Sarah's posts with tag: trip
Posted by Sarah on Jul 4, '08 5:40 PM for everyone Não tinha escrito sobre isso aindas porque não parecia real. Era como se na verdade eu fosse acordar e descobrir que foi um engano... E eu estaria postando isso horas atrás se a minha internet não tivesse passado o dia todo fora do ar... Sexta feira mandei um email para o titio Marco Antônio pedindo para ganhar um ingresso para o show de aniversário da Kiss FM. Não estava exatamente num bom dia. Afinal, o Marlon ia viajar para Garça, para o Festival da florada da cerejeira, e eu não pude ir. Pois ele estava tomando banho para sair quando o titio falou meu nome (errado, como a maioria dos mortais =P) no ar, junto com os outros nove felizes que ganharam convites. Eu sai saltitando pela casa, e agradeço a paciência da Cássia e das outras vítimas que encontrei no MSN naquele momento, porque eu estava purpurinicamente insuportável de felicidade. Mesmo quando o email chegou eu ainda mal conseguia acreditar. Era isso mesmo. Eu ia ver Echo and the Bunnymen, Gene loves Jezebel e ainda levar o TSOL e o Nazi de brinde. Rememorando, eu adoro Echo e Gene loves... eu sou uma das pessoas que beijou alguém desconhecido na pista do Madame Satã ouvindo Lips like sugar... creio ser desnecessário dizer algo além disso... e eu cresci amando Gene loves porque meu pai um dia chegou com uma pilha de vinis e me ensinou “isto aqui é rock and roll”, e além de ter me transformado numa grungezinha obcecada por Blind Melon e Nirvana, numa fã incondicional de Ozzy Ozbourne, ele me ensinou “e isso aqui vem da Inglaterra”, e a luz se fez, e eu descobri que eu podia sofrer os horrores maiores da existência humana e tudo estaria bem se eu tivesse um inglês de cabelo excêntrico me dizendo que tudo ia ficar bem, ou pior ainda... assim sendo, um dia ele me mostrou Gene loves Jezebel, porque achou que tinha a minha cara... e tinha mesmo. Assim sendo, ver essas duas bandas é meio que tudo que eu possos desejar num show em amplos aspectos emocionais... E meu primeiro show de rock, no dia em que acharam o corpo do Kurt Cobain, foi um show do IRA!, e ver o Nazi é sempre muito bom (sempre me lembro dele dizendo “um minuto de barulho por Kurt Cobain!”). Voltando da digressão, eu tinha um email dizendo que era verdade, mas mesmo na terça feira, subindo o elevador por 15 andares de pânico, enquanto o Agostinho (que eu achei na rua e me acompanhou) ria da minha cara, ainda tinha a sensação de que iam dizer que tudo era um engano. Preciso dizer que a entrada da Kiss é tudo de bom, muito simpático aquele hall. Incrível imaginar que a rádio que eu escuto todo dia quase tem um espaço físico real, fora do espaço virtual das ondas fm. Tá, eu sei, é idiota. Mas as coisas ganham outro contorno quando puxadas para o plano físico... E lá estava eu tocando a campainha da rádio, para pegar os convites que eu suspeitava não existiam... mas existiam. Eu tinha mesmo ganho, meu nome estava mesmo na lista. Eu sai de lá saltitando. Com direito a saltitos pela calçada da avenida Paulista... literalmente. Eu ia no show! Corta para quarta feira de manhã, últimos acertos sobre quem ficar com o André, eu avisando na escola que “olha, eu não sei se vou conseguir vir trabalhar amanhã porque vou num show de rock essa noite”, o que deixou a massa de professores efetivamente desconcertada... Me senti muito bem com aquilo... ainda tenho uma atitude rock and roll! hahahahaha Sai da escola, encontrei o Marlon no shopping para comer um lanche, jogar o número do ingresso na mega sena e pegar o caminho do Via Funchal. Pegar o caminho do Via Funchal é uma aventura a parte. Cortando caminho, o que nos poupa várias baldeações, é trem até Tamanduatei, ponte Orca até Alto do Ipiranga, metrô até Vila Madalena, ponte Orca até Cidade Universitária, e de lá o trem até a estação Vila Olímpia. Se existe algum outro caminho? Sim, mas vc tem que pegar trem e ônibus, o que demora mais que fazer essa aventura toda. Conheço quem considera que o Via Funchal fica numa filial da Casa do Caralho. Mais dois shows que eu vá lá de condução e eu vou concordar... (esse é meu segundo show lá). O fato é: acha que eu dou a mínima? Eu só conseguia mentalizar homens com cabeça de colehinho pulando em volta de mim enquanto me espremia no trem lotado até a Vila Olímpia. Chegando lá, uma fila de 20 pessoas nos matou de surpresa. De repente a gente se deu conta que era quarta feira e a maioria das pessoas não sai do trabalho as três da tarde como eu... no show do Motorhead, que foi em um sábado, a fila começava dois quarteirões antes... assim como em todos os shows em que eu tinha ido até ontem... Entramos, e colamos na grade. Para muita gente ali pareceria algo desnecessário. Porque o lugar estava vazio quando abriram os portões. As pessoas iam chegando devagar, mas constantemente. E foi colada ali na grade que vi o show ser aberto pelo pessoal da rádio. Nazi é o cara certo para abrir um show, principalmente um onde o público ainda não está confiante porque a casa ainda está meio vazia. Ele tem uma presença de palco cativante e energética, e sabe como fazer as pessoas entrarem no clima. De todos os shows nacionais que já vi, a única banda que tinha a mesma característica tinha outra vibe: o Ultraje a rigor. O Nazi consegue ter o público na palma da mão, e, principal para mim em um show, existe uma clara sensação de que a banda está se divertindo ainda mais que nós. Eles riam, eles brincavam entre si, o Nazi fazia aquele truque com o microfone de ficar girando ele no ar e pegar com a outra mão, que é besta mas visualmente muito estiloso. Uma seleção de músicas ótima. Valeu por ouvir músicas ancestrais do rock brasileiro em versões bacanas, e por ver que, não importa o que aconteça, o Nazi ainda é O cara em palco. Quando olhei para trás me surpreendi em como tinha chegado mais gente durante o show dele. No intervalo antes do show do TSOL, já fazia bastante sentido estar colada ali para ver o show. TSOL aliás, foi uma incrível surpresa. Porque eu não conseguia identificar a banda até eles começarem a tocar e eu me ligar que a idiota aqui conhece um mundo de músicas do TSOL; mas quem disse que eu me lembrava do nome da banda? Assumo nesse momento que não sou uma super heroína e não consigo lembrar metade dos nomes de bandas que eu gosto... o jeito é aproveitar que meu pai descobriu o you tube e fuçar nos vídeos favoritos do orkut dele... De todo modo, foi um show muito bom. Eles criam empatia com o público, e a galera que estava assistindo ficou bem motivada. Continuou o clima de empolgação crescente que o Nazi começou, e mesmo quem tinha ido lá para curtir outras bandas, como eu, pode ter diversão genuina com o show do TSOL. Vale deixar em primeiro plano que foi o máximo antes do show o vocal dos caras ajeitando o microfone na maior naturalidade ao invés de mandar um roadie fazer isso. É legal ver esses pontos de humanidade numa banda... Gene loves Jezebel foi algo além. Foi catártico. Foi mágico. É difícil falar porque foi muito bom. E deu para ver como os olhos do vocal são lindos... foi como se reencontrar com coisas minhas que estavam guardadas a muito tempo. O som é muito bom, a presença de palco de todos é intensa, e eles também parecer sentir prazer no que fazem. Aliás, “prazer” é um perfeito signo do que significa um show deles, porque a coisa é toda nesse sentido. É sensual e corporal. Preciso fazer uma anotação para a camiseta que ele estava usando, que era linda, e a bandeira do Brasil pendurada na cintura. Era muito contagiante e a vibe era muito intensa. A banda anima qualquer público (que a essa altura o Via Funchal já estava lotado), e o Aston faz sexo com o público. O show chegou ao fim e eu pensei que se fosse para morrer naquele instante eu morreria feliz e realizada... o show durou até praticamente mandarem eles parar, e mesmo assim eles esticaram o que puderam. O intervalo mais longo entre os shows foi entre o GLJ e o Echo. A cada intervalo dos shows, os locutores subiam no palco e distribuiam camisetas... E foi nesse intervalo que consegui uma...ou melhor, o Marlon pegou uma para mim. Preciso dizer que a camisa é linda, manga longa, super bem feita. Muita camiseta promocional parece que vai desmanchar na primeira vez que se usa, mas essa parece mais resistente... vamos ver como se sai daqui uns meses =). E começaram a ajeitar o palco do Echo. Poe ventilador, poe toalha, liga uma dúzia de pedais para cada guitarra. Eu acho muito válido isso. Pode parecer frescura para quem nunca cozinhou debaixo de um refletor de palco pedir por toalhas ou ventilador, mas eu apoio totalmente. O show começou lá pela meia noite. E foi um show lindo. Muito intenso, muito gostoso. A banda tem uma força sonora ótima, e personalidade. Foi divertido ver o Ian colocando o povo da imprensa para fora, porque no começo de cada show era um saco, ficavam dúzias de fotografos no pé do palco fotografando, o maior saco. Ele mandou os caras cairem fora, para alegria de quem estava na grade querendo ver o show em paz. O show foi bem longo e teve dois bis, então deu para curtir bem. Foi bacana ver como o público estava fascinado pelo som, e apesar do ar blasé dos caras, foi bacaníssimo. Eu não dou a mínima para estrelismos (o atraso do show foi causado pela ausência de um secador de cabelos...), e me diverti demais. Me deixa muito feliz ir a um show que ue curto do inícoo ao fim como foi esse. E o fim do show não foi o fim da aventura. Estavamos sentados na porta do Via Funchal, vendo as barraquinhas irem embora e a casa fechando, porque iamos esperar os trens voltarem a correr para ir embora. Estavam dez pessoas lá sentadinhas. Os taxistas estavam meio indignados com aquilo, eles parados do outro lado da rua e a gente esperando o trem. Um dos taxistas começou a perguntar de onde a gente era e descobrimes que, curiosamente, todos eram o ABC, três de são caetano, um de santo andré, e cinco de mauá! (e não conheciamos os outros três mauaenses). Então ele fez a proposta: dez reais por cabeça e todo mundo voltava para casa de Doblô. Topamos, claro, porque entre ficar até quatro e meia parados lá e três da matina estar em um carro quentinho rumando para casa não tem comparação. Então voltei para casa de táxi, ainda meio apaxionada por tudo que tinha visto, e curtindo muito a sensação de que valeu a pena. E assim terminou a lua do louco... voltando para casa olhando a noite rodando pela rua, enquanto minha mente viajava nas músicas e nas imagens daquelas bandas.
Posted by Sarah on Jun 24, '08 7:53 PM for everyone Inverno. Devo ter algo de muito invernal no meu espírito. Apesar de tudo e qualquer coisa, o inverno me faz bem, muito bem. Esse frio todo me faz sentir viva. Propício que seja agora que tudo isso tem acontecido.
O primeiro semestre do ano foi bem ruim para mim. Os Enamorados estavam lá pairando para me lembrar que como estava não podia ficar. Eles exigiam uma escolha que eu não me sentia pronta para fazer.
Mas quando eu fui ver os xamãs, aconteceram duas coisas. Uma, eu me senti fortalecida. Toda a estagnação que estava presa na minha coluna foi embora. Não foi bonito não...rs Foi sujo. Mas quando eu estava lá, eu ouvi umas coisas que me colocaram a cabeça no lugar.
Eu me lembrei que um dia eu optei por estar presente. Optar por estar presente - o caminho do guerreiro. Lembrei que fui criada para isso. Para ser guerreira.
E aquelas mulheres disseram coisas para mim muito importantes. -Eu preciso me permitir o prazer. -Eu não posso deixar ninguém me sugar. O que leva a: -Preciso pensar mais no que me torna eu mesma -Preciso de mar, andar descalça, contato com a natureza -Preciso voltar os olhos para trás e parar de deixar coisas interminadas por aí
Eu fiz as pazes com o espírito do chocalho, eu acho. Creio que o chocalho que vou fazer, que fui instruida a fazer, não vai partir como todos desde que o espírito do chocalho se zangou comigo.
Isso tudo mexeu comigo. Percebi que não podia mais permitir ser suscetível. Precisava me focar. E ai, fizemos o exercício com o Leo Artese. E minhas palavras na roda de transformação me deram um ímpeto novo.
A segunda feira chegou e partiu e eu não me permiti que fizessem mal. Passei pela escola como se não fosse comigo, porque, na real, não é. E assim estou. Estou lá, mas estou isenta. Deixo meu envolvimento para as coisas realmente necessárias, realmente válidas.
E assim tem sido.
Domingo, quem veio? O Imperador.
Um semestre de imperador é tudo que eu podia desejar. Claro que me lembro que o que abate minha Torre não é o tridente de Poseidon, mas o raio de Zeus. O raio que me abate e me cega me permite enxergar também... e é nisso que penso quando imagino um semestre inteiro de construção. Um semeste ao lado dEle, Pater, protetor.
Me vejo trançando o cabelo, prendendo um chifre vermelho entre as penas do cisne. Me vejo mais forte, mais eu. E lá vou eu, perguntar ao vento frio, como posso ser ainda mais, Eu.
Posted by Sarah on Jun 3, '08 9:12 AM for everyone As vezes, a amargura ronda. Porque tem uma carga sutil e avassaladora, a amargura tenta morar no nosso cabelo, formando uma rede que termina por nos sufocar e a tudo que há em volta. Mas a amargura, como um vampiro legendário, tem que ter permissão para pousar. E como um vampiro legendário, sabe usar disfarces para romper nossa defesa, até ser quase desejada.
É natural no nosso povo um espírito de mártir. Um espírito de que temos que sofrer para merecer. E é fácil se distrair do fato de que não precisamos sofrer, se nossa escolha for não sofrer. Quando abdiquei do cristianismo, eu abdiquei do pecado original e de toda necessidade de ver a dor como algo ruim.
Mentira.
Eu abdiquei de ver a dor física como algo ruim muito antes de abdicar da minha antiga religião. Deixar de ver a outra dor como um castigo é questão de tempo, nesse caso.
A amargura me ronda todos os dias. Se me distraio sinto o peso familiar dela sentando no meu ombro. Mas eu lí as obras completas de Cecília, e "aprendi com a primavera a me deixar cortar e voltar sempre inteira". Aprendi que sou sim o abismo e sou sim o ninho no abismo.
E é claro que dói. Continuo com as mesmas neuras, com as mesmas e com novas dúvidas. Olho as pessoas e as desejo. E meu amor pelo mundo me sufoca e dói. Mas eu não me permito o martírio. Eu sinto a dor como o que é: só dor, que vai passar. Que significa algo, ou não. Mas que não é nada metafísco, nada merecido, nada que me oprima. É uma sensação, feito o prazer, o arrepio ou o frio caminhando na pele.
E eu continuo, espanto a amargura com uma risada desumana que me habita as vezes. Espero o cinza ser varrido do céu pelo frio azul do inverno que aproxima. Penteio meu cabelo e ameaço a amargura com o espinho de marfim que guarda aentrada da minha alma.
E a amargura vai embora feito uma bolha nevoenta, deixando em seu lugar uma tristeza familiar e contida, feito um filho de porcelana, que eu escovo e coloco de volta no armário, um pierrot inofensivo de com uma pontinha de beleza trágica enquanto eu saio lá fora e fumo com a loucura, enquanto espero o dia amanhecer e o sol levar tudo de trágico embora.
"e se você me jogar do precipício, não me importo com isso eu adoro voar"
Posted by Sarah on May 28, '08 9:47 PM for everyone Eu tenho em mim um interesse absolutamente sensual no conhecimento. E é sem vergonha nenhuma que digo que depois desse curso da Teogonia, chegando em casa e me descobrindo sozinha, devorei de colher o finzinho do meu sagrado pote de Pralinutta enquanto superava a vontade de dar um beijo de língua no professor. Porque se eu beijasse ele, pensando por tudo, eu estaria beijando Apolo, ou as Musas, ou fosse qual fosse o Deus que usava ele como manifestação do seu ofício...
Posted by Sarah on May 22, '08 12:36 AM for everyone Isso é um exercício literário. É baseado em fragmentos de sonhos e nas muitas viagens que exitem na minha cabeça...
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O vagão vermelho descascado, a moldura das janelas, amarela, pintada de miúdas flores azuis. Existe um cansaço no olhar dos cavalos castanhos, e o olhar dela é sempre sério enquanto me olha. Ela usa um lenço vermelho, mas o vestido é preto, como ela me explicou uma vez, por ser casada, por ter perdido o marido, por ter levado tantas coisas nas costas. Seus brincos são de um dourado muito próprio, feitos como que de luz.
O vagão é escuro e acolhedor. Tudo tem a cor das finas cortinas das janelas, que filtram a luz pela trama do tecido, enchendo o ar de vestígios de cor. Mas para mim o que existe maior é o cinza e azul da fumaça. Ela fala da fumaça com palavras que não consigo ouvir, e me ensina os segredos de ler o fogo. Eu não vou lembrar e ela sabe disso, mas repete de novo e de novo os significados que as vezes vão surgir, um presságio interpretado de um sonho, uma distração de transe diante da vela.
Nós usamos rubis, eu nos brincos e no anel, ela nos broches e anéis e pulseiras. Temos em comum os rubis e um olhar sério, enquanto ela troca as flores murchas do oratório e cantarola uma cantiga antiga. Ela tem um toque de graça em cada movimento, e seu corpo é sinuoso feito uma pantera. Ela não é mais jovem, não em idade, porque ninguém saberia dizer sua idade vendo seu rosto, afinal, mas pelo olhar, pelo cansaço nos olhos dos cavalos.
Nós somos estrangeiras, eu e ela, e ela não se impacienta comigo por isso. Ela sabe que somos irmãs, tão diferentes e tão iguais, porque conhecemos o mesmo anseio de ver o que há depois do horizonte.
Ela tem uma cicatriz e um crime de faca. Eu tenho uma tristeza e uma navalha na barra da saia. Ela diz que se não me cuidar serei como ela, eu finjo não ouvir e me vejo repetindo seus passos.
Ela é séria enquanto joga as cartas e me mostra meu passado. Ela faz feitiços por dinheiro que usamos para comer. As pessoas a procuram mas tem medo dela e nós vamos embora antes que saibam onde nos encontrar. Somos sempre nós que chegamos onde as pessoas estão, nunca o contrário.
Ela conta que um dia caminhou com outros, antes de perder o marido, antes de ganhar cicatriz, e ela dança para mim e fala de coisas do seu povo. Eu sentada olho e absorvo seus passos, repetidos na mente e proibidos no meu corpo. Ela é alta perto de mim, não em altura, mas pelo que existe de chama nela. Ela tem o brilho dos dragões nos olhos. Seus olhos sérios tem eras de idade e o fumo da sombra vermelha que me dá medo de encarar. Eu fujo do seu olhar que atravessa e vê além, vê muito mais.
Um dia acordo de manhã e ela foi embora. Estou numa vila de pescadores e posso esperar olhando o mar. Sei que ela vai voltar, daqui um ano e de novo depois de outro, e colho algas na praia para acender o fogo, e fervo água para o chá, e espero. Espero enquanto o sol se põe no mar e costuro cortinas coloridas para minhas janelas. Paro a agulha no ar, imaginando as molduras amarelas que vou pintar nas janelas.
Posted by Sarah on May 4, '08 7:44 PM for everyone  Hoje tive certeza de que ele está rindo de mim. Essa lua com o Mago tem se mostrado muito a lua do trickster. Em mil momentos diferentes dessa semana, eu estive a beira de um ataque de nervos, com tudo desmoronando a minha volta. Então, quando eu chegava no auge do pânico... simplesmente as nuvens de chuva sumiam no ar e tudo se resolvia como por mágica. Eu quase podia ouvir a risada... Hoje não foi diferente. Mas eu já sabia que ia ter pegadinha. Eu já sabia que não adiantava me desesperar, porque ele ia dar um jeito de rir de mim. Então, relaxei. E sim, a piada veio, mas não me pegou tão em pânico. É claro que não estava preparada, ninguém, nem um trickster, está preparado para o tipo de piada que o trickster faz. Quanto mais eu. É engraçado porque foi um lado inesperado do mago. Eu acho que a gente meio que torce que a gente não seja o alvo de Hermes, que a gente possa aprender de outro modo. Mas eu sou reconhecidamente um bicho teimoso e bagunceiro, que frequentemente só aprende batendo a cabeça. Nem posso dizer que entendo tudo que ele me fez. Nem sei se coloco ele com minúscula, o espírito geral dos trickster, ou Ele, num sentido de Hermes mesmo. Não é o desespero da Torre, não me tirou os pés do chão, só me chacoalhou de regra. Só gritou no meu ouvido que não adianta eu achar que posso fazer tudo certinho, porque se eu achar que estou segura demais, ele simplesmente me dá uma resteira e me pega no ar. E a risada ecoa pelo ar. A Lórien me perguntou se eu ia deixar para tirar a carta no encontro do grupo ou se ia tirar antes, e fiquei em dúvida. Por um lado, quero tirar no grupo. Por outro, ai que paura de ficar mais uma semana na mira do Mago...
Posted by Sarah on Apr 25, '08 8:50 AM for everyone o mais estranho de sonhar com alguém que só se conhece via internet é ouvir uma voz que você não conhece...
sonho louco e bom esse dai...
Posted by Sarah on Mar 26, '08 8:50 PM for everyone Ontem estava olhando o demônio ao meio dia direto nos seus olhinhos amarelos. O filho da puta me enrolou com aquela língua comprida e peguenta, me enrolou pela cintura, e estava me jogando com ele lá para baixo do abismo, quando eu vi um brilhinho na parede e me lembrei de quem eu era. Agarrei no brilhinho, me pendurei. Fui achando outros sinais pelas paredes, fui me erguendo. Respirando. Ora uma medalha, ora uma fotografia, ou um véu, pelas paredes eu me erguia, e o demônio lá no fundo, me olhava com cara de bobo. Cresciam cogumelinhos pelas paredes. Mostrei a língua pra ele, e ele, bobo ogro Mulgarath, não podia subir atrás de mim. Vem brincar com meu desepsero, vem. Quero ver você conseguir agora. Eu sei seus nomes, eu conheço seus segredos. Eu nunca mais vou me deixar dominar, mesmo que de vez em quando, eu caia, como ontem eu cai. Eu Sempre vou me pendurar.
Agarrei na guia que ganhei de presente faz tempo de uma aluna/amiga. Não sei de quem é, é de um tom de âmbar muito bonito. Estavamos conversando quando meu olho caiu na guia (que eu não sabia ser uma guia, porque ela usava um monte de pulseiras vistosas), e comentei o quanto tinha me chamado atenção. A cor de âmbar me enfeitiçou. Ela desenrolou do pulso (ela usava duas), e colocou na minha mão. "Então é pra ser sua." Fica no meio dos unicórnios, no canto deles na estante, no quase altar que erigi ali para eles. Passei por ela ontem, e coloquei no pulso. Eu estava usando um outro colar de contas como pulseira, o que me fez pensar nela. Proteção nunca é demais. E o âmbar das contas continua exercendo o mesmo fascínio sobre mim. (e ainda me lembrou do que a Pietra escreveu sobre o coração de âmbar que ela usa...) Escrever me faz bem, faz eu encontrar meu centro. Assim, depois de comprar velas e erva doce para as minhas oferendas de todo dia para minha Senhora, depois de ter me sentido de novo em foco ao escrever, e quando escrevo, dou nome aos meus medos e fantasmas. E nada que você sabe o nome verdadeiro te faz mal, exceto se você permitir. Engraçado como aprendi isso. Eu era criança e ganhei um livro, chamado "Quem tem medo do escuro?",onde um ratinho perdido se desespera com terríveis fantasmas. Um rato mais velho então, de dia, mostra para ele que os fantasmas eram só troncos secos, trechos de mato, coisas conhecidas, e ele diz pro ratinho que quando a gente conhece a verdadeira forma das coisas, elas deixam de dar medo. Eu tomei isso com mais profundidade do que simplesmente um tronco seco, sabe. Então, ali estava eu, e podia continuar apavorada e tremendo, ou não, já que agora eu sabia exatamente o que me fazia mal. E eu fui ver coisas, tomar atitudes, colocar coisas para funcionar. Mesmo que sutilmente, mesmo que embaraçada pela falta dos óculos. Pensei pouco nisso tudo hoje. Era mais fácil olhar o lobo na minha camisa e me sentir forte, felina filha de loba, os lobos gêmeos na minha camiseta me guardavam para beber água em algum lugar. Eu estava ali, em mim. A hora das crises de choro já estava velha, e o demônio se enroscou sozinho no fundo do abismo, indefeso de novo. Me sinto mais bonita, agora, do que ontem ou anteontem ou um tempão. Sem os óculos, sou forçada a olhar nos meus olhos sem reflexos, e vejo uma fagulha agressiva e séria num fundo dourado. Gosto de pensar que a única coisa que desejei parao Beija Flor tenha sido feita: nada é mais diferente que meus olhos e os dele. Nada desse travo, essa fagulha não existe no olhar dele (e sim, nas minhas fotos de bebê eu já tinha essa tristeza no fundo do olhar). Ele tem o olhar brilhante que eu já amei em muita gente. O olhar dele tem alegrias insuspeitas. Nenhum demônio olha no fundo dos olhos dele, que bom.  E eu? Eu me dispo da tristeza e teço um manto de força. Eu luto porque essa é a coisa para a qual nasci, eu me debato e rompo as redes que me prendem. Eu também tenho asas de pássaro, eu que amo um Falcão e sou mãe de um Beija Flor. Eu sou nessas horas um estranho grifo oriental, uma profusão de garras e penas, que sobrevive. Me fira, e eu arranco seu coração. Com os dentes. Eu sou o fantasma do iogue na mata sombria. Eu sou o espírito que guarda o caminho. Eu sou rakshasa. Eu quando estou ferida sou mais forte.
Posted by Sarah on Feb 27, '08 3:49 PM for everyone E de vez em quando, aparece coisa assim aqui no blog... dessa vez, por culpa da Mel, que trouxe o meme. Se eu fosse um mês seria... outubro Se eu fosse um dia da semana seria... sexta feira Se eu fosse um número seria... 9 Se eu fosse um planeta seria... Bajor (star trek DS9) Se eu fosse uma direção seria... noroeste Se eu fosse um móvel seria... puffe Se eu fosse um liquido seria... veneno (foi o que primeiro me veio em mente, mas eu pensei em perfume tbm) Se eu fosse um pecado seria... Ira Se eu fosse uma pedra seria... jade Se eu fosse um metal seria... estanho Se eu fosse uma árvore seria... palmeira Se eu fosse uma fruta seria... nectarina
Se eu fosse uma flor seria... rosa vagabunda de jardim Se eu fosse um clima seria... artico ou artartico Se eu fosse um instrumento musical seria... lira Se eu fosse um elemento seria...ar Se eu fosse uma cor seria... laca Se eu fosse um animal seria um... tigre Se eu fosse um som seria... murmúrio Se eu fosse uma letra de música seria... difícil. eu que já foi tantas músicas, hoje não sei. Se eu fosse uma canção seria... Carry on my wayward son (yes, sou fã de supernatural) Se eu fosse um estilo de musica seria... blues Se eu fosse um perfume seria... almíscar Se eu fosse um sentimento seria... melancolia Se eu fosse um livro seria…Morangos Mofados Se eu fosse uma comida seria… panquecas com melaço =P Se eu fosse um lugar (cidade ) seria ... Paratii Se eu fosse um gosto seria... azedo Se eu fosse um cheiro seria... rosas quando o sol bate nelas Se eu fosse uma palavra seria… acalanto Se eu fosse um verbo seria… deliciar Se eu fosse um objeto seria…divã Se eu fosse uma roupa seria… jeans Se eu fosse uma parte do corpo seria… mão Se eu fosse uma expressão seria… "catso" Se eu fosse um desenho animado seria… O Panda e a Serperte Mágica Se eu fosse um filme seria… Lady Hawk Se eu fosse forma seria… triângulo Se eu fosse uma estação seria… outono Se eu fosse uma frase seria…Tudo acontece da melhor formaA continuação da Carol: Se eu fosse uma idade eu seria… a minha
Se eu fosse um continente eu seria…América
Se eu fosse um local da natureza seria… tundra ou deserto Se eu fosse um local urbano seria…beco em cotovelo com uma velha e carcomida fonte
Se eu fosse um símbolo seria… o delta (star trek ) Se eu fosse um toque seria… o sutil
Se eu fosse uma personalidade seria… Tereza DÁvila ou Akka Mahadevi (não é pra qualquer um transar com Deus...)
Se eu fosse um (a) personagem seria... Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito Se eu fosse uma disciplina seria… Metodologia da Pesquisa Se eu fosse uma crença seria… todas
e eu passo o meme pra quem estiver afim...
Posted by Sarah on Dec 23, '07 11:46 AM for everyone Pois é. Eu tenho um lado negro musical. Mas essa música da Ivete sangalo é totalmente meu verão...
Sá Marina Composição: Antônio Adolfo / Tibério Gaspar Descendo a rua da ladeira Só quem viu que pode contar Cheirando a flor de laranjeira Sá Marina vem pra cantar De saia branca costumeira Gira o sol que parou pra olhar Com seu jeitinho tão faceira Fez o povo inteiro cantar Roda pela vida afora E põe pra fora, essa alegria Dança que amanhece o dia pra se cantar Dança que essa gente aflita Se agita e segue, no seu passo Mostra toda essa poesia no olhar Descendo a rua da ladeira Só quem viu que pode contar Cheirando a flor de laranjeira Sá Marina vem pra dançar De saia branca costumeira Gira o sol que parou pra olhar Com seu jeitinho tão faceira Fez o povo inteiro cantar E fez o povo inteiro cantar E fez o povo inteiro cantar E fez o povo inteiro cantar Roda pela vida afora E põe pra fora, essa alegria Dança que amanhece o dia pra se cantar Dança que essa gente aflita Se agita e segue, no seu passo Mostra toda essa poesia no olhar Deixando os versos na partida E só cantigas pra se cantar Naquela tarde de domingo Fez o povo inteiro cantar E fez o povo inteiro cantar E fez o povo inteiro cantar E fez o povo inteiro cantar
Posted by Sarah on Nov 29, '07 11:11 PM for everyone 
Tenho pensado muito nas relações que desenvolvemos com os Deuses, na maneira como nos relacionamos com eles. Tenho pensado muito nisso: devoção, servidão, amor, carinho, gosto, cisma, tudo que vejo rolando pela net a fora. Acho que muitas vezes esse assunto é tratado com leviandade. Claro que nossa conversa sobre se parecer com as divindades na lista stregheria pratica foi engraçada. Porque leveza é bom, sempre, ou quase sempre, porque a vida sabe ser pesada por si só as vezes. O tipo de leviandade que eu falo é na maneira como muitas vezes as pessoas escolhem seus Deuses, decidindo quem vão cultuar num ritual como quem escolhe incenso em uma lista, ou pensando em termos muito simplistas.
Existe muito o “Gosto dessa divindade. Vou adotar como minha e é isso ai”. Não é nem amo essa divindade, é gosto, como eu gosto de gatos ou como eu gosto de saias indianas. Mesmo amor, não basta amor para fazer um casamento, como vai bastar amor para fazer uma relação com uma divindade? Por exemplo, eu e Shiva. Eu amo Shiva. Amo mesmo, em um sentido quase erótico. Ele é lindo, é azul, toca tambor, fuma haxixe, cria e destrói, tem serpentes e dança... quando quero acalmar o Beija Flor, canto “Om Namah Shivaya” para ele. Duas semanas atrás, vi um Shiva do meu tamanho, quase tive um treco, era liiiindo. Só que entre meu “gosto”, ou meu “amor” por Shiva e o Amor que Akka Mahadevi tinha (tem) por Shiva, existem vidas de distância. Akka Mahadevi é uma santa hindu, uma mulher incrível, do tipo que abandona uma vida de princesa para viver como asceta na floresta, cobrindo o corpo apenas com os cabelos, em total comunhão com Shiva. Porque existe mais do que amor em jogo. Existe respeito, dedicação, paciência, cuidado, desprendimento, disciplina, escolhas, abdicar de coisas, aceitar coisas. É muito mais profundo e complexo do que mero gosto. Mais fundo do que admiração ou mesmo identificação. Besteira minha, eu sei, mas me incomoda ver bênçãos de tudo que é divindade sendo escrita/falada como se nada fosse. Ver todo tipo de divindade sendo chamada de mamãe. Sei lá. Eu acho desrespeitoso. Além do que, tenho dúvidas se quero bênçãos de Hécate o tempo todo. Ela é Dadivosa, sim, mas se um cão preto dilacerar meu braço numa encruzilhada (e tenho que passar por algumas bem características todo dia) também é uma benção dEla. Não basta gostar de uma divindade. Vai além de se identificar com ela. Eu não consigo entender como escolher uma divindade. Eu encontrei uma divindade, ou fui encontrada por Ela (eu acho a segunda opção mais precisa, mas soa presunçosa). Não é a mais fácil, não é a mais cômoda. Nem sequer é possível identificar facilmente o que nos liga. Mas é. E poderia não ser, se eu não me dedicasse a desenvolver essa relação. Seria algo que poderia ter sido, e não foi. E me daria mais um tempo correndo atrás do meu próprio rabo. O que me faria me conhecer melhor, como um dia foi necessário que eu corresse... e eu corri, um bocado.
E se relacionar com uma divindade, como se relacionar com alguém, nem sempre é fácil. Exige muito. Não dá para tratar com leviandade, não dá para compartimentar a vida, como se fosse ser aquilo enquanto está em frente ao altar e pudesse guardar no armário o resto do tempo. Vai tomando a gente, forçando escolhas, fazendo opções. Vai mexendo na nossa visão. Vai exigindo respeito. Quando se dá conta, está militando de forma quase agressiva por um parto mais humano, menos traumático, querendo que outras mulheres não passem por aquilo que passou sua mãe. Não quero ser dona da verdade, não acredito em receita de bolo. Mas é assim que vejo as coisas... não sei até que ponto temos noção do que fazemos, quando tratamos de certos assuntos. Sei lá. Como diria Mestre Ambrósio, “terra alheia, pisa no chão devagar”
Posted by Sarah on Nov 22, '07 9:58 AM for everyone | Start: | Dec 15, '07 10:30a | | End: | Dec 15, '07 5:00p | | Location: | Casa da Palavra, Santo André, ao lado da Igreja do Carmo e da Concha Acústica |
15 de dezembro, sábado, a partir das 10h30 Confecção coletiva de almofadas para a Casa da Palavra – Escola Livre de Literatura com material doado e coletado. Em uma grande roda, mulheres da Escola Livre de Literatura e agregados da Casa da Palavra que queiram imprimir sua marca nas almofadas estarão cantando, cosendo e contando estórias que serão registradas e difundidas em 2008. Traga a sua máquina de costura portátil, retalhos e bons apetrechos para um almoço coletivo sob odores de especiarias, cozidos e doces caseiros. As costuras serão permeadas por atividades do Tesão na Casa, lançamento jornal Tesão Prazer & Anarkia nº 4. Casa da Palavra – Escola Livre de Literatura
Posted by Sarah on Oct 23, '07 12:10 PM for everyone Estou com essa coisa do "serivr" na cabeça faz mais de um mês. Desde o meu Papa, e também desde que rolou todo aquele frisson de gente querendo saber se é filho de quem com que, sendo até invasivo na vida alheia (e alheios com que me importo...e com quem tendo a ser defensiva).
E eu, que não tenho idéia (e no momento nem necessidade) de saber de quem sou filha, porque me coloquei a serviço de Alguém, e portanto tenho que honrar esse laço, ntes de qualquer outro que eu venha a desenvolver, sai do Papa e fui para no Imperador. Fui da cozinha para o templo, e do templo para a barraca de campanha (que para mim é onde se manifesta o Imperador). E como Imperador me vi nessa coisa de me permitir "to boldly go where no man has gone before". O que é bom, porque eu tenho uma tendência forte a me anular nas coisas, e é bom tomar o controle um pouquinho. Mas ai, nos últimos dias, comecei a vivenciar um outro lado. Um lado solitário do Imperador. O lado do peso de se governar.
E ai, ontem a noite minha mãe diz " A monja Coen vai estar lá embaixo amanhã, as onze e meia. Quer que te ligue quando estiver indo?"
Lá embaixo, para saber, é o Teatro Municipal de Mauá, que fica no baixio da minha rua.
Ela nem perguntou se eu queria ir, porque sabia que a resposta era sim.
Chegando lá, a primeira coisa que ela fez, foi fazer todo mundo respirar, se concentrar, porque como ela disse, quando a gente chega a um lugar, cada um está com um ritmo diferente, carregando um saco cheio de coisas diferentes, que é preciso deixar de lado para escutar.
E então ela foi falando, sobre a vida dela, sobre a educação, sobre como tudo está conectado. Como quando vemos um lenço de algodão, vemos a floresta que havia lá, os pássaros que voavam, o lenhador que cortou a árvore, a mãe do lenhador que preparou seu almoço, os lavradores que prepararam a terra, a lua, as estrelas, o sol que brilhou sobre aquele campo de algodão, e num lenço de algodão, está contido o universo.
Ela relembrou o cumprimento "namastê", que diz que "o sagrado em mim reconhece o sagrado em você", e que quando se trabalha com o criminoso, o desorientado, o "ruim", não é com o lado distorcido que a gente trabalha, mas com a divindade que habita ali, e que também faz parte de nós, e nos une como um, a todos e tudo.
E ela falou um mundo de coisas que me deixaram os olhos marejados a maior parte do tempo da palestra, porque é muito, muito bom se reconhecer em algo, e eu me reconheço muito nas palavras dela. Sua voz sempre calma, sempre firme, sempre acessível, sua risada tão natural, seu movimento quase de dança. E eu, que esqueci meu caderno, não anotei, mas guardo no fundo de mim. Daqui dez minutos ela vai repetir a palestra, mas estou cuidando do André e ele não está em uma idade que aguente uma palestra de uma hora e meia...
Mas então ela falou de coisas que realmente me arrepiaram. Já que o assunto era esse, "liderar é servir", eu posso dizer que ela era a própria manifestação do meu arcano. E ela falou da raiva. E foi liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiindo. Porque ela não disse que raiva é errado ou ruim, muito pelo contrário.
E ai eu lembrei de todas as conversas sobre Ares.
Nas palavras dela, a raiva é humana e necessária. É a raiva que faz com que a gente sinta indignação quando o outro sofre, e a raiva é a força que permite a transformação. A raiva é importante, e quando a gente tem vergonha da raiva, sublima ela, ela explode de modo errado. Ela falou de como as pessoas tem vergonha de dizerem que sentem raiva: a gente sempre fala que o outro provocou a raiva, mas o sentimento é nosso, pertence a nós, se manifesta em nós, e não temos que negar isso. Mais: não adianta dar outro nome para a raiva, porque ela vai continuar morando lá, dentro de nós. A raiva é necessária e movimenta a trnasformação, só a raiva nos permite mudar o mundo, porque a raiva é o veículo da compaixão.
Quando sentimos raiva de algo, então, sentimos compaixão e empatia por alguma coisa oposta a nossa raiva. O conflito é parte da nossa natureza, e precisa ser aceito como tal. Mas é preciso ver que o conflito é natural, mas existem muitos modos de resolver o conflito: pode ser de modo não violento, responde a monja. A agressividade é natural: a violência é opção.
E lembrei então de como Ares pode ser um Deus ligado a amizade, a conjunção das pessoas, e de repente, até de compaixão: cmpaixão, que não tem nenhuma relação com pena, mas que é a força que faz eu sentir com o outro e me move a lutar para mudar a realidade.
Ela também falou uma coisa muito forte sobre a maneira de ver o mundo. O chacal é violento, porque é pequeno, e sua visão não atinge longe. Então, ele se defende do mundo, que, sendo desconhecido, o agride. Mas não precisamos ver como o chacal: podemo ver como a girafa, que olha a distância e por ver longe não sente medo, por isso não precisa ser violenta. (eu acrescento que é importante lembrar que o coice da girafa é uma das coisas com o carimbo "abolutamente mortal" da natureza). É preciso reagir, mas é preciso ver.
E tem a questão do servir com a amorosidade, porque liderar é servir com amorosidade. É preciso se ver como alguém que amorosamente serve aos outros.
E lá está o Imperador, de novo, sendo o construtor dedicado, que ergueu o império por amor a algo. E que governa não como um fardo, não com solidão, mas que governa em amor e harmonia, como um caminho em que ele serve aos outros quando os governa, para gerar paz, sustentabilidade, harmonia, que é ele mesmo uma pequena parte do todo, e que governa com tanta dedicação quanto o sapateiro faz sapatos ou o forjador faz arados, e com a mesma simplicidade com que se varrem as ruas. Isso, se, um belo dia, ele não estiver vestido de mendigo, sentado na praça ouvindo o povo.
update- eu estava esquecendo de dizer, que a própria postura dela mostrava essa coisa de que agressividade e conflito não necessariamente levam para a violência, porque a postura dela era muito incisiva, agressiva até em certos aspectos, embora sempre não violenta. Até os monjes tem um lado voltado para a guerra... mesmo usando outras armas.
Posted by Sarah on Oct 21, '07 10:11 PM for everyone Estou assistindo Roma.
E acho que vou entrar na comunidade "Tito Pullo é o cara" que o Hellder me enviou o convite...
apaixonei, desde a entrada, maravilhosas aquelas animações, até tudo...
muito bom. nos próximos dias eu acho que consigo dar uma opinião mais coesa...rs. Mas por enquanto basta dizer que estou achando muuuuuuuuito bom.
Posted by Sarah on Oct 19, '07 11:58 PM for everyone Ele era bonito como um demônio. Ainda mais assim, tão pouco vestido, o lençol amassado era uma moldura para aquela nádega, aquelas costas largas e macias. Olhando assim, no escuro, enquanto ele dormia, e ela, sentada na janela, enrolada no roupão, fumava um cigarro, era fácil esquecer qualquer coisa que ele fizesse lá fora que pudesse incomodar esse tempo, que era só dos dois. Passou a mão pelo cabelo, e sentiu a pele da testa. Eles já não eram tão jovens, mesmo assim, a idade que tinham não transparecia. Seu cabelo ainda brilhava como no dia em que o viu pela primeira vez. O dele ainda tinha a mesma cor daquela primeira hora. Ele era jovem e as preocupações que o mundo traria ainda estavam longe. Ele havia ganho sua primeira batalha, ela riu, quem olhasse agora não diria que ele era mais novo, depois de tudo que passaram, de tudo que ele passou, quem olhava agora não imaginava que um dia ele havia sido um menino, que pudesse ficar inseguro diante do desconhecido. Ele se mexeu no sono. O que seria desconhecido para ele hoje? Jogou o cigarro dentro do cinzeiro, e se deitou ao lado dele. Sem despertar ele murmurou seu nome e procurou seu corpo, que abraçou ternamente. Ela suspirou. Não importava o que ele fizesse lá fora, era seu nome que ele murmurava no sono. Ela acariciou seu ombro, o cacheado dos cabelos. Mesmo dormindo, ele transpirava força, segurança, virilidade. Suas mãos eram grandes e marcadas. Havia uma ligeira queimadura perto do pulso direito, nada mais que uma marca de ofício. Eram mãos que escreviam leis e puniam criminosos. Que empunhavam armas. E que envolviam seu corpo como se nada mais houvesse a fazer no mundo além de amar. Ela sabia que a manhã chegaria, e que enquanto ela dormia ele iria embora, cumprir seus deveres, trazer ordem ao caos e civilização às pessoas. E fecundar o mundo inteiro, as vezes lhe parecia. Mas era seu nome que ele murmurava. Ela beijou aquelas pálpebras douradas que abrigavam olhos que viam mais longe do que todos os outros. As vezes, ela se perguntava se quando ele começou tudo aquilo, imaginava o quão longe ia chegar. Se sabia o quanto estava destinado para ele. Que carregaria toda a delícia e toda a responsabilidade que carregava. Acariciou sua orelha, que escutava cada um que vinha suplicar, questionar, pedir, e que a todos fazia receber não o que desejavam, mas o que mereciam. Deitou a cabeça no peito que abrigava um imenso coração. Se deixou adormecer. Ele demorou para se levantar da cama. Não queria que ela acordasse, e ela segurava sua mão com força. Demorou soltando os dedos delicados devagar. Olhou amorosamente aquela boca mais que perfeita, aquele corpo em que se abrigava do mundo. Se pudesse ficaria mais. Mas havia tanto a ser feito, e tanto a ser vivido, a cada dia. Lavou o rosto vendo a imagem dela refletida pelo espelho. Se vestiu. Saiu pela porta do quarto devagarinho, sem barulho. Olhou o grande salão, ainda vazio, os raios de sol riscando o ar entre as colunas. Sentou na grande cadeira, a mesinha de apoio coberta de papéis. Leu rapidamente um ou dois. Anotou alguns bilhetes. Deixaria tudo com o mensageiro quando estivesse saindo. Pensou em comer alguma coisa. Mas olhou a vista pela janela, e era tudo tão vasto e tão seu, que preferiu ir até a feira e pegar umas maçãs.
Posted by Sarah on Oct 12, '07 12:16 AM for everyone Olhando ele aqui do lado, sentado segurando os pés e brincando com a gata, é difícil não ama-lo. Quando olho ele dormindo ao meu lado de manhã, dpeois de levantar sozinho da cama e se enfiar debaixo dos meus cobertores, é impossível não se apaixonar.
O fato é que já é dia das crianças agora e fiquei com vontade de rasgar seda pro meu filho. Bem idiota, mesmo.
O fato é que meu primeiro pensamento quando ele nasceu e eu vi ele não foi nenhum pensamento sobre a beleza da vida ou o amor incondicional, em que eu não acredito. Simplesmente eu pensei como algo tão grande poderia ter vindo através de mim. Grande não no sentido de eu ter parido alguém com um terço do meu tamanho, mas como eu podia ser veículo para um ser humano que tão recém vindo ao mundo já demonstrava tanta personalidade. Alguém tão calmo e seguro que nasceu sem que o coração acelerasse uma única batida. E que olhou em volta com a maior naturalidade, e poucas horas depois já sorria quando as pessoas falavam com ele.
Me surpreende a cada dia que possa ser parte de mim, 50% do meu DNA, essa criatura tão absolutamente única. Que gosta de caminhões e bichos de pelúcia, e me imita fazendo oferendas no altar ou escovando os dentes. Que gosta de música erudita e ópera, e de desenho. Que decidiu que aprender a contar é mais divertido que aprender a falar.
Que faz birra para andar de carro e pode passar horas observando formigas e plantas, em silêncio contemplativo, ou olhando o céu e me explicando, em sua língua própria, quais são asa histórias das estrelas. Que não fala para nada, mas que conhece o nome "Lua", e o número 2.
André me ensina o que é ser humano, deixar de lado a minha impaciência e ensinar as coisas simples. Ele cria sua própria história, e o que eu mais amo no meu filho é como ele é dele mesmo mais do que meu, enquanto bate palmas para a animação que vê na tv, e brinca com os próprios dedos enquanto escuta Montserrat Cabalet.
Crianças são estranhas e me assustam, tenho medo delas. Mas ele me olha e segura minha mão, e me carrega pelos caminhos dele. E eu o sigo, como seguiria qualquer beija flor que tão precisamente como ele me apontasse o caminho. E quando olho nele, enxergo o beija flor que pulsa dentro dele, que espalha bençãos e luz, enxergo a delicadeza do beija flor. Enxergo o vôo e o brilho nos olhos.
Amo os olhos do meu filho por serem tão diferentes dos meus. Amo sua risada por ser limpa. Amo sua corrida torta, tão perfeita de vôo.
Posted by Sarah on Oct 7, '07 1:20 AM for everyone  (não resisti a essa foto)
O que importa é o seguinte: preparem a pira, vou queimar essa coisa! Agora está morto e eu estou livre... e em uns 50 dias eu tenho meu diploma (bom, tenho a firmeza de pensamento de que está tudo certo).
Eram quatro horas da manhã quando eu terminei de imprimir.
Refiz algumas páginas que tinham, Gaia sabe como, perdido a formatação e ficado com o texto desalinhado. Olhei as 71 páginas e só conseguia pensar em todas as coisas que não tive tempo de incluir na pesquisa. No arquivo de anexos para o texto que eu tinha separado e desapareceu. Das referências que tenho certeza ficaram faltando.
Mas eu simplesmente coloquei a espiral, enfiei num saco plástico e foi dormir as duas horas que pude antes de ir entregar meu encosto. Temos horas em que temos que parar e deixar ir. Tudo bem, agora eu tenho duas linhas diferentes de mestrado que quero fazer, aprofundando minha pesquisa, mas ok.
Quando cheguei em São Bernardo, eu estava zumbizando. Fiz as duas avaliações que faltavam, nem sei como. Fui respondendo, e terminei bem rápido. Ótimo. Fui sentar na sala onde iamos esperar para apresentar a pesquisa. A gente ficava sentado em fileiras, na ordem em que iamos apresentar. A orientadora ia chamando, e você ficava imaginando o que ela perguntava, o que falar, e eu olhava a capa com o título que eu tinha mudado uma hora antes de imprimir, e tive que alterar coisas na introdução para justificar o título, sem muita certeza se estava melhor daquele modo (eu mudei o ângulo da pesquisa no meio do trabalho, quando comecei a analisar as grades curriculares dos cursos superiores em arte educação).
Olhei o abstract (eu pedindo socorro ao Helder no MSN as duas da manhã porque não conseguia pensar na tradução, minha cabeça latejava em pensar em inglês), folheei meu encosto todo enquanto esperava as três pessoas que estavam na minha frente. Eu fiquei ouvindo outras pessoas da minha turma falando sobre seus trabalhos, e de repente eu percebi que o que para mim foi uma pesquisa superficial e ineficiente, ainda era mais profundo que a média ali. Odeio quando as pessoas não se levam a sério. Uma menina lia a monografia com cara de pânico, e tenho quase certeza de que não foi ela quem escreveu nada daquilo, ela claramente não estava familiarizada com nada. Pensei nesta semana, terça, quinta e sexta não trabalhei e fiquei das dez da manhã as quatro da manhã só trabalhando na pesquisa.
Me senti muito bem. Saber que, errado ou certo, bom ou ruim, é meu. Eu escrevi, eu referenciei, eu analisei os dados e eu fiquei maluca ao ponto de ter acessos de raiva sem sentido.
Quando sentei na frente da examinadora, e comecei a falar da pesquisa, do motivo, das razões, sobre as surpresas que apareceram, a legislação, quando me vi citando pareceres e ela praticamente não perguntava porque eu ia falando. Ela no fim me parabenizou, eu disse que pretendia continuar a pesquisa com dados mais amplos, ela achou o máximo.
E então, eu estava livre.
Fui para o Anime ABC (estamos com o tabuleiro do RPG Quest Live lá, e estou me divertidno com as bizarrices que aparecem). E agora, estou numa boa. Estou livre. Posso voltar ao msn, aos meus outros projetos. Estou feliiiiiiiz e leve, leve como pluma. É isso ai. O Imperador está começando a dar o ar da graça.
Posted by Sarah on Sep 21, '07 2:43 PM for everyone Link: http://www.motor-z.com.br/Objeto do desejo!!!!
A V500 tem o visual de uma scooter italiana dos anos 50. (olhem na aba produtos »v500 ) Só que é elétrica. Tem uma independência de 40km, velocidade de 35 km/h, não usa óleo, é limpa e ecologicamente correta... aguenta 90 kg (tem um outro modelo que aguenta mais peso), perfeitamente pensada para pessoas como eu, que fazem percursos curtos...
Ela é linda, vermelha, scooter, com cara de lambreta, eu estou siplesmente dando gritinhos histéricos de "eu quero! eu quero! eu quero!"
Estou realmente apaixonada. Mandei email para eles perguntando como funciona para comprar uma, porque estou realmente achando que encontrei meu veículo ideal!!!
Posted by Sarah on Sep 7, '07 3:29 AM for everyone Meu insigth do Papa no momento é a questão da pertença. Pertencer a alguém ou algo significa que vc olhou no fundo e viu.E que desde então, não se pode viver sem. Eu vivo uma relação de pertença, por exemplo, com Paraty e Paranapiacaba. Sei que são cidades de que preciso para memanter nos eixos: sua arquitetura, suas ruas, suas pedras, suas luas, neblina e mar, são necessários para o meu funcionamento. Quanto tudo mais falha, é para lá que fogem meus pensamentos. Tenho uma relação de pertença com meu pai. Porque nós brigamos um monte, discordamos, mas andamos abraçados pela rua e compreendemos um ao outro mais que qualquer pessoa na terra poderia compreender. Nossa pertença foi forjada a fogo. Tenho um forte sentimeto de pertença a minha ancestralidade, profundo e enraizado que deu origem ao meu anseio de buscar o culto aos ancestrais. Tenho uma relação de pertença com minha Senhora. Não ouso dizer que sou sua filha. eu sou seu filhote, um cãozinho correndo atrás dEla. Mas eu pertenço. Porque olhei no fundo e foi ali que me encontrei refletida. Pertencer denomina uma relação difícil de definir. Não é mero amor. Nem servidão. Mas não é liberdade, tampouco. Pertença presume ser parte de Algo. Pertença é vínculo, no sentido mais estrito e mais profundo. De todos os sentimentos subjetivos, acho que Pertença é o mais difícil de explicar. É um termo muito usado, que aprendi a usar nas aulas de mitologia, nas relações entre Deuses e homens. Mas muito pouco definido. Não encontro uma definição exata sequer. Sei que pertença vai além da vontade, do desejo. Será que se eu pudesse escolher a quem pertencer, pertenceria a essas cidades, a essa Deusa, a essas pessoas? Não. Não é uma questão de querência, é uma questão de podência, diria minha professora. Envolve termos chaves: tribo, laço, solidariedade (palavra muito mal utilizada por ai, assim como compaixão, que tbm é chave para a pertença), memória, partilha. Transfiguração. Envolve a contemplação e também a exaltação. sentimento de pertença, quando se relaciona com a fé, é transcendência. Pertença é Kore se vendo refletida nos olhos de Hades. É Sidarta se enxergando no Universo. É aproximação. Identidade. Fico por aqui, meio esfumaçada de incenso, olhando a trança presa com cera, tomada pela sensação de pertencer. Que se esvanecerá pela manhã, mas que fica, firme, que me faz saber que não estou só, que posso contar com Alguém, que tenho um lugar para onde correr, que nunca ficarei sozinha, e o peso discreto no pulso me trás segurança. De resto, um interessante post sobre o conceito de comunidade: http://paideia-idalinajorge.blogspot.com/2007/09/em-torno-do-concweito-de-comunidade-ii.html
Posted by Sarah on Sep 5, '07 11:49 AM for everyone Primeiro eu estava com as meninas jogando um jogo de tabuleiro onde se construia castelos e onde os peões eram animais fantásticos. Os castelos eram de plástico transparente, então se podia colocar os peões dentro deles... mas ai chegou meu pai, com um chapéu meio odínico, uma garrafa de vinho daquelas cobertas de palha, arremessando semenste e falando augúrios geomânticos, e nós todos abandonamos o jogo e nos espalhamos pelo gramado.
Começou a chover. Eu peguei o carro, e sai dirigindo, uma mina que não conheço entrou no carro e estava indo comigo. A chuva virou granizo, granizos enormes, enfiamos o carro em uma loja de linhas para fugir da chuva, e ela saiu correndo na chuva. Tentei seguir mas não dava. Voltei para trás, e no lugar onde me abrigava da chuva, tinham preparado chá e bolachas.
Pouco depois, ela voltou. O lugar para onde a gente ia tinha pego fogo. Coloquei ela no carro e sai dirigindo o mais rápido que pude. Ela falou que todas as imagens tinham queimado, menos a de Hécate e uma outra (quando acordei lembrava o nome, acho que é uma ninfa), porque estavam na água. Fui direto nelas quando cheguei. A imagem de Hécate era linda, mas o rio ou lago, não sei, tinha enchido, e ela ficou coberta de água até os seios. Mas era bonito, porque um monte de flores tinha boiado e cercado ela.
O lugar onde as outras imagens ficavam, era uma construção baixa e semi subterrânea. Eu enchi um jarro de água e desci a escada onde um cara estava limpando o lugar. Eu jogava a água do jarro e o cara ia puzando com um rodo, limpando. A gente fez isso no lugar inteiro, usando um único jarro. Só um altar sobreviveu, o altar do inominável, do antigo além do tempo. Nós saimos. Ele perguntou se fazia muito tempo desde a última mamada do André, e eu perguntei porque. Ele disse que não queria leite espirrando no baralho de tarot...
eu acordei. pensando na imagem, jovem, delicada, carregando a tocha, o busto cercado por flores vermelhas e marelas, o olhar forte, pacientemente aguardando as águas baixarem....
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