E me dou esse direito. Como me dou o direito a todo sentimento. Acho que foi uma coisa que aprendi a me libertar daquela moral cristã, sabe. Aceito cada sentimento com intensidade e vivo cada um o melhor que eu puder. Quando amo, amo por inteiro. Mas quando odeio, quando me decepciono, quando me enfureço, quando me magôo, sinto cada coisa por sua vez, e sinto em paz. E não fico achando que só exite um ou dois sentimentos e que os outros são distorções desses um ou dois. Eu repseito cadas sentimento, inteiro, por si só.
As vezes acho que é a vantagem da minha mente doentia. Sinto tristeza com muito mais intensidade que o mediano, sinto o vazio como se não fosse haver amanhã. Mas como cada maldição também te ensina, sinto tudo elevado a décima potência. E adoro.
Mas como eu dizia, eu odeio. Odeio quando acham que a idade torna automáticamente mais sábio, e olha de cima para minha cara de menina, consciente ou inconscientemente. Não odeio a pessoa, odeio a atitude. A pessoa perde pontos, claro. Mas como isso acontece comigo com frequência, eu aprendi a mandar a merda sem esquentar a cabeça.
Odeio quem não respeita a opinão dos outros, e vc diz algo que sente só para alguém que não tem nada a ver com a sua vida vir dizer que você não sabe o que está falando. Normalmente a pessoa te trata com uma certa gentileza, um sorriso no rosto. Como se você fosse uma criança de 4 anos ou um deficiente mental.
Odeio quando se diz da guerra sem saber o que fala, porque eu que poderia me dizer guerreira, que sei o que isso significa, não falaria do assunto com frivolidade. E odeio quando transformam o sagrado em frivolidade.
Odeio, odeio intensamente, quando não respeitam as pessoas que eu aprendo a amar. E que quando elas falam de algo importante para elas, quando se abrem mesmo que ligeiramente em algo, as pessoas venham dar lição de moral.
Odeio mais que tudo quem fica no caminho de quem eu amo.
E quando eu odeio, eu escrevo, solto umas palavras duras, saio de perto para não ficar violenta (reação semelhante a que acontece quando tenho explosões de raiva ou mágoa). E como eu não sinto a menor culpa pelo meu ódio, ele esfria e sai com água corrente feito poeira.
Sentir tudo me faz sentir que estou viva. Eu ando na beira do abismo, e peço socorro quando não estou sentindo nada. E como no fundo do abismo habita o demônio ao meio dia, eu mostro a língua e dou banana para ele, e sinto tudo, sem em privasr de uma fatia de sentimentos sequer.
E quando eu for mais velha, do mesmo modo que hoje já me sinto velha, vou respeitar a imensa sabedoria dos amis jovens, como já faço agora. E vou aprender com todo mundo que me permitir falar a verdade...
Não existe sentimento negativo e positivo. Existe sentimento. E os meus mestres sempre me ensinaram que é da merda que a arte é feita.
Então fico aqui antes de ir para o trabalho, cantarolando uma velha canção e inventando uma fan fic de supernatural, ou pensando em algum detalhe da paisagem, indo para o trabalho aproveitando o calor do sol e a alegria sem sentido das ruas, com Anna Akhmatova (1889 - 1966), que sabe como ningu´m de que beco escuro da mente sai a poesia.
Dos mistérios do ofício
De que servem exércitos de canções
e o encanto das elegias sentimentais?
Para mim, na poesia, tudo tem de ser desmesurado,
e não do jeito como todo mundo faz.
Se vocês soubessem de que lixeira
saem, desavergonhados, os versos,
como dente-de-leão que brota ao pé da cerca,
como a bardana ou o cogumelo.
Um grito que vem do coração, o cheiro fresco de alcatrão,
o bolor oculto na parede...
E, de repente, a poesia soa, calorosa, terna,
Para a minha e tua alegria.