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Posted by Sarah on Mar 27, '08 11:24 PM for everyone

pai atualizou o blogue dele... tem um bocadito de poemas novos...


(não sei se coloquei esse aqui, gosto muito)




teluricomancias

Edson Bueno de Camargo

ela é agora uma das mulheres da casa
ou mulher-casa
- assim se podemos dizer

esta combinação alquímica
de útero e terra
umidade e calor
entranhas de pedra candente
turmalinas mastigadas
teluricomancias
que aos poucos torna estas mulheres
antes novas
em luas cheias

(toda mulher é um vulcão domesticado
a guardar terremotos em seus zelos
e perigosos orgasmos)

são para a casa
outras e as mesmas
suas águas e suas telhas
o chão que se pisa e o céu sobre as cabeças
estas
que puxam cordões pelo umbigo
de onde tiram as fibras
ao qual se atam as meninas e depois os meninos
para que não vão embora
(e vão)
(rompendo em choro à suas partidas)

há das quais nos lembram como de janelas
e móveis
os gonzos das portas
retratos nas paredes
genealogias femininas
benzeduras
urdiduras e tessituras
os santos de toda a espécie (europeus e africanos, mais os que já estão com a terra)
fazem pelas suas bocas:
voz

(e estas também os homens tanto temem quanto amam)




e mais um outro, pros que gostam dos poemas "de amor"

azul

Edson Bueno de Camargo

no fim, tudo é uma questão de pele
centímetros quadrados de sensibilidade
em busca da possibilidade de toque ou de dor

depois os pêlos
a dobrar em arrepios ao quase contato
beijar o fogo e sentir seus dentes com a língua
beber teu líquido como mel

esculpir rosas na carne de minhas costas
corações e entrelaçados celtas
tuas unhas
bisturis de queratina escarnada
escorpiões com ferrões de fogo
a correr da nuca aos calcanhares

quando acordar e for embora
não esqueça de trancar a porta
para que a rua não possa entrar neste quarto azul

Posted by Sarah on Mar 27, '08 12:29 AM for everyone
Category:Books
Genre: Romance
Author:Joanne Harris
estar sem óculos deixou a leitura mais vagarosa, mas chegou um ponto que não dava para parar por nada no mundo. De novo eu me apaixono...

Meu ponto alto vai para o Melro, que é deliciosamente maligno e apaixonante.

Gostei muito nessa história que os papéis não são preto e branco, ninguém é bom ou mal, todos somos levados por certas circunstâncias. Comovnte a descrição da imagem de Saint Marie de la Mer...

enfim,. preciso reler o livro quando os óculos novos chegarem sábado, mas estou babando...

Gosto igual deste e do Chocolate, mas me identifico mais com a protagonista deste aqui...

Posted by Sarah on Feb 26, '08 7:51 PM for everyone
Start:     Mar 8, '08 9:00p
End:     Mar 9, '08 05:00a
Location:     Ribeirão Pires
A ARCA – Associação Ribeirãopirense de Cidadãos Artistas em parceria com o grupo poético TABA DE CORUMBÊ convidam para um sarau aberto no Espaço ARCA, no dia 08 de março de 2008 das 21h00 e seguir até a poesia mandar parar. Compareça com sua arte. Todos serão bem-vindos.



"moinho de versos / movido a vento / em noites de boemia / vai vir o dia / quando tudo que eu diga / seja poesia " "Paulo Leminski "



Data e hora: dia 08 de março de 2008 – a partir das 21h00.


Local:



Espaço ARCA
Av. Humberto de Campos, 576
Vila Ema, Ribeirão Pires, SP
CEP 09424 600
telefone: 11 4825 2748
cidadaosartistas@gmail.com
http://www.arca-cidadaosartistas.blogspot.com/

PARA CHEGAR NA ARCA:

1)Saia do trem e atravesse a cancela, no sentido (Av.Sto André)

2)Você pegará um pedacinho da av.Sto André (ela termina num bar/padaria chamado Serafa)

3)Esse pedacinho dará no início da Avenida Humberto de Campos (esquina com um posto de gasolina)

4)QQ coisa...ligue, nós os buscaremos

5)Estamos pensando numa marcação pelos postes ,até a Arca (intervenção gráfica)

PARA LOCALIZAR A ARCA PELO MAPA:

http://maps.google.com/maps?ll=-23.630237,-46.63705&spn=0.006487,0.010042&t=k&z=16&key=ABQIAAAAb38Gnfr1v9ZxKf-FBN0d9BRY0Fjh_1_dHfoscqZnm4YMfZ2WDBTHL91BfX-_OPaRufwpKOmvJhocgA&oi=map_misc&ct=api_logo


Posted by Sarah on Feb 26, '08 7:48 PM for everyone
Pois é, entre começar a faculdade de pedagogia, preparar a comida e discutir filosofia, meu pai pega o trólebus e escreve coisas como essa...

cabalísticos
Edson Bueno de Camargo


mulheres que cheiram a incenso

não carregam cântaros de água

                                               nos cabelos

não esperam os Ulisses que retornam

não tecem tapeçarias de Penélope

urdem crisálidas entre os dentes

como se sorrissem borboletas laranjas

dormem sob o céu de Mercúrio

                                               e quando chove

dançam com serpentes cingidas à cintura

 

 

mulheres com orelhas pequenas

costuram a audição

                                               em bordas  de jarros de estanho

carregam nos pulsos sinais cabalísticos

estigmas de deuses ainda não nascidos

                                               não enrolam o céu de estrelas

e não uivam para a lua

 

 

mulheres de pés azuis

não contam os dias

e não contam as horas

passam o tempo em buracos de minhoca

                                               ao abrigo de buracos negros

não lavam os cabelos às sextas-feiras

não jogam amarelinha

que contêm inferno

                                               coletam insetos miúdos em caixas de fósforos

e conhecem o outro lado da lua

 

           

mulheres da beira do mar

suturam redes com a seda retirada do baço

escamam peixes e os retalham

sem um reclamar sequer

                                               não choram em enterros

e se vestem de azul por ocasião de luto

seus filhos respiram como se possuíssem guelras

e pés com nadadeiras

                                               têm medo de altura,

mas não temem a água

costuram para seus homens fatos brancos

e se enfeitam com flores da mata

                                               e quando a lua cheia cai em segundas-feiras

desprendem um suave cheiro de maresia

 

 

mulheres com olhos negros

conhecem a profundidade dos poços

se refletem em poças de água da chuva

sabem que o fogo vive

na alma negra do carvão

coletam libélulas para seu deleite

e as soltam vivas

                                               rindo de suas revoadas

não costumam dizer mentiras

                                               não falam muito à noite

nas luas novas buscam refúgio

na escuridão

                                               quando amam

é normal se ouvirem trovões    

                                               à distância



Posted by Sarah on Feb 26, '08 7:56 AM for everyone
E me dou esse direito. Como me dou o direito a todo sentimento. Acho que foi uma coisa que aprendi a me libertar daquela moral cristã, sabe. Aceito cada sentimento com intensidade e vivo cada um o melhor que eu puder. Quando amo, amo por inteiro. Mas quando odeio, quando me decepciono, quando me enfureço, quando me magôo, sinto cada coisa por sua vez, e sinto em paz. E não fico achando que só exite um ou dois sentimentos e que os outros são distorções desses um ou dois. Eu repseito cadas sentimento, inteiro, por si só.

As vezes acho que é a vantagem da minha mente doentia. Sinto tristeza com muito mais intensidade que o mediano, sinto o vazio como se não fosse haver amanhã. Mas como cada maldição também te ensina, sinto tudo elevado a décima potência. E adoro.

Mas como eu dizia, eu odeio. Odeio quando acham que a idade torna automáticamente mais sábio, e olha de cima para minha cara de menina, consciente ou inconscientemente. Não odeio a pessoa, odeio a atitude. A pessoa perde pontos, claro. Mas como isso acontece comigo com frequência, eu aprendi a mandar a merda sem esquentar a cabeça.

Odeio quem não respeita a opinão dos outros, e vc diz algo que sente só para alguém que não tem nada a ver com a sua vida vir dizer que você não sabe o que está falando. Normalmente a pessoa te trata com uma certa gentileza, um sorriso no rosto. Como se você fosse uma criança de 4 anos ou um deficiente mental.

Odeio quando se diz da guerra sem saber o que fala, porque eu que poderia me dizer guerreira, que sei o que isso significa, não falaria do assunto com frivolidade. E odeio quando transformam o sagrado em frivolidade.

Odeio, odeio intensamente, quando não respeitam as pessoas que eu aprendo a amar. E que quando elas falam de algo importante para elas, quando se abrem mesmo que ligeiramente em algo, as pessoas venham dar lição de moral.

Odeio mais que tudo quem fica no caminho de quem eu amo.

E quando eu odeio, eu escrevo, solto umas palavras duras, saio de perto para não ficar violenta (reação semelhante a que acontece quando tenho explosões de raiva ou mágoa). E como eu não sinto a menor culpa pelo meu ódio, ele esfria e sai com água corrente feito poeira.


Sentir tudo me faz sentir que estou viva. Eu ando na beira do abismo, e peço socorro quando não estou sentindo nada. E como no fundo do abismo habita o demônio ao meio dia, eu mostro a língua e dou banana para ele, e sinto tudo, sem em privasr de uma fatia de sentimentos sequer.

E quando eu for mais velha, do mesmo modo que hoje já me sinto velha, vou respeitar a imensa sabedoria dos amis jovens, como já faço agora. E vou aprender com todo mundo que me permitir falar a verdade...





Não existe sentimento negativo e positivo. Existe sentimento. E os meus mestres sempre me ensinaram que é da merda que a arte é feita.


Então fico aqui antes de ir para o trabalho, cantarolando uma velha canção e inventando uma fan fic de supernatural, ou pensando em algum detalhe da paisagem, indo para o trabalho aproveitando o calor do sol  e a alegria sem sentido das ruas, com Anna Akhmatova (1889 - 1966), que sabe como ningu´m de que beco escuro da mente sai a poesia.

Dos mistérios do ofício

De que servem exércitos de canções
e o encanto das elegias sentimentais?
Para mim, na poesia, tudo tem de ser desmesurado,
e não do jeito como todo mundo faz.

Se vocês soubessem de que lixeira
saem, desavergonhados, os versos,
como dente-de-leão que brota ao pé da cerca,
como a bardana ou o cogumelo.

Um grito que vem do coração, o cheiro fresco de alcatrão,
o bolor oculto na parede...
E, de repente, a poesia soa, calorosa, terna,
Para a minha e tua alegria.



Posted by Sarah on Nov 29, '07 9:52 AM for everyone
Start:     Dec 4, '07 7:00p
End:     Dec 29, '07
Location:     Biblioteca Municipal de Mauã
Abertura da exposição e lançamento do livro de cartões postais das fotografias sobre a fabricação de porcelana feitas por Cecilia Camargo, em Mauá.
As fotos serão acompanhadas por trechos de poesia de Edson Bueno de Camargo.

Na biblioteca municipal Cecília Meirelles, dia 4 de dezembro, às 19 horas.

(a biblioteca fica no terceiro piso do Green Plaza, quase de frente para a estação de trem)

Posted by Sarah on Nov 22, '07 9:58 AM for everyone
Start:     Dec 15, '07 10:30a
End:     Dec 15, '07 5:00p
Location:     Casa da Palavra, Santo André, ao lado da Igreja do Carmo e da Concha Acústica

15 de dezembro, sábado, a partir das 10h30

Confecção coletiva de almofadas para a Casa da Palavra – Escola Livre de Literatura com material doado e coletado. Em uma grande roda, mulheres da Escola Livre de Literatura e agregados da Casa da Palavra que queiram imprimir sua marca nas almofadas estarão cantando, cosendo e contando estórias que serão registradas e difundidas em 2008. Traga a sua máquina de costura portátil, retalhos e bons apetrechos para um almoço coletivo sob odores de especiarias, cozidos e doces caseiros. As costuras serão permeadas por atividades do Tesão na Casa, lançamento jornal Tesão Prazer & Anarkia nº 4.
Casa da Palavra – Escola Livre de Literatura



Posted by Sarah on Nov 8, '07 1:15 PM for everyone
Uns meses atrás, meu pai lançou seu terceiro livro de poesia. Na dedicatória que me escreveu, ele escreveu assim: "para Sarah, minha filha, minha semente, co-autora desta obra, um pedaço da responsabilidade ancestral." 

O velho como sempre me sacaneia...rs Coa autora porque a idéia desse livro, pegando as poesias mais meorialiostas, mas voltadas pra nossa hereditariedade e para o lado meio mágico do meu pai, foi minha. Ele ia fazendo esses poemas, e eu dei o palpite: faz um livro. O nome, de lembranças e fórmulas mágicas, é meu.

E fui me surpreendendo quando comecei a ler, porque descobri um bocado de poemas que me citavam, de um modo ou de outro...


Cozinhando feijão

Edson Bueno de Camargo

 nunca viu
sua bisavó
filha

cozinhando feijão
em panela de ferro de trêspés
no braseiro que havia
no fundo da casa grande

se sentes hoje
compelida a dotes de bruxa
talvez também deva a ela

em meio a vapores e fumaça de lenha
completando a água
amassando alhos
assuntando o tempo
por entre os galhos das jabuticabeiras
nos benzia o tempo todo
de mau-olhado e de banzo de criança

minha avó cozia bordados infinitos
em panos vindos de Santa Catarina
cabelos brancos revoltos
óculos na ponta do nariz

a casa na cidade
nunca foi bem ao seu gosto
foi adaptando os ares de sítio
horta, fogão improvisado no quintal
seus santos em altares espalhados pela casa

se bem que o que não esqueço
era seu olhar de descanso
seu sorriso curto
quase infantil

minha vó
era a madrinha que eu nunca tive

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