, tão pequeno, perto de tudo que Eles são.
Acho que tem outros focos muito centrais, por exemplo:

-filiação/paternidade - quem são os pais e os filhos (se houver) dessa divindade? Através disso vemos a natureza dessa divindade se manifestar. Assim, por exemplo, Leto demonstra sua natureza imanente e celeste quando se pensa que ela é filha do brilho da lua e do arco do céu - portanto, uma substância um bocado sutil. E Apolo carrega os nomes da avó e da prima como epíteto, além de dividir epítetos com a irmã - o que traça uma clara elação entre ele e a família divina a que pertence. Os atributos de Zeus se manifestam em seus filhos, cada filho é desdobramento de uma faceta da personalidade do Pai. E assim vai.

-casamentos - do mesmo jeito, isso também explicita um bocado a natureza divina. Vênus e Marte para mim são o grande exemplo, mas Zeus e Métis é imbatível...

-epítetos Tem Deuses com 200, 300 epítetos, a maioria de significados diferentes. Mesmo Deuses menos conhecidos, tem uma diversidade de epítetos que deixa besta. Assim, a gente tem uma visão de como age aquela divindade, não simplesmente "mar" mas "a que veio pelo mar". Não simplesmente "caçadora", mas "a de flechas imbatíveis", "a Senhora do arco dourado". Não é só poetizar, é destrinchar o significado. O que nos leva a...

-papel dessa divindade nos mitos -muitos epítetos dizem respeito a mitos específicos. Mas além disso, a gente consegue, pelo modo como a divindade age no mito, perceber como ela é. Atena está sempre tramando alguma coisa, Ela pensa em curva, usa artimanhas. Leto é conhecida como a mais gentil, mas apesar disso, metade dos seus mitos é de vingança,  o que podemos tirar disso?  Zeus é sempre imponente, sem medo, habilidoso e sábio.  Cronos é matreiro e soturno. Os mitos explicitam muitas coisas da personalidade dos Deuses.

E tem muito mais. Muito.

Como é possível se contentar com pouco quando se fala daqueles que São? Amplitude é o que Eles nos trazem, e é com amplitude que devemos busca-los. Enormes, eles nos abarcam. Estão acima da mera racionalização. Mas a busca por informação é aquilo que nos tráz a paixão que deve ser sentida.

E lembrar que culto aos Deuses é diferente entre a e b, acima de tudo, porque a e b estão em situações de vida diferentes, em épocas diferentes, com problemas e anseios diferentes, com métrica poética diferente. E não necessariamente que os Deuses sejam totalmente outros, só porque vestem túnica, toga, ou calça jeans.





Posted by Sarah on Jun 6, '08 4:50 PM for everyone
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Algumas imagens sobre minha Senhora, dama de escuro véu, a mais doce, para os Deuses e os mortais. A sempre gentil. Filha de Coios, o arco do céu, e Phoebe, o brilho da Lua cheia.
Mãe dos Letóides, Ártemis e Apolo, os mais amados entre os nascidos entre os Deuses.
Modesta e discreta, uma Deusa de imanência, de coisas sub entendidas, de eminência parda. O conselho sábio. No catálogo das epsosas de Zeus, uma das duas que se uniram a Ele, antes de mais nada, em amor...

Minha Senhora...

Organizei "cronologicamente" pelo mito, se é possível dizer isso... falta muita coisa, mas é difícil achar boas imagens dEla.

Posted by Sarah on Jun 5, '08 10:47 PM for everyone

Com os filtros certos, a gente encontra tudo no flickr...
no jardim de Versalhes


Posted by Sarah on May 28, '08 9:47 PM for everyone
Eu tenho em mim um interesse absolutamente sensual no conhecimento. E é sem vergonha nenhuma que digo que depois desse curso da Teogonia, chegando em casa e me descobrindo sozinha, devorei de colher o finzinho do meu sagrado pote de Pralinutta enquanto superava a vontade de dar um beijo de língua no professor. Porque se eu beijasse ele, pensando por tudo, eu estaria beijando Apolo, ou as Musas, ou fosse qual fosse o Deus que usava ele como manifestação do seu ofício...




Posted by Sarah on May 19, '08 8:58 AM for everyone
quando tudo mais estiver te enlouquecendo, pense assim: quarta feira tem pré estréia do Indiana Jones. 










É isso ai, São Indi... continua zelando para ressignificar minha vida            =)

Posted by Sarah on Apr 17, '08 7:08 PM for everyone
PROJETO GRANDE TEXTOS, GRANDES CULTURAS
Organizado por Marcos Martinho dos Santos

Este projeto pretende levar ao público a cultura dos povos diversos através de textos representativos, apresentados por especialistas. Cada um deles falará sobre os aspectos literários e culturais de textos sagrados de cada povo estudado.

Vagas: 30

Inscrições: R$10,00


CURSO 1: A TEOGONIA, DE HISÍODO
Pelo Prof. Dr. Jaa Torrano

Quartas-feiras: 7, 14, 21 e 28 de maio, das 19 às 21hs

A Teogonia, de Hisíodo (século 8-7 a.C) é uma síntese das variadas tradições de mitos sobre deuses e heróis. Sua autoridade sobre os gregos é incontestável. Mais que isso, é, ao lado da Ilíada e da Odisséia, um dos textos fundamentais da educaçaõ dos cidadãos gregos.


Eles pedem uns documentos pra fazer inscrição, porque fazendo os cursos vc passa a ter carterinha na biblioteca circulante da Casa das Rosas...





Então, estou com vontade de fazer... vou confirmar ainda, mas estou com vontade





Posted by Sarah on Mar 24, '08 8:13 PM for everyone
Hoje te procuro, meu amado, minha esperança, meu amigo, como há muito não procurava. Mas é você quem tráz a cura, no marfim do teu chifre, no lacre dos teus cascos.

Quantas vezes você não veio até mim, assim protetor, sutilmente pondo as coisas no lugar?

Hoje, eu te agradeço, meu amigo, porque basta começar a pensar em você, para o pensamento clarear, a luz voltar ao devido lugar.

Eu te busco e te encontro, mil vezes, e te perco outras mil só pelo prazer de te encontrar...

curador delestial, mesageiro divino, marca de pureza, sangue nas batalhas. Marfim no chifre, lacre do casco, olho luminoso.



Posted by Sarah on Jan 25, '08 9:34 AM for everyone
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As imagens são variadas. Tem algumas bem século XIX, outras são reproduções de esculturas, outras são reproduções de imagens da época mesmo...

espero que tenham utilidade...

Posted by Sarah on Dec 6, '07 4:02 PM for everyone

De novo, sem imagens porque estou na escola...

Eu estou escrevendo umas coisas sobre os mitos de Leto, e essa aqui é a primeira parte do que escrevi... ainda estou ajeitando, então, relevem erros eventuais...rs

 

"Leto do escuro véu, sempre suave, amavel com os homens e os Deuses imortais, suave desde o início, a mais gentil em todo o Olimpo"

Leto é uma titânide, filha de Coeus, o arco do céu, e Phoebe, o brilho da lua cheia. É irmã de Astéria, e Hesíodo a coloca como esposa de Zeus antes de Hera. Está ligada a maternidade e a proteção dos mais jovens, e todos que escrevem sobre ela frisam sua doçura, brandura e suavidade.

Seu nome não tem uma origem comprovada, mas seu sentido mais provável tende para "velada", "obscura", "escondida", "a que se move sem ser vista". Isso tanto reflete sua atitude de modéstia como a sua ligação com a idéia daquilo que vai da escuridão para a luz. Sua própria genealogia reflete seu caráter de uma divindade que sai do inefável para o visível, sendo filha da abóbada celeste (que é a escuridão maior) e do brilho iluminador.

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Leto e Zeus se amaram; e desse amor ela gestou os gêmeos divinos, Ártemis e Apolo. Sua gestação não foi fácil: perseguida por Hera, ela fugiu através do mundo A deusa dos braços de alabastro havia ordenado que nenhum lugar da terra desse abrigo a Leto, e sua raiva foi mais profunda contra ela do que contra todas que tiveram filhos de Zeus. Não só por ciúmes: Hera lida diretamente com a estabilidade, o "status quo". E as crianças que nasceriam de Leto eram uma ameaça a sua estabilidade: seriam eles os mais amados por Zeus, mais amados até que os próprios filhos de Hera. Hesíodo se refere a eles como "os mais amados sobre os filhos dos céus", tanto entre os imortais, como entre os homens.

Alguns dizem que para fugir da ira de Hera, Leto se transformou em loba e foi para Hiperbórea. Por isso, um epíteto de Apolo é "nascido da loba". É certo que ainda outras vezes, os lobos viram em seu auxílio.

Leto, doce e gentil entre deuses e homens, atravessou o mundo buscando um lugar onde repousar e ter seus filhos, mas por temor e sem piedade, todos lhe negavam abrigo. Perseguida pela serpente Pithon, que tencionava mata-la desde que soube de sua gestação do senhor dos céus, foi salva pela intervenção do próprio: Zeus ordenou que o vento norte a erguesse, e a entregasse sob proteção de Posseidon. Foi então que Delos, então Ortygia, uma ilha flutuante, e que portanto não era parte da terra, se ofereceu como um pouso para Leto. Ao tocar os pés no chão da ilha, quatro pilares brotaram das profundezas, fixando a ilha, como agradecimento. Lá, apoiada a uma palmeira, por nove dias ela esperou, sentindo as dores do parto.

Hera, no Olimpo, havia cercado Ilítia, senhora dos partos, e sua filha, por nuvens douradas que a impediam de ver que Leto estava em Delos, assistida por Dione, Réia, Ikhnaia (Theia), Têmis, Anfitrite, e todas as grandes deusas, exceto Hera. E havia um motivo para estarem ali, além de qualquer afeto: dali nasceria um grande príncipe, e elas seriam testemunhas para atestar sua majestade.

Enviaram Íris para chamar Ilítia, prometendo um colar de ouro de nove cúbitos de comprimento. Íris de pés ligeiros foi até o Olimpo, e junto de Ilítia, voltaram voando o mais rápido que era possível para Delos. Ártemis nasceu primeiro, e auxiliou no nascimento do irmão.

Sete vezes os cisnes voaram em torno de Delos, como sete são as cordas da lira.

Mas Leto do escuro véu, graciosa e doce, sempre gentil, foi vingada de cada desagravo que sofreu, do primeiro até o último, inclusive os que aqui não contei.

Mas isso fica para ser contado amanhã...

 

 

 


Posted by Sarah on Dec 1, '07 10:42 PM for everyone
Link: http://www.uky.edu/AS/Classics/agfc-moyrsmith.html

imagens de roupas gregas, mas um bom referencial imagético de divindades femininas (Inês, tem um monte de Demeter ai)

Posted by Sarah on Dec 1, '07 10:38 PM for everyone
Link: http://www.uvm.edu/~classics/mainpagelinks/ambrose.html

ilustrações para as metamorfoses de ovídio... tem imagem de todo jeito, ótima fonte...

Posted by Sarah on Nov 8, '07 5:25 PM for everyone
terminei o Núpcias. Comecei do começo de novo. Só que estou com o René, o Junito, um caderno, post it, lápis, lápis de cor e canetas. Assim que meu joelho colaborar (estou em casa hoje, porque o joelho está baqueadíssimo e estou guardando o que sobrou dele pra sábado a noite) eu vou buscar uns livros de história da arte na minha mãe para fazer uma comparações.

Eu quero que dezembro chegue logo. Os alunos param de ir, em uma semana resolvo todas as pendências burocráticas, e depois tenho até dia 22 todas as noites lá com tempo livre para usar o computador e ler e anotar igual uma feliz...



Posted by Sarah on Nov 6, '07 12:07 AM for everyone
o núpcias de cadmo e harmonia tem sido minha companhia constante nos últimos dias. E tem me feito fumar mais cigarros que de costume, eu assumo. Eu conhecia o Roberto Calasso pelo também maravilhoso Ká: que para mim, foi um devaneio. Sendo bem mais grosso que o Núpcias, eu devorei em um dia e meio.

Claro que ainda volto e releio, sempre. Quando me sinto confusa, por exemplo, vou até ele, releio quase sempre as mesmas partes, que já abrem sozinhas. Vejo Rudra se tornando Shiva, vejo Shiva se enamorando de Shakti.  Sempre Shiva, tenho um ponto focal na minha leitura.

Mas o Núpcias tem sido diferente. Tem me trazido mais perguntas do que respostas, e me deixado pensativa. Ainda não consegui chegar ao final. Volto para trás volta e meia. Releio, tenho novos pontos de vista sobre nuances do texto. Me faz pensar no Elias Canetti, maravilhoso, que me fez repensar minha escrita e minha relação com o mundo, mas me enlouquecia enquanto eu lia.

Eu tenho uma relação visceral com os livros. Eles me consomem. Eu literalmente passo mal, perco o fôlego, surto, rio alto,  falo sozinha,  grito. Tive momentos memoráveis, deixando escapar um grito de batalha enquanto lia , no Senhor dos Anéis,  a cavalgada dos Eorlingas na Batalha do Abismo de Helm. Ou chorando em meio a sorrisos enquanto acabava o Crônicas de Nárnia. Deitada catatônica no jardim da escola depois de acabar O Apanhador no Campo de Centeio, com catorze anos de idade. Largando a leitura da Balada de Beren e Luthien, no Silmarillion, para beijar e agarrar apaixonadamente o Koshari. Eu tenho uma enorme tendência a chorar no fim dos livros porque a história está terminando, porque vou acabar a leitura, e queria continuar sempre. Meus livros de poesia ficam em estado lastimável, carregados para cima e para baixo. Eu reli As aventuras de Huckleberry Finn tantas vezes que meu avô encadernou e gravou meu nome na capa do livro, porque era quase parte de mim, era meu melhor amigo de infância.

O Núpcias tem sido desses livros que me fazem arrepiar, ficar pasmando olhando a chuva, enquanto ligo uma imagem a outra e a outra e a outra. Enquanto me perco labirintica em meu próprio olhar, parando por um tempo em uma única palavra, retomando um verso, pesquisando alguma coisa na internet. Estou com dois artigos sobre Supernatural entalados, o primeiro deles quase pronto, mas quem disse que consigo falar de bode expiatório e Azazel quando tenho na mente os Deuses, os heróis, as mulheres gregas?


E eu vou lendo, mais lenta do que queria, mais rápido do que deveria. Não consigo anotar nada, e sei que vou recomeçar da primeira página tão logo vire a última. Desta segunda vez, familiarizada com o texto, vou anotar, marcar páginas, xerocar coisas para poder anotar e recortar. Comparar com os Rennés, meus livros de cabeceira sobre os tipos dentro da mitologia. E com o Junito.



ps. fiz uma tela hoje. Meu arcano. Não vou dizer que gostei dela, mas dá para ver que estou mais fluida, estou deixando a pintura ficar mais solta e menos tecnicista. Eu me prendia demais, ficava uma coisa forçada. Ainda não está como quero, mas já é alguma coisa.

 


Posted by Sarah on Oct 30, '07 7:11 PM for everyone
joguei na rede para ver se achava algum sebo com o núpcias de cadmo e harmonia, e tinha um no centro de santo andré.

Liguei e confirmei. Sim, eles tinham o livro. Resolvi ir lá buscar ao invés de comprar um em São Paulo e mandar vir pelo correio.

Peguei o mp3 e coloquei na bolsa. Se tem uma tranqueira eletrônica que estou feliz de ter adquirido foi esse. É muito bom ouvir música o tempo todo. Adoro. Mas ainda tenho dificuldade em comprar coisas para mim mesma, e se o Koshari não tivesse insistido um bocado, eu não teria comprado. Ainda assim, mandei ele pra Santa Efigênia com a ordem de comprar o mais barato, só pedi que fosse vermelho. Foi acertadíssimo comprar. Ele é vermelho lindo, fiz uma bolsinha rosa pra ele com um botão de joaninha, e carrego um giga de música comigo onde quer que eu vá.

Então, peguei a bolsa, o mp3, um monte de mpb, e fui buscar meu livro. Faz tempo que não ando no centro de Santo André.

Na época da faculdade, eu dei mil e um rolês perdidos por lá. Depois, nos meses que passei com o Fê, que estava terminando a escola ainda, ficava de bobeira nos bares ali da Elisa Fláquer com ele, que estudava por ali. Era divertido. Conhecia cada loja, cada biboca, cada louco e fiz muito trabalho da facul usando coisas jogadas fora pelas lojas, como manequins quebrados e vidros de balcão, além de muitos banners. Quando tinhamos um trabalho, sempre olhavamos pelas lojas e pelas caçambas dali, para encontrar material. Ia um bando de gente. Uma vez, queriamos levar uma porta com batente e tudo para a faculdade... vai entender estudante de arte...rs

Antes ainda, iamos, eu e minhas amigas no Studio Center. E não tenho vergonha de falar, assistimos Jovens Bruxas umas quatro vezes... Iamos ver todo tipo de filme, as vezes nem sabiamos o que estva em cartaz. Quando ele virou igreja evangélica, eu chorei feito criança.

Hoje, passando em frente a galeria onde ele fica, não resisti e entrei. Entrei igreja a dentro, reconhecendo meu antigo palácio, e feliz, percebi que ele continua lá. O cinema não morreu. Pintaram as paredes de branco, trocaram o estofamento vermleho velho por um azul, as luminárias com havaianas jateadas não estão lá. Mas ele ainda é ele, e a velha tela está lá, e a sala de projeção lá no fundo, fechada mas ainda ali. Acariciei o corrimão e prometi que um dia ele volta a ser cinema. Não sei como, onde ou porque, mas tenho essa certeza. Ele volta a ser cinema, nem que eu precise ficar milionária e comprar ele. Foi engraçado a cara do pessoal que estava lá.

Depois de um sorvete, de comprar incenso da padmini (eu gosto muito mais do que das outras marcas, mas aqui em mauá nunca tem), de olhar para a cidade com velhos olhos, porque agora, quando vou vou de carro, outros caminhos, outras impressões, meu território é o entorno da Casa da Palavra, cheguei no sebo.

O livro estava lá, me esperando. Está meio machucado, e as páginas estão manchadas na borda, mas vou pedir para meu tio refilar e reencadernar. Vai ficar lindo e novo. E na primeira página, está escrito: "Rio de Janeiro, 1990". Mas a etiqueta colada diz Livraria LASELVA, que tem filial nos aeroportos de cumbica e congonhas, shopping ibirapuera, morumbi, hiper paes mendonça, interlagos, alphashopping e shopping mall, esse no Guarujá. Ele foi comprado em um desses lugares, e foi parar no Rio de Janeiro. Que caminho ele fez depois, para chegar em um sebo em Santo André, e agora chegar as minhas mãos, para ser reformado e reencadernado, e virar obra de referência na minha estante?

Andei, cantarolei puffy puffy Amy Yumi, adoooro, tenho um monte de mp3 delas, e Sofia Talvik, maravilhosa,  e ouvi uma música que me fez pensar muuuuito no Louco que tirei...

e olhando agora, para alguém andando e cantando em japonês, entrando em igreja evangélica e falando com um cinema, e lendo o Núpcias no trem, segurando um brinquedo de encaixar formas na sacola, vejo que foi mesmo uma tardezinha surreal.





Posted by Sarah on Sep 28, '07 12:16 AM for everyone


Aconteceu uma coisa muito interessante no meu ritual ontem a noite. Eu assumo que tenho uma certa dificuldade com o lado masculino da divindade. Meu rompimento com o cristianismo foi brutal, eu e o Deus cristão (que já tinhamos nossas diferenças quando eu servia a ele) realmente não olhamos um na cara do outro. Amo o catolicismo: Nossa Senhora, os Santos, o Espírito Santo, o Deus Pai é totalmente ignorável...rs  E eu no tempo que passei com o povo da wicca nunca me ajeitei com o Chifrudo deles.

Meu Deus era Dionísio. E Hórus. Que eram poderosos, sexys, sábios, e no caso de Dionísio, sabia, muito bem, dançar. Mas com quem eu conseguia uma relação, um olho no olho.

Quando conheci Shiva, eu literalmente me apaixonei. Durante meses homem nenhum no mundo despertava meu interesse. Só Meu Senhor de Brancos Pés de Lótus, só o sagrado dançarino nas piras funerárias, tocador de tambor, fumador de haxixe, sábio além dos sábios.  Shiva era a voz que adoçava meu sono, e a palavra mais suave que permanecia nos meus lábios. Só que o hinduismo é uma religiosidade complexa e eu nunca tive coragem de realmente prestar culto a Ele. Porque não ousaria arriscar ofende-lo fazendo algo errado.

Acabei indo parar em Dionísio, de volta. Existe uma ligação entre os dois, toda a relação com o êxtase, com o andar entre os homens, e coisa e tal que não vem ao caso agora. Só que minha relação com Dionísio é baseada em ações cotidianas, não em práticas rituais. Eu simplesmente não consigo. Não sei acender uma vela e rezar para ele. Eu preciso ir para a pista e dançar até perder o chão, e ai meu pensamento começa a entoar "Evoé, evoé Baco", e eu danço até o joelho falhar, o ar acabar, e ai eu saio andando pela noite, eventualmente beijava alguém, sem ver realmente aquele alguém, vendo o Outro, muito maior... só que embora Dionísio more no meu coração, eu simplesmente não consigo honrar a ele como deveria. Não nos últimos três anos. E vela no altar continua não rolando. Não consigo.

udo isso era só para dizer que eu nunca me sinto a vontade com uma divindade masculina no meu altar. Nunca consigo me entregar como quero. Na verdade, Apolo foi parar no meu altar por ser irmão de Ártemis, e eu achei adequado ter o irmão ao lado da Senhora.

Nessa Lua, aconteceu diferente. Acendi as velas, comecei tudo, e fui tomada por uma serenidade estranha e longinqua. Olhava ali e pensava em Apolo, na luz do sol, na primavera, nos dias longos que se aproximam, e eu e Ele estavamos próximos como nunca antes. Eu olhei o Deus  com vontade de beijar na boca, de derramar perfumes sobre ele,  de dançar para ele, pentear seu cabelo,  ajeitar suas roupas,  e sentar no chão quietinha só para poder olhar para Ele tanto tempo quanto eu pudesse.

Foi uma sensação tão boa, e tão simples. De repente, havia outro Apolo na minha frente, um nunca visto, nunca imaginado. Relembrei suas histórias, seus rostos, que eu sempre conheci, respeitei, honrei, mas que, até então, não tinham me despertado esse amor todo. Eu sempre o honrei e respeitei, porque era irmão da minha Senhora, e eu pertencendo a Ela não podia descuidar dEle. Mas era diferente. Me vi vendo de verdade. Ele se descortinou para mim. E não como Shiva, como Dionísio, não no extase, na fúria, na paixão. Não na Sarah noite. Não foi a dançarina, a louca, a arqueira, a mãe, a ferina, que estas todas pertencem a sua irmã.

Ele simplesmente olhou para mim, e sorriu.

Calmo e plácido, forte sem ser agressivo, perfeito na forma do corpo e na presteza da mente. Irmão de minha amada, e meu amado, ao menos desta vez. Ele mexeu com a Helena, a diurna, a tecelã, a professora, a que pacientemente desemaranha os fios, faz funcionar o tear, conversa com as borboletas e as chama "minha irmã", aquela que faz licores, não a que cozinha compotas.


Parnassius apollo , a borboleta de Apolo . curiosamente, a primeira borboleta em minha coleção




Hoje, durante a tarde, sem motivo nem razão passei mal do fígado. Como se colocasse para fora um mundo de coisinhas que andavam me fazendo mal...

Posted by Sarah on Sep 12, '07 2:26 AM for everyone
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Hoje foi um dia unicornicamente especial. Porque foi o dia que meu primeiro unicórnio internacional chegou em casa...rs
Eu sou uma completa apixonada por unicórnios. Toda simbologia, imagem, mito, eu amo os unicórnios absolutamente, e tenho uma longa história com eles. Por consequência, sempre que encontro um objeto que tem a ver com eles, tento adquirir. Minha coleção ainda é mínima, mas é um começo. Hoje chegou um unicórnio que encomendei pelo Etsy, e agora estou abrindo uma nova porta para encontrar unicórnios, as compras internacionais (já que são tão raros no Brasil.)

Faltam alguns, que não encontrei para poder fotografar...

update - fotografei o unicórnio de resina desaparecido, e adquiri mais dois unicórnios... além de uma camiseta que não fotografei ainda...rs

Posted by Sarah on Sep 5, '07 2:20 PM for everyone
Estou as voltas com a monografia da pós graduação. A minha e a da minha mãe. A minha, que sofre por ser um bocado teórica e um bocado e meio sem referências. Estou meio muito perdida, mas agora as coisas estão começando a ir para um rumo bom.

Já minha mãe resolveu fazer a mono dela baseada em mitologia comparada: semelhanças e relações entre os mitos africanos (iorubas e egipcios) e os mitos greco-romanos. Minha mãe, que tem tanto sangue negro quanto eu tenho sangue japonês, está fazendo Cultura Afro Brasileira. Ela resolveu usar esse tema porque ela acha que as pessoas respeitam muito mais a cultura greco-romana do que o panteão africano, e demonstrando como as diferentes mitologias tem relação, pode se combater o preconceito que cerca a mitologia dos orixás. Além disso, ela tem um enfoque discreto no fato de que as pessoas, na maioria dos casos fala do Egito como se ele não estivesse na África...

Resumindo, qualquer material sobre o culto de divindades greco romanas está sendo bem vindo. A véinha precisa, principalmentese for em português, espanhol ou italiano, porque tudo que é em inglês eu tenho que traduzir pra ela... e idem vale para os culto africanos...

Eu acho muito bacana esse tema da minha mãe, porque é legal ver alguém que mantem um olhar "de fora", "estrangeiro" falando desses assuntos.

Posted by Sarah on Sep 4, '07 11:55 PM for everyone
Link: http://www.iconos.it

Página da "cattedra di Iconografia e Iconologia del Dipartimento di Storia dell'Arte della Facoltà di Scienze Umanistiche dell'Università di Roma "La Sapienza".

Eles estão falando das metamorfoses de Ovídio, tem um bocado de referências bibliográficas, separadas em fontes clássicas, medievais e renascentistas, além de imagens... eu capturei umas imagens lindas da Medusa...

a página é em italiano

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